Hoje, enquanto colocava Catarina para dormir, fiquei ao lado do berço segurando sua mãozinha, pensando em todos os momentos que já passei naquele mesmo local. Para mim, nenhum outro lugar representa tão bem o que é ser mãe quanto aquele metro quadrado da casa. Logo que cheguei da maternidade, coloquei a pequena para descansar em seu quartinho, e o sentimento era um misto de contemplação (que milagre era aquele que tornava real um bebê tão perfeitinho?) e de medo (de não saber cuidar da minha filha, de que ela regurgitasse e eu não estivesse por perto, de que ela simplesmente parasse de respirar – o que pode parecer exagero para quem nunca foi mãe, mas é compreensível para aquelas que já seguraram seu pequeno e indefeso filhote nos braços pela primeira vez). Foi ali, ao lado do berço, que eu me senti mãe pela primeira vez: sem as visitas da maternidade para fazer festa, sem as enfermeiras que ajudavam na amamentação, por minha conta e risco, responsável pela vida que se apresentava diante dos meus olhos!

Imagem: 123RF

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Ao lado do berço eu senti aquele aperto no peito, chamado de solidão. Que chegava de mansinho e quando eu percebia, já tinha deixado meus olhos marejados. E também a apreensão de ver um filho doente, respirando com dificuldade ou vomitando todo o jantar. Foi também ali que senti o cansaço das sucessivas noites em claro. Foram meses em que Catarina só dormia embalada em meu colo, os braços dormentes por sustentá-la por longos períodos. Cheguei a chorar de tão exausta e saudosa do tempo em que dormia sem interrupções. Eu achava que aquelas seriam as piores noites que eu passaria ao lado do berço, mas nada se compararia àquelas em que tentei ensinar a pequena a dormir sozinha. Cinco noites foram suficientes para me mostrar que eu nunca conseguiria aplicar as técnicas de choro controlado com a filhotinha. Eu me sentia deixando-a desamparada, o que era pior do que passar supostas mil madrugadas em claro ninando-a. Mas essa decisão me custou olheiras e muitos fios de cabelos brancos, até que o milagre das noites não-interrompidas começou a acontecer.

Por outro lado, foi pertinho do berço que senti a alegria de vê-la se sustentar em suas perninhas, segurando nas grades para tentar ficar em pé. E que passei a receber a coisa mais doce que uma mãe pode ganhar: um beijo pela manhã! É lá também que eu agradeço por mais um dia vivido e pelo enorme aprendizado que aquele ser tão pequenininho veio me proporcionar. E que desejo do fundo do coração que ela cresça feliz e trilhando o caminho do bem.

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Ah, tem mais! Ali ao lado do berço eu mostrei meu lado de mãe-maluquinha. Que acessa o Facebook com uma mão, enquanto a outra está presa pela filhota (e que você só vai conseguir tirar vinte minutos depois que ela dormiu, senão a danada acorda!). E que num rompante de maluquice pula para dentro do berço, para brincar de cabaninha (preciso dizer que a pequena foi ao delírio?)!

Se o berço da minha filha falasse, teria muitas histórias para contar! E aí na sua casa, também?