Grávida: as vacinas que você terá que tomar na gestação

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Fazer um pré-natal com qualidade é, sem dúvida, uma das maneiras mais eficientes de se garantir uma gravidez saudável e tranquila. É por isso que as mulheres que estão à espera de um bebê precisam ficar atentas a todos os cuidados que esse momento exige, como fazer os exames gestacionais necessários e manter hábitos de vida saudáveis. Mais ainda: grávida tem, sim, que tomar vacina, para se proteger e para passar anticorpos para seu filho, dentro da barriga.

Quando a grávida está devidamente vacinada, ela se protege contra diversas doenças que podem trazer complicações também ao bebê dentro da barriga. Por isso, se você ainda não engravidou mas já vem se planejando para ter um filho, é muito importante verificar a sua carteirinha: caso alguma vacina esteja em atraso, informe-se com o seu médico se você deve recebê-la como parte dos cuidados pré-concepção.

E, após a descoberta da gravidez, existem outras vacinas específicas que devem ser tomadas para proteger mãe e filho. Confira quais são:

Imagem: 123RF

Gripe

Quando a mulher está esperando um filho, ela entra para o grupo considerado de risco para gripe (ou seja, aquelas pessoas que, mais sensíveis, possuem maiores chances de contrair a doença e desenvolver um quadro grave – que pode levar até à internação). Portanto, a grávida passa a ser incluída na campanha de vacinação. Portanto, se você estiver grávida, deve tomar uma dose única da vacina contra a gripe, em qualquer estágio da gestação. Caso não tome nesse período, é possível ainda tomar em até 45 dias após o nascimento do bebê. Vale destacar que essa imunização é importante pois, além de evitar a gripe, previne outros quadros graves, como bronquite e pneumonia (decorrentes da infecção por Influenza).

 

dTpa (tríplice bacteriana – coqueluche, difteria e tétano)

A dTpa é a vacina tríplice bacteriana, que nos protege contra a difteria, o tétano e a coqueluche. Nós recebemos a primeira dose dela ainda crianças, a partir do segundo mês de vida. Depois, também na infância, recebemos mais duas doses e dois reforços. No entanto, na idade adulta, a imunização deve continuar, com um reforço a cada dez anos.

Segundo o Ministério da Saúde, a grávida deve tomar essa vacina entre as 27ª e a 36ª semanas de gestação. E o esquema funciona da seguinte maneira:

  • Se a gestante nunca foi vacinada, ou tem o histórico vacinal desconhecido, deve tomar duas doses da vacina dT (que protege apenas contra a difteria e o tétano) durante a gestação, e uma terceira de dTpa (após a 20a semana). Deve-se respeitar um intervalo mínimo de um mês entre as doses.
  • Em gestantes com a vacinação incompleta, que receberam uma dose apenas com o componente tetânico na infância, deve-se dar uma dose de dT e outra de dTpa (essa após as 20 semanas de gestação, o mais cedo possível), com intervalo mínimo de um mês entre as doses.
  • Em gestantes com a vacinação incompleta, que receberam duas doses com o componente tetânico, ou que têm o esquema de vacinação completo, deve-se dar uma dose da dTpa após as 20 semanas de gestação (o mais cedo possível).

A dTpa é muito importante para prevenir o risco de tétano neonatal, infecção causada pelo uso de instrumentos inadequados para cortar o cordão umbilical durante o parto. Sem contar que protege seu filho contra o aumento da coqueluche em bebês. Nos bebês, a coqueluche pode ser fatal, e tais casos de óbito acontecem principalmente até os 3 meses de vida (quando boa parte dos bebês ainda não pôde ser vacinada), e a quase totalidade até os 6 meses de vida (mesmo nos que já receberam a dose inicial, pois a proteção completa só ocorre depois das 3 doses). Assim, quando a grávida é vacinada, passa anticorpos para o bebê, protegendo-o desse risco.

 

Hepatite B

É muito importante que as grávidas se protejam, também, contra a hepatite B, pois a infecção pela gestação é comum e, uma vez que a criança fica doente, as chances de apresentar cirrose e até mesmo câncer hepático na vida adulta aumentam (muito!). Veja que alarmante: cerca de 90% dos bebês que contraem a hepatite B na vida intrauterina ou no parto desenvolvem sua forma crônica (com cirrose/câncer) – o que teria sido evitado com a vacina.

Para se proteger são necessárias três doses da vacina, que devem ser tomadas, de preferência, a partir do segundo trimestre de gestação. Mas vale lembrar que, caso a mulher já tenha sido vacinada antes contra a hepatite B, não é necessário se proteger novamente. Muitas vezes seu obstetra pedirá nos exames de sangue iniciais a verificação da conversão das hepatites, para analisar se você foi vacinada e continua imune.

Atenção!

Essas três vacinas são as que, de maneira geral, as grávidas devem tomar (e todas estão disponíveis na rede pública de saúde!). Contudo, é muito importanteque você se informe com seu médico se é necessário receber mais alguma imunização, pois a recomendação é bem individual, de acordo com cada caso.

Outras vacinas que podem ser indicadas

Em alguns casos, e dependendo do risco da gestante contrair algumas doenças, o obstetra pode ainda recomendar as seguintes vacinas para a grávida:

Hepatite A

O vírus da hepatite A causa uma inflamação no fígado, e é transmitido por água e alimentos contaminados. Como nosso país ainda apresenta muitos problemas de saneamento, ou viagens para locais com essa característica são frequentes, alguns médicos recomendam a vacina para hepatite A, que consiste em duas doses, aplicadas preferencialmente depois das 12 semanas de gestação (sem necessidade de repetição numa nova gestação).

Pneumocócica, Meningite ACWY (ou na sua falta, a de Meningite C – mais prevalente no nosso país) e Meningite B

Podem ser recomendadas quando há surtos das doenças provocadas por esses agentes. Como todas as três vacinas são feitas com vírus inativo, não há risco para a gestante ou para o bebê.

Febre Amarela

Há pouco tempo falava-se que a grávida não deveria tomar a vacina de febre amarela. A recomendação atual continua sendo essa, a não ser nos casos de surto da doença, em que há grandes riscos da gestante contrair a febre amarela. Quando isso acontecer, a gestante pode ser orientada por seu médico a tomar a vacina. Depois do parto, recomenda-se também que a mãe que amamenta não seja imunizada, a não ser que exista esse grande risco de ser infectada. Então a amamentação deve ser interrompida por dez dias, pois o vírus atenuado da vacina passa pelo leite materno.

Vacinas que a gestante não deve tomar

Se você estiver grávida, não é recomendado tomar a vacina tríplice viral e a de varicela.

Ainda tem alguma dúvida? Veja aqui o calendário de vacinas para as gestantes da SBIm – Sociedade Brasileira de Imunização.


 



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