Hoje, enquanto colocava Catarina para dormir, eu chorei, o que, cá entre nós, não é grande novidade. Desde pequena eu recebo o rótulo de chorona: choro quando estou triste, quando estou feliz, quando estou frustrada, quando estou com raiva. Para mim as lágrimas são a forma de transbordamento das emoções: quando não cabe mais sentimento lá dentro, começa a sair água para todos os lados.

Imagem: 123RF

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Mas voltando à pequena Catarina, hoje não chorei porque estava cansada, ou porque havia me irritado com ela (o que ocasionalmente acontece, por favor não me entenda mal; aliás, se você tem um filho que já passou pelos dois anos, é possível que você me compreenda muito bem). Simplesmente chorei porque as horas que passamos juntas nessa tarde foram preciosas, e eu não queria que esse dia acabasse mais. Você pode achar que eu sou meio estranha, mas quando estou junto com a pequena em uma tarde ensolarada, ou ao ver sua gargalhada, ou uma nova descoberta, tenho vontade de que um fotógrafo estivesse registando tudo, bem escondidinho, para que não percebêssemos. E um belo dia, eu descobriria que tenho todos esses momentos filmados, para poder ver e rever quantas vezes quisesse.

A verdade é que nem eu, nem ninguém tem um serviço desse (ei, pessoal do céu, como vocês não pensaram nisso? Ou será que pensaram e só liberam a filmagem na hora em que já estamos indo dessa para uma melhor? – já que muita gente que chegou perto do último momento e voltou, conta ter visto sua vida passar em um piscar de olhos). E por isso eu me sinto tentando capturar um tiquinho de cada dia feliz que termina, como se eu pudesse guardá-lo para sempre.

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Nós passamos alguns dias fora de São Paulo na semana passada, e quando retornamos Catarina já alcançava melhor a pia, do alto de seu banquinho. Seu vocabulário já abrangia novas palavras. E até em seu olhar ela havia deixado um pouco do bebê que ainda é para trás, para dar lugar a uma linda menininha. Pensando alto, falei para ela: “filha, quer entrar de novo na barriga da mamãe?”. E a resposta: “quero sim, mamãe; mas como é que entra?”. Melhor deixar para terminar esse papo outro dia!

Filha, talvez em cinco, dez, vinte anos, você leia essas palavras. Então eu quero que você saiba uma coisa: que mesmo chorando, hoje sua mãe está feliz. Eu posso não ter como guardar um pedaço desse dia que vivemos juntas, mas me sinto vitoriosa sobre o tempo. Porque eu sei que o amor que sentimos uma pela outra ecoará para sempre.