Eu pensei muito em como começar esse texto, até que cheguei à conclusão de que nenhuma frase representa mais o que eu sinto do que essa: filhos são mesmo uma caixinha de surpresas! Antes de tê-los, você acha que a maternidade é uma coisa. Depois, entende que é algo completamente diferente! E se você é, de certa forma, uma mulher controladora (como eu me considero), vai perceber que, desde cedo, uma criança te mostra que não é possível mandar em tudo. E que aquela história de colocar limite, por “ordem na casa”, não é tão simples quanto parece.

Eu me lembro direitinho do primeiro dia em casa, depois do nascimento de Catarina. Eu, que já tinha lido a Encantadora de Bebês de frente para trás, de trás para frente, achei que o melhor a fazer era estabelecer uma rotina para a pequena (“mas tão cedo?”, vocês podem estar se perguntando! Pois é, coisa de mãe de primeira viagem, completamente sem noção do que é ter um recém-nascido em casa!). Claro, sem ficar marcando os minutos no relógio, mas estabelecendo uma ordem: mamada, fralda, alguma atividade acordada, dormir. Com os ciclos se repetindo, o banho na mesma hora, e tudo igualzinho para que o bebê se acostumasse ao seu dia a dia.

Imagem: 123RF

Imagem: 123RF

E funcionou? Mas é claro que não! E quanto mais eu tentava manter as coisas dentro do que eu chamava de rotina, mais elas pareciam contrariá-la. Minha filha não dormia bem, não acordava todos os dias na mesma hora (mas os bebês não eram reloginhos para acordar? Eu sempre havia escutado essa lenda, e achei que funcionasse para 100% dos filhotes!), às vezes mamava mais rápido, em outras dormia no peito. Então eu ficava ali no meio, tentando encontrar um padrão, uma fórmula mágica que pudesse ser repetida, e que me desse a segurança de que eu sabia o que estava fazendo.

Publicidade

Já adianto que essa fórmula nunca chegou! E quando eu finalmente achava que estava entendendo o que fazer para minha filha dormir melhor, comer melhor, chorar menos, lá vinha uma nova etapa, que bagunçava tudo! As três sonecas diárias viravam duas, depois uma, e alteravam até o horário das refeições. Com a chegada dos alimentos, um simples choro poderia significar uma indigestão, causada por uma comidinha a que Catarina não estava acostumada. E o dia em que eu quase morri, achando que havia sangue no cocô! Sabem o que era? Melancia! E eu quase correndo para o pronto-socorro, achando que tinha algo muito errado com ela!

Por isso, todas as vezes em que vejo uma recém-mãe preocupada em estabelecer uma rotina, minha vontade é a de dizer: calma! Espere, observe, sinta seu filho! Ao invés de tentar impor um esquema, tente entender como esse serzinho funciona! Ele é uma criança que se acalma facilmente, ou precisa de ajuda para adormecer? Ele mama bem e consegue espaçar as mamadas com facilidade, ou precisa que você esteja disponível por mais tempo, para mamadas mais curtas e frequentes? Ele precisa de muito contato físico para se manter calmo, ou é uma criança que dorme no bercinho, no sling, no carrinho, com a maior naturalidade do mundo?

Só depois de saber essas respostas é que você descobrirá como construir uma nova rotina com ele! Que não será certamente a que você imaginou em tudo, porque é preciso que a mãe se adapte ao bebê, e o bebê à família em que ele chegou. Talvez esse seja o segredinho das mães que dizem que rotina é tudo, e que dá certo! Talvez elas tenham sentido as necessidades do filho primeiro, mas então propor um esquema que realmente funciona! #ficaadica