Vocês não imaginam quanto eu aprendo com esse contato direto que temos pelo blog. Há algumas semanas, uma leitora compartilhou comigo a história de seu filho, que tinha passado por um episódio de celulite nos olhos. Celulite? Pois é, no início também achei curioso, porque, para mim, esse termo estava associado àqueles furinhos horrorosos que temos pelo corpo, e dos quais toda mulher gostaria de se livrar. Mas a verdade é que o sentido da palavra é bem mais amplo: celulite significa inflamação de tecido celular, e pode acometer não apenas as coxas, os glúteos e outros membros onde estamos acostumadas a vê-la, mas o que é muito pior: pode atacar a região dos olhos. E para ficarmos atentas: nos casos mais graves, há chance de evolução para quadros perigosos, como meningite ou até mesmo perda de visão ou audição.

Pois é, o assunto é sério e pouquíssimo conhecido. E justamente por isso achei que seria importante escrever sobre ele, para que mais mães tenham acesso a esse tipo de informação. Para enriquecer o post, contamos com o depoimento da leitora Nataly, que passou pela situação com o filho Angelo, quando ele tinha pouco mais de um ano. “Um dia ele acordou com um olhinho bem inchado. Achei que fosse conjuntivite e o levei ao pediatra no plantão e, por Deus, uma médica muito boa o atendeu e diagnosticou o certo, era celulite”, recorda a mãe.

Imagem: 123RF

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Sintomas da celulite

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Assim como Nataly, muitas pessoas (inclusive alguns médicos), ao estarem diante de um quadro de celulite orbitária, podem não reconhecer do que se trata o problema, e dar um diagnóstico errado. A própria leitora ouviu de um outro médico que o inchaço que o seu filho tinha era por conta da picada de algum inseto. Felizmente, a outra plantonista percebeu do que se tratava e logo deu início ao tratamento – o que garantiu uma cura rápida e bem menos sofrimento ao filhote (e à mamãe!).

Como a celulite, conforme já vimos, se trata de uma inflamação (nesse caso, dos tecidos profundos da órbita dos olhos), um dos principais sintomas é exatamente o inchaço, que pode aparecer na pálpebra ou ao redor dos olhinhos. Por conta dele, o paciente pode reduzir o movimento ocular, apresentar visão turva e até mesmo enxergar menos. Outros indícios comuns do problema são olhos esbugalhados, pálpebras vermelhas, febre, desconforto e baixa energia. Para fechar o diagnóstico, é necessário fazer um exame de sangue (e alguns médicos ainda podem pedir uma tomografia).

 

Causas e tratamento

Problemas respiratórios, como sinusite e outras infecções, podem desencadear o aparecimento da celulite nos pequenos. O agente causador do problema é uma bactéria (que em geral é diferente entre adultos e crianças) e por isso o tratamento deve ser feito com antibióticos. “No segundo dia de antibiótico, o olho do Angelo ficou totalmente fechado de tão inchado – (nessa hora, mãe se desespera de ver o filho piorar)! Mas a médica havia me dito que seria normal aparentar uma piora inicial. Foi no dia seguinte que começou a melhorar mesmo”, conta Nataly.

Em casos mais sérios, pode ser necessário aplicar o antibiótico diretamente na veia ou ainda serem feitas algumas intervenções cirúrgicas, como a drenagem da região ocular, se muito inchada. Também é importante frisar que, quanto antes o problema começar a ser tratado, melhor, exatamente para o quadro não evoluir para uma situação mais preocupante. A infecção pode, por exemplo, atingir as membranas cerebrais e originar uma perigosa meningite – complicação que pode levar a danos permanentes no cérebro, como perda de memória e dificuldade de aprendizado, ou ainda ser fatal. “Minha dica é: olho inchado pode não ser conjuntivite e nem bicho que picou o olhinho da criança, e que toda mamãe levante, sim, a hipótese de ser uma celulite, que é muito perigosa e pouco divulgada”, declara Nataly.

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Como sempre, o intuito do post não é alarmar (porque, na maioria das vezes, o inchaço nos olhos dos pequenos não passa de um terçol ou de uma conjuntivite), e sim de informar. E se o seu coração de mãe disser que existe algo que precisa ser melhor investigado, o melhor é sempre recorrer ao médico para uma avaliação.