Hoje tem a coluna da nossa especialista em sono infantil, Michele Melão, que conversará conosco sobre os mitos que rondam o sono dos bebês. Será que dar alimentos sólidos aos 4 meses fará com que o bebê durma a noite toda? Cansando bastante o filhote durante o dia fará com que ele durma melhor à noite? Essa e outras respostas você encontrará a seguir (eu já li muitas coisas sobre o sono e garanto: há informações ali que são completamente novas para mim! Vale a leitura!).

Por Michele Melão

O sono infantil é certamente um dos assuntos mais desafiantes da maternidade. Difícil encontrar famílias onde não apareceram dúvidas, questionamentos e discussões sobre o que é normal ou preocupante quando os bebês dormem demais ou muito pouco, quando falam dormindo, se mexem bastante, choram, roncam… a lista é praticamente interminável.

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No post de hoje, listaremos alguns dos principais mitos sobre o sono dos bebês. Assunto importante para acalmar e ajudar mães e bebês a terem noites de sono mais tranquilas.

 

Se eu der alimentos sólidos para meu bebê aos 4 meses, ele dormirá melhor

Muitos pais acreditam que se “encherem” a barriga do bebê, ele irá dormir melhor porque não acordará com fome no meio da noite. Entretanto, aos 4 meses, o intestino do bebê ainda não está preparado para receber alimentos e, além da alteração nas fezes (ele provavelmente fará cocô durante a noite), o bebê pode sentir dores intestinais devido à imaturidade do sistema digestivo e aparecimento de gases. Aos 4 meses de vida os bebês geralmente passam por mudanças nos padrões de sono pois passam a diferenciar o dia da noite. A introdução da alimentação precocemente pode prejudicar esta adaptação aos novos padrões e consequentemente resultar em dificuldades e problemas de sono por vários meses.

 

Meu bebê luta contra o sono e não gosta de dormir

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Este mito é um pouco polêmico. Tenho certeza que muitas mães que passam por dificuldades na hora do sono dos bebês estão pensando que isso está bem longe de ser um mito.

Na verdade o ideal seria mudar esta frase para: meu filho não sabe dormir. Fica extremamente cansado, irritado e não sabe o que fazer com tanto sono.

Dormir é um aprendizado. Não há bebê que saiba andar ao nascer, e assim é com o sono. Promover bons hábitos de sono para o bebê desde cedo é primordial para que o bebê aprenda a dormir e consequentemente saiba o que fazer ao final de cada ciclo de sono que termina durante a madrugada. Todos os bebês são capazes de chegar ao sono sozinhos e é extremamente importante que os pais não “durmam pelos seus filhos”. Balançar ou deixar o bebê dormir no peito são apenas alguns exemplos de atitudes onde os pais dormem pelos filhos – eles certamente precisarão da mesma atitude para voltar ao sono durante a madrugada. Alguns de hora em hora, tirando o sossego da família toda. Lembramos aqui que, mesmo que haja algum protesto nos primeiros dias da promoção de hábitos saudáveis de sono e adaptação de rotina, o dormir pode e deve ser uma atividade causadora de bem estar interior para o bebê. Após a descoberta da capacidade de dormir sozinho, os bebês encontram grande prazer nesta hora.

 

Vou cansar bastante meu bebê para que ele durma bem de noite

Quem nunca passou a noite fora, um jantar ou um bar com música alta e quando chegou em casa, deitou na cama e o sono desapareceu? Isso é muito comum já que nosso corpo é uma “máquina” sábia e funciona de acordo com nossas necessidades.

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Ao final de cada dia, geralmente a partir das 19h00, a adrenalina no corpo do bebê tende a baixar dando espaço para o hormônio do sono. Quando o bebê continua sendo estimulado, o corpo começa a fabricar hormônios que vão lutar contra este cansaço para atender à necessidade do bebê de ficar acordado. O sono pode passar, mas o cansaço e a irritação darão lugar à ele, prejudicando o tempo que a criança vai levar para conseguir dormir e principalmente a qualidade deste tempo. Dormir pode virar uma “guerra” de hormônios.

 

Vou tirar a soneca da tarde para meu filho dormir melhor

As crianças só podem eliminar de vez o sono diurno a partir dos 3-4 anos. Existem as transições de 3 para 2 sonecas ao dia geralmente a partir do 4º mês e depois para 1 soneca (normalmente no meio do dia) a partir dos 18 meses, mas por bastante tempo, todas as crianças precisam dormir pelo menos um pouco durante o dia para dar mais qualidade ao sono noturno. A partir dos 3 anos, o tempo deste sono vai diminuindo até que os pais percebam que ele não é mais necessário ou mesmo a criança passa a não dormir naturalmente. Forçar a criança a ficar acordada, ou estimular demais apenas para deixar mais cansada, pode fazer com que o bebê acorde mais vezes durante a noite e que a hora de dormir vire uma “guerra”. É importante os pais identificarem a época certa destas transições e adaptarem a rotina dos bebês para manter a qualidade do sono diurno.

 

Os bebês só aprendem a dormir após 1 ano

Ainda bem que isso é um mito! Muitas mães me procuram com dúvidas sobre “quando meu filho vai dormir a noite toda”. Na verdade não há uma regra sobre o tempo, mas há sim algo que funciona para quase todas as famílias: estabeleça uma rotina estruturada e crie um ritual de sono. Não esqueça de criar algo que seja possível para sua família (para todas as pessoas da família). Assim se a mamãe não puder colocar o bebê para dormir, o pai ou os avós podem fazer isso seguindo a mesma regra. A ideia aqui é dar segurança aos bebês e fazer com que a hora de sono seja prazerosa e que o bebê tenha um sono restaurador, de qualidade.

 

É sempre pertinente lembrar que o amadurecimento dos padrões de sono acontece nos primeiros meses de vida do bebê (a partir do terceiro mês). Quando deixam de ser recém-nascidos, os bebês se tornam sensíveis ao claro(dia)/escuro(noite) e passam a organizar o seu ritmo interno de sono e vigília. O ritmo da casa, a organização da rotina e a promoção de hábitos de sono saudáveis neste período pode consolidar todo o padrão de sono do bebê.

Um sono de qualidade traz consigo consequências maravilhosas para a vida do bebê. Ajuda no crescimento, desenvolvimento físico e psicológico além de ser primordial para as funções imunológicas da criança.

michele