Por que praticar a amamentação em livre demanda é tão importante?

Por 11 Comentários


Quando eu estava grávida de Catarina, lembro que as mulheres mais velhas da minha família, que já haviam tido filhos, comentavam sobre as famosas mamadas a cada três horas. Elas me diziam: “vai calculando mais ou menos, tentando dar o peito com esse intervalo de tempo, para ir acostumando sua filha ao ritmo”. Até por desconhecimento, eu acreditei piamente nisso, e muitas vezes acabava tentando forçar um período maior entre uma mamada e outra. Mas, sendo muito sincera, dificilmente eu conseguia (em geral depois de duas ou duas horas e meia, Catarina já estava aos berros e eu a colocava no peito), o que gerava um certo sentimento de frustração (será que eu estava fazendo algo errado?).

Imagem: 123RF

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Hoje eu vejo que acabei me estressando sem necessidade – deveria ter feito a amamentação em livre demanda desde o início (depois de um tempo acabei praticando, quando percebi que meu leite era produzido em quantidade insuficiente – e, para tentar um aumento na produção, essa foi a primeira recomendação da pediatra da pequena). Para quem não sabe, isso significa que você deve oferecer o peito ao bebê sempre que ele tiver vontade de mamar (inclusive durante a noite). Diferentemente do que era proposto um tempo atrás, hoje sabe-se que amamentar sem se preocupar com o relógio é o melhor que se pode fazer para o filhote, sobretudo no início de vida. São tantos os benefícios, que eu quis dedicar um post todinho ao assunto (espero que seja muito útil, e que ajude as mamães que estão começando a amamentar agora!).

 

Benefícios

Apesar de parecer bem simples na teoria, a ideia pode assustar algumas mães pela preocupação de ter que se manter sempre à disposição da criança. Contudo, o esforço é extremamente válido, pois os benefícios de amamentar dessa forma (ao invés de estabelecer uma rotina de mamadas) são muitos. O aumento da quantidade de leite é um dos principais, pois você receberá um estímulo natural para produzir o alimento do seu filho: a própria sucção do bebê. Quanto mais o filhote suga, maior é a produção de leite materno (e, portanto, menor a probabilidade de seu filho precisar de complemento artificial). Isso significa também que a amamentação tem mais chances de ser estabelecida plenamente, pois o bebê não confundirá o peito da mãe com outros bicos (como o da mamadeira, que oferece uma sucção menos trabalhosa) e não chegará ao nível de estresse quando quiser mamar (ou seja, ele não necessariamente irá chorar).

Além de mais leite e uma criança mais tranquila, vocês ainda serão beneficiados pelo aumento do vínculo, pois a rotina será baseada na vontade e nas necessidades alimentar e afetiva da criança (pois ela suga o peito também para suprir demandas emocionais). Sem contar que vocês acabarão passando mais tempo juntinhos, o que ainda contribui para que o pequeno se sinta mais amado e, consequentemente, se torne uma pessoa mais confiante no futuro.

 

Cuidados que ajudam

Sem dúvida, amamentar em livre demanda pode ser mais exaustivo do que estabelecer horários para as mamadas. E muita gente ainda argumenta como uma das desvantagens desse tipo de amamentação o fato de que a mãe não conseguirá fazer outras tarefas, pois estará sempre à mercê do bebê . Entretanto, uma boa alternativa para facilitar o processo é o uso do sling. A peça manterá o bebê sempre junto da mãe (porém, vale ressaltar que o momento de amamentar deve ser preferencialmente exclusivo – ou seja, a mãe não deve dividir a atenção com outras atividades enquanto alimenta o filhote, exatamente para que todos os benefícios, de fato, aconteçam).

Uma adaptação fundamental para a nova mamãe que deseja amamentar de forma exclusiva é estabelecer uma rede de apoio familiar e de amigos. Assim, as pessoas mais próximas à mulher (inclusive o marido, que fique bem claro) podem ajudar na execução das tarefas domésticas, para que ela possa dedicar mais tempo ao filho (que é justamente quem mais precisa dela naquele momento).

Outra dica que ajuda na amamentação exclusiva é deixar que o bebê durma no mesmo quarto que a mãe. Essa medida (que não possui qualquer contraindicação, desde que as medidas básicas de segurança sejam seguidas, como não colocar o bebê na mesma cama do casal – pois há risco de sufocamento) pode deixar as mamadas noturnas bem menos cansativas.

 

A adaptação acontece

É essencial lembrar que, especialmente durante o primeiro mês após o nascimento, mãe e filho ainda estão se adaptando à nova condição, e os intervalos entre as mamadas podem ser muito distintos (e, por vezes, muito pequenos). Mas isso não significa que será assim pelos próximos meses! Ao longo do tempo, os dois acabarão estabelecendo naturalmente uma rotina própria e as mamadas ficarão mais espaçadas, não se preocupe. Por isso, siga seu instinto de mãe e ofereça o peito quando e por quanto tempo quiser – não é preciso fazer imposições, seu filho naturalmente chegará a um equilíbrio, no tempo dele.




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Comentários (11)

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  1. SUSAN disse:

    Bom dia!

    Este POST é simplesmente FANTÁSTICO !!!
    PARABÉNS!!!
    E deve ser muito divulgado. Porque principalmente mães de primeira viagem, na maioria das vezes, se deixam levar por opiniões de outras pessoas (experiência própria).

    Mas cada criança é uma criança em todos os quesitos.

    E como citado no post, mãe e filho se adaptam SIM !!! Se o seu filho quer mamar, ofereça o peito a ele SIM !!!
    E não interessa se ele mamou faz pouco tempo.

    LUAN tem 1 ano e 1 mês, até hoje mama, é mega saudável e muito feliz!!!

  2. Tatiana disse:

    Adorei esse post!

    Pratiquei a livre demanda com a minha filha por recomendação da minha médica e hoje em dia vejo que rendeu frutos: ela tem uma saúde fantástica!
    Tentei impor horários de mamadas no começo, mas minha filha não se adaptava. Ela chorav
    a muito, e o peito sempre resolvia. Minha médica disse que não havia problema nenhum, e que, inclusive, era ótimo pro bebê.
    Foi, de fato, cansativo… Passei momentos difíceis, sem pedir a ajuda que precisava. Mas deu tudo certo, e valeu a pena.

    Por isso, minha filha não se adaptou a chupeta, e nem a bico de mamadeira. Tem esse contraponto…Mas, pelo menos, a arcada dentária ficou íntegra! Rsrsrs

    Beijo!

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Tatiana, muito obrigada por compartilhar conosco sua história! Adoro ver relatos de livre demanda bem sucedidos!

      Grande beijo!

  3. Marina disse:

    Num curso de gestante que fiz, vi uma mãe perguntando sobre a criança dormir a noite toda e não acordar para mamar. A médica, no caso, aconselhou a mãe a acordar a criança a cada 3 horas para mamar, principalmente se tiver pouco peso.
    Mas aí não se está praticando a livre mamada.
    Seria necessário alternar os métodos?

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Marina,

      Acho que cada criança é um caso. Principalmente quando o bebê não ganha peso facilmente ou nasceu muito pequeno, os médicos recomendam que acorde, sim. Isso até que a criança tenha ganho peso suficiente, então você passa a amamentar apenas se chorar durante a madrugada.

      Beijos

  4. Tatiana disse:

    Tenho uma pergunta: e quando são gêmeos?
    Dá para fazer a livre demanda?

    Obrigada,
    Tatiana (esperando duas menininhas) 😉

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Tatiana,

      Algumas mulheres conseguem manter gêmeos apenas com amamentação exclusiva no peito, fazendo livre demanda. Mas, sendo bastante sincera, não é a maioria. Muitas vezes há a necessidade de complementação. Tente ao máximo manter o leite materno, que fará muito bem para as pequenas, mas, se precisar entrar com LA por recomendação do pediatra (sempre!) não se sinta culpada!

      Beijos!

  5. Ana disse:

    Oi Nívea, amo livre demanda ❤ acredito muito no fortalecimento do vínculo que isso proporciona. Minha filha hoje com um ano e dois meses ainda mama no peito (pretendo oferecer até os dois anos, ou mais, não sei rsrs) Gostaria de saber de você sobre a questão de dormir na cama dos pais, pois no começo sempre muito cansada acabava adormecendo com minha filha na cama, e logo depois ela não queria mais dormir no berço… Como ainda é! Por vezes pensava em dar mamadeira pra ela, pelo menos a noite pra ver se ela dormia a noite toda. E até hoje não achei uma solução. Será que se eu tivesse dado a mamadeira, ou chupeta pra ela dormir a noite, teria sido mais fácil de estabelecer uma rotina do sono?

  6. Camila disse:

    Esse texto só tem uma falha. Contraindicar a cama compartilhada. Segundo a Associação Americana de Pediatra, a CC reduz o risco de morte súbita, ao contrário do que informado no texto.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Camila, muito obrigada por seu comentário.

      No entanto, o texto fala justamente o contrário, dizendo que a cama compartilhada é, sim, uma boa ação, desde que os cuidados de segurança sejam tomados.

      Abraços!

  7. Tatiana Araujo disse:

    Desde o início fiz a livre demanda com o meu bebê (até pq pra mim era assim que deveria ser, mesmo antes de começar a ler sobre amamentação) – graças a Deus tive sorte pq o Gustavo RN mamava de 3 em 3h (ok que era quase 1h mamando, descontando essa hora, tinha um intervalo regular entre uma mamada e outra), era dele mesmo, nunca estabeleci horário, mas lembro que de 3 para 4 meses o meu bebê teve um pico de crescimento e queira mamar de hora em hora, no início fiquei com medo achando que não estava mais dando conta com o meu leite (obrigada internet, Google, sites e blogs de maternagem e amamentação) a conhecida crise dos 3 meses em que o corpo já se adaptou ao ritmo de mamadas do bebê e o seio não fica mais ingurgitado de leite e vc começa a se perguntar se está produzindo leite suficiente, voltando ao assunto num dia desses de pesquisa sobre o assunto na internet aparece uma propaganda numa rede social sobre uma enfermeira consultora em amamentação ensinando a criar uma rotina de amamentação para o bebê, que ele devia mamar no mínimo de 2h em 2h e depois vc ia aos poucos esticando esse horário até chegar às 3h, acho que não aguentei uma semana e desisti, alguns dias depois meu bebê se acalmou e voltou a rotina dele de mamadas (que ele mesmo estabeleceu)

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