Muitas leitoras que estão chegando ao Mil Dicas de Mãe me escrevem dizendo que não sabem se estão realmente grávidas, com um pouco de sangramento, ou se estão menstruadas. Como pessoalmente eu vivi essa dúvida e sei o quanto ela é angustiante, resolvi escrever esse post para ajudar a esclarecer o assunto. A seguir eu conto um pouco da minha história, e falo sobre o que você deve levar em consideração para diferenciar uma gestação de uma menstruação.

Minha história

Como já comentei aqui no blog, eu tive muita dificuldade para engravidar de Catarina. No dia em que eu descobri que estava grávida, fazendo um teste de farmácia (por insistência de meu marido, ao ver o resultado dos meus exames hormonais), eu apresentava sangramento, e tinha certeza de que se tratava de uma menstruação. Eu nunca saberei se aquela perda de sangue era apenas a implantação do embrião no útero (que é o processo de nidação, sobre o qual eu falarei logo mais), ou uma ameaça de aborto (mais provável no meu caso, pois eu tinha uma deficiência na produção de hormônios pelos ovários – e provavelmente não conseguiria manter a gravidez). Como meu médico entrou com a medicação para manter a gestação naquele exato momento, tudo acabou dando certo e hoje sou mãe de uma linda menininha de quatro anos.

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Mais informações, do ponto de vista científico

É possível menstruar durante a gravidez?

A resposta é não. Isso porque a menstruação consiste na descamação de uma parte da parede uterina, que “cresceu” na primeira metade do ciclo menstrual para receber um óvulo fecundado, iniciando a gravidez. Quando não há a união do óvulo com o espermatozoide, o organismo percebe que não existe motivo para manter essa camada espessada dentro do útero, que está rica em vasos sanguíneos. As células da superfície param de receber oxigênio e descamam, caracterizando o que nós chamamos de menstruação.

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Crescimento e descamação do endométrio ao longo dos dias do ciclo

Se durante a gravidez uma mulher menstruasse, ela perderia a parte mais superficial dessa camada uterina chamada endométrio, que é exatamente o local onde o óvulo fecundado se implanta para dar origem a uma nova vida. Assim, haveria a perda do futuro bebê (ou seja, um abortamento).

Mas por que tantas mulheres dizem que menstruavam nos primeiros meses de gravidez?

Isso acontece porque há uma confusão entre alguns tipos de sangramento que acontecem na gravidez e a menstruação propriamente dita. Na verdade, essas mulheres não estavam menstruadas durante a gestação, e sim apresentaram perda de sangue, que foi confundida com o fluxo menstrual.

Como saber se é um sangramento durante uma gestação em curso ou uma menstruação?

Existem alguns fatores que você pode levar em consideração para diferenciar uma coisa da outra. Mas a verdade é que essa diferenciação nem sempre é fácil. Na dúvida, a melhor decisão é fazer um teste de gravidez, que poderá dizer se você está grávida (ou, pelo menos, se você engravidou – mesmo que a gestação não tenha progredido).

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Para identificar mais facilmente se você está menstruada ou não, compare o tipo de sangramento que você está tendo com sua menstruação. Ele dura o mesmo número de dias do que o habitual? Está acontecendo nos dias em que a menstruação estava programada (se você tem o ciclo regular, saberá a resposta; já em mulheres com ciclos irregulares, pode ser mais difícil identificar se o sangramento está ocorrendo nos dias esperados)? O aspecto do sangue está parecido com o dos meses anteriores (cor, volume, presença ou não de cólica)? Se você perceber que o sangramento está diferente do que é o seu padrão, vale a pena investigar uma possível gravidez.

Que outros sintomas podem confundir uma menstruação e uma gravidez?

Os primeiros sintomas de uma gravidez podem ser muito parecidos com a chegada da menstruação – peitos doloridos, inchaço (acúmulo de líquido), variações no humor, cólicas. Eu mesma fiz uma confusão inicial, e só percebi a diferença passados alguns dias do início da gestação (nesse post aqui eu detalhei essas sensações, vale a leitura).

Que tipos de sangramento ocorrem no começo da gravidez?

Pequenos sangramento acontecem em cerca de 20 a 30% das mulheres em início de gestação. Embora boa parte deles não ofereça riscos ao bebê, é importante conhecer algumas causas de perda de sangue nas primeiras semanas de gravidez, e, na dúvida, procurar um médico:

1) Implantação do ovo no útero (nidação). Quando o óvulo é fecundado pelo espermatozoide (o que ocorre em uma das Trompas de Falópio), forma-se o ovo, que migra até o útero para se fixar ao endométrio (parede uterina). A partir daí inicia-se a produção do hormônio HCG e a formação da placenta. Nesse momento, que em geral acontece por volta do sexto dia após a fecundação (eventualmente pode levar um pouco mais de tempo), pode acontecer um discreto sangramento (a cor é variável – desde marrom escuro, semelhante à borra de café, até vermelho mais forte ou clarinho), que dura cerca de um a três dias e que pode vir acompanhado de cólica. Considerando-se que a nidação pode ocorrer até duas semanas após o início do período fértil da mulher, ela pode coincidir com o momento em que haveria a menstruação, e ser confundida com ela.

2) Relação sexual. Como na gestação o fluxo sanguíneo está aumentado na região do útero, é possível haver um discreto sangramento após o ato sexual – sem que isso prejudique o bebê. Assim como na nidação, a quantidade de sangue é pequena, diferentemente do que acontece em uma menstruação.

3) Infecções na vagina ou colo do útero. Essas podem ser identificadas apenas pelo médico. A partir do momento que você confirma a gestação, seu ginecologista deve ser avisado de qualquer sangramento, para avaliar seu há ou não risco de abortamento.

4) Variações hormonais. Nem sempre o organismo da gestante está produzindo os hormônios necessários para a manutenção da gravidez nos níveis ideais. Pequenas variações podem causar discretos sangramentos; mas se o problema persistir, pode haver risco de perda do bebê. A avaliação médica é imprescindível para determinar a conduta a ser tomada, que pode ser simplesmente observação da gestante ou medicação específica.

5) Gravidez ectópica. É aquela que ocorre fora do útero – em geral nas tubas ou Trompas de Falópio (95% dos casos) ou na cavidade abdominal ou colo do útero (veja mais informações aqui). Em quase 100% dos casos não há como prosseguir com esse tipo de gestação, que acaba por ser interrompida.

6) Descolamento do saco gestacional. Pode requerer repouso da gestante, para que o saco se fixe normalmente e a gestação progrida sem problemas.

7) Ameaça/confirmação de abortamento. Em geral a quantidade de sangue é bem maior do que nos casos anteriores, em cor viva e com presença de cólica.

Leia também:

– Primeira semana de gravidez: o corpo se prepara para a gestação

– Segunda semana de gravidez: o momento da fecundação

– Terceira semana de gravidez: o processo de fertilização

– Quarta semana de gravidez: a descoberta!