Porque existem anjos ao nosso redor…

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No texto de hoje, nossa querida Flávia Girardi (que começou como leitora do blog, e hoje contribui com seus posts encantadores), fala sobre os momentos em que você acha que sua vida está muito difícil… Até que um anjo, seu filho, te mostra outras formas de ver a vida. Outros textos dela você acompanha em seu blog, o Cartas para Alice (veja aqui).

Por Flávia Girardi

Durante a noite a Alice reclamou muito de dor de ouvido e achei mais prudente levá-la ao hospital logo pela manhã. Como parei o carro um pouco longe, a peguei no colo, enrolei um cobertorzinho em volta das orelhas e, no meio do trajeto, olhei para ela e comecei a cantar. Ela perguntou: “Mamãe, porque está cantando?” E eu respondi: “Para você ficar feliz”. Ela, então, sorriu e me disse: “Mas eu já estou feliz, mamãe”. Ela estava feliz a caminho do hospital, depois de passar uma noite em claro e em uma manhã gelada de terça-feira… E eu pensei que Deus coloca anjos nas nossas vidas para nos ensinar a viver. Para nos ensinar a olhar para o mundo de uma outra maneira. Para nos mostrar que é feliz quem é grato. Quem enxerga além de si mesmo.

Quando eu estava grávida ficava pensando nas coisas que eu poderia ensinar para minha filha, mas acho que bem lá no fundo temos uma visão equivocada das crianças. Achamos que são pessoinhas pequenas, páginas em branco, que cabe a nós, preenchê-las. E é claro que temos sim um papel fundamental! Mas elas nascem com uma sabedoria de fábrica (que infelizmente muitos vão perdendo ao longo da vida). Elas veem descomplicadas. Sim, até as birras que nós achamos confusas e difíceis de resolver, têm suas explicações!   Tanto que, de um minuto para outro, elas passam, como se nada tivesse acontecido. Sem mágoas, sem rancor.

Imagem: 123RF

Tenho a sensação de que todas as vezes que volto à minha zona de conforto – cumprindo as minhas regras, as minhas opiniões irrefutáveis e absolutas – lá vem ela, pondo tudo em cheque. Como se fosse aquela “voizinha” falando ao seu ouvido e te dando um puxão de orelhas! Ela nem percebe, mas nem sei contar quantas vezes me peguei sem graça, diante da sabedoria de um serzinho de apenas 3 anos. Dando uma resolução simples a um problema, mudando uma frase de lugar ou um percurso… Porque as almas simples são assim, para elas não importa se as coisas não saíram como o programado. Elas sempre estão dispostas a recomeçar.

Outro dia, já noite, perto das 20:30h (meu horário crítico de sono!), lá estava ela, se trocando, fazendo shows pela casa, até que decidiu que queria por água na garrafinha do sapo, para que ele à levasse a sua “escolinha”. Eu disse – já brava que NÃO! Já era tarde e hora de dormir. Quando entrei no quarto e vi toda aquela bagunça comecei a reclamar, falar que era para ela arrumar tudo e blá blá blá… Ela me ouvia em silêncio com um par de chinelos três vezes maior que os pés dela (e que, ainda por cima, foram calçados por cima de meias coloridas), até que virou e me disse: “Para de falar assim mamãe! Eu só estou brincando”! E eu então entendi. Entendi que tudo bem se as coisas não estiverem assim, tão arrumadas, organizadas. Tudo bem se já passou um pouco da hora de dormir e, que mal há se o chinelo não combina nadinha com as roupas ou se ele é um pouco grande demais? Ainda bem que existe ela para me ensinar… E agradeci, porque meu anjo mora na minha casa.


 



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