Estou voltando da última reunião da primeira escola da minha filha. Eu sabia que esse momento iria acontecer, porque não daria para Catarina ficar na educação infantil para sempre. Mas confesso que é difícil dizer adeus, quando se é muito feliz com uma escolha.

Encontrei novamente as carinhas conhecidas, de pais que, assim como eu, viram seus filhos passarem sua primeira infância ali. Notei que muitos também tinham os olhos cheios de lágrimas, por sentirem o clima de despedida. Foram pouco mais de três anos em que vi minha pequena se tornar grande. E foi impossível não me lembrar de alguns momentos.

Imagem: Grazi Ventura

Imagem: Grazi Ventura

Me vi naquele mesmo local, na semana de adaptação. Senti meu coração apertado, pela primeira real separação que eu passava com a pequenina. O coração voltou à boca, quando revivi na memória o dia em que de fato a deixei e saí. E como ela estava feliz, quando retornei na hora da saída.

Publicidade

Vou levar comigo o sentimento de acolhimento que sempre senti ali. Aliás, se eu pudesse resumir em uma frase o porquê de eu tê-la escolhido, diria que foi justamente por saber que minha filha seria bem acolhida. O que eu não sabia é que com o mesmo carinho que cuidaram de Cacá, também cuidaram de mim. E talvez vocês, amigos que ganhei nessa escola, nem saibam, mas me ajudaram a crescer como mãe. A me tornar mais confiante, consciente, paciente e menos superprotetora.

Queria que minha filha se lembrasse da alegria desse lugar para sempre. Do coreto onde ouviu inúmeras histórias, do pátio cheio de areia (aliás, como é possível trazer metade dos grãos todos os dias no tênis?), do escorregador onde bateu o queixo, das árvores que têm suas folhas recolhidas em baldinhos, todos os dias, pela criançada. Queria que ela se lembrasse das bananeiras e do jabuti que comia os restinhos de fruta do lanche. Queria que ela se lembrasse dos banhos de mangueira nos dias de calor, das receitas que cozinharam e provaram, de ficar de ponta-cabeça na aula de yoga. Queria que ela se lembrasse das professoras que a ajudaram a crescer e dos amigos que ansiava por ver todos os dias.

Não sei se Catarina terá, daqui a alguns anos, essas cenas vívidas, mas certamente levará a felicidade do brincar livre, das primeiras descobertas longe de casa. Da minha parte, jamais conseguirei esquecer os papos gostosos com a secretária no portão, a primeira semana de aula em que a coordenadora me disse: “fique aqui nessa sala, só para ter certeza de que ela vai parar de chorar em um minuto” (e parou mesmo!), as longas conversas com a diretora, que tentava me dar uma luz sobre a escolha da nova escola para qual a filhota iria. E também a primeira excursão (e como a pequena se sentia orgulhosa em dar esse passo sozinha), as mães dos colegas que se tornaram amigas, o abraço forte da filha, que eu recebia quando o portão da entrada se abria.

Ali minha pequena deixou de ser um bebê e passou a ser uma menina. Descobriu os números, investigou pequenas formigas, aprendeu a ler as primeiras palavras. Mas, principalmente, percebeu-se capaz, forte, independente – sem deixar de notar que é preciso respeito pelo espaço do amigo.

Eu poderia terminar dizendo que sentirei muitas saudades. Mas acredito que esse é um sentimento que se tem quando se deixa algo para trás. E nós te levaremos para sempre em nossos corações, EPCO. Então só me resta agradecer pelos anos de amizade, companheirismo e um incansável trabalho para fazer tantos pequeninos crescerem com brilho nos olhos.