“Era uma vez o Pedrinho, que estava passando dias ótimos: corria pela casa, comia bem, ia à escola e brincava com os irmãos. No fim de semana, ele foi à festa de um amigo e adivinhem quem ele encontrou lá? A Mariazinha, com quem ele adora brincar! Passaram horas juntos, brincando de esconde-esconde, comendo salgadinhos, correndo de um lado para o outro. Até que a Maria cansou; afinal, não estava muito bem naquele dia. Nada muito grave: apenas uma tosse e uma febre de 38 graus. Coisa de criança, toda mãe sabe, claro!

Imagem: 123RF

Será que vocês conseguem imaginar o que aconteceu com Pedrinho dois dias depois da festa? Ah, ele estava com febre também! Ah, e com tosse, uma baita tosse! Mas o pior não foi isso – é que o irmão caçula de Pedro, de apenas 5 meses de idade, também pegou a virose e teve que ir ao pronto-socorro. Coitada da mãe do Pedro, que passou dez dias sem dormir, sem comer, teve que remarcar todos os seus compromissos profissionais e até agora está se virando nos 30 para dar conta do caos que se instalou em sua casa!”

Essa história é familiar a você? Pois saiba que não está sozinha! Estou cansada de presenciá-la e gostaria de manifestar minha opinião a respeito, mesmo correndo o risco de ser chamada de chata ou exagerada. Crianças pequenas ficam doentes com frequência? Ficam, claro! Dá para evitar que elas peguem viroses de todos os tipos? Não, infelizmente. Mas isso não significa que você precise expô-la a alguém que esteja doente, concorda? E se não gostaria de expor seu filho sem necessidade, consegue imaginar que outras mães também desejem o mesmo, certo?

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Puxa, mas infelizmente não é assim que as pessoas agem quando são seus filhos as crianças que estão doentes. E, olha, não estou falando das mães que precisam trabalhar, que não têm pais ou sogros para ajudar quando os pequenos adoecem e não podem ir à escola e que, se faltarem por alguns dias, correm o risco de perder o emprego. Nesses casos eu choro junto com a mãe, sinto por ela (exatamente o mesmo sentimento que a  Shirley, do Macetes de Mãe, contou nesse post super bacana – sobre um momento que presenciou na porta da escola do Léo, seu filho), mas continuo apoiando a posição da escola de não aceitar a criança. Estou falando da festa, do fim de semana, momentos em que qualquer pai ou mãe poderiam ficar em casa com o filho doente, mas preferem levá-lo a um local onde estarão outras crianças. Pois é…

Outro dia, conversando com a mãe do “Pedrinho”, ela me perguntou: “será que nos dias de hoje ainda existem pais que não sabem que viroses são contagiosas?”. Sendo bastante sincera: eu acho que não. Acho que as pessoas sabem que os micro-organismos de fato existem e não são histórias da carochinha. Mas já ouvi muita mãe que diz: “são doenças bobas, em poucos dias eles saram. Eu não me importo que meus filhos entrem em contato com outras crianças doentes e não entendo por que as outras mães não pensam da mesma forma”. E é aí que eu preciso dizer: porque cada criança é uma criança! Porque o que é uma gripe para uma, pode desencadear uma crise de asma na outra; porque uma simples virose pode levar um bebê de alguns meses à hospitalização (lembra que o Pedrinho voltou para casa e passou para o irmão, não é?), apenas para dar alguns exemplos. Então, antes de mais nada, é preciso pensar na família do outro e percebê-la como diferente da sua.

Na dúvida, eu sigo o mantra do meu pediatra: a criança está com febre (ou teve vários episódios de febre, o último menos de 24 hora antes do evento)? Não leve! A febre indica que pode haver um processo infeccioso ativo (traduzindo: essa é justamente a fase em que seu filho contagiará os coleguinhas). Há quem diga que isso é colocar o filho em redoma de vidro. Eu chamo de respeito – a ele (que merece descansar para se recuperar mais rápido) e às outras crianças.