Mesmo que se passem cem anos, eu não me esquecerei do primeiro dia de Catarina em casa. Confesso a vocês que eu estava morrendo de medo de levar aquele bebê tão pequenininho e frágil para casa – justamente eu, uma das mães mais sem experiência do mundo, teria que me virar sozinha. Antes disso, eu não havia acompanhado de perto o cuidado com os bebês de amigas (bem que elas se ofereceram para me ensinar a trocar fraldas, ou para segurar seus bebezinhos para arrotar, mas delicadamente eu neguei – “para que, se um dia eu teria que aprender de qualquer jeito? Que seja depois então!”). E na família, a filhota era o primeiro bebê de sua geração – ou seja, filha de uma mãe de primeira viagem, neta de avós que também estavam descobrindo esse novo papel em suas vidas.

Imagem: 123RF

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Saindo da maternidade, bateu o pânico – como era mesmo que eu deveria fazer para trocar a fralda da pequena? Com Catarina no bebê conforto, recebi uma “aula teórica” da enfermeira, que me explicou em linhas gerais o que deveria ser feito. Não parecia difícil (e nada que um vídeo do YouTube não me mostrasse como proceder!).

Então chegamos em casa. Catarina estava linda, com um macacão que eu havia escolhido especialmente para sua vinda ao nosso lar. Lembro-me de entrar com o pé direito (não que eu acredite em superstições, mas não custava, não é mesmo?), segurando aquela pluma em meus braços. Tão levinha que eu poderia ficam com ela no colo o dia inteiro (fácil falar, mas depois de duas horas com o bebê nos braços, a história é bem diferente).

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A pequena chegou dormindo, e logo a coloquei em seu berço. Fiquei olhando para ela por alguns minutos, completamente encantada, exausta (porque não havia dormido quase nada na noite anterior), receosa – até que percebi que não poderia passar o dia inteiro ali. E como havia me planejado para ter o almoço pronto, era hora de me sentar na mesa e comer calmamente.

Vocês acham que eu consegui? Por incrível que pareça, sim! Porque Catarina dormiu duas horas seguidas durante a tarde – a primeira e (praticamente) ÚNICA vez em seu primeiro ano de vida! Lembro-me do seguinte pensamento naquela hora: “mas é disso que essa mulherada tanto reclama quando o bebê nasce? É esse o trabalho imenso a que as pessoas se referem?”. Pois é – se você estiver grávida, fica a dica: não pense isso de forma alguma, porque quem cospe para cima… Está pedindo para ter um bebê que nunca dorme!

Então veio o choro. E, naquela hora, foi como se meu cérebro e meu coração se desentendessem – um queria comandar tudo da maneira mais racional possível, na base da tentativa e erro, até acertar o que Catarina estava tentando pedir. E o outro gritava dentro de mim: “não deixe essa menina chorar, não deixe essa menina chorar! Faça qualquer coisa, mas acalme-a agora!”. Nem preciso dizer que esses dois lados demoraram muito tempo para se entenderem novamente…

A partir daí foi uma sucessão de tarefas: amamentar, chorar porque o peito estava doendo, trocar a fralda (acho que levei uns vinte minutos durante os primeiros dias), descobrir que a fralda vazou (de cocô, é claro!), dar banho, limpar o umbigo, colocar outra fralda, amamentar de novo, ouvir um chorinho indecifrável, tentar colocar Catarina para dormir. E encarar a verdade: que a partir daquele dia, não haveria enfermeira para me ajudar durante a madrugada, nem para me dizer que minha filha estava provavelmente com fome, com frio, ou com sono. Eu teria que descobrir tudo (quase) sozinha.

Já se passaram alguns anos desde então, mas fecho os olhos e consigo ter as mesmas sensações, os mesmos sentimentos. A parte boa é saber que tudo deu certo, por mais perdida que eu tenha ficado, por mais difícil que tenha sido. E a parte extraordinária é saber que ter um filho é a melhor coisa dessa vida!