Antes de ser mãe eu tinha uma vaga ideia da importância do sono para um ser humano. Lógico que eu sabia que noites mal dormidas tinham um preço a ser pago; que depois de dias sem dormir bem a pessoa ficava irritada, nervosa e com a capacidade de resolver problemas diminuída. Mas eu ainda era um jovem na casa dos 20, época em que você se acha uma super mulher por conseguir dormir 3 horas numa noite e estar com a cara boa no dia seguinte (cá entre nós, mulher maravilha você descobre que é depois da maternidade, em que você passa não uma, mas MUITAS noites dormindo somente 3 horas e mais umas 20 horas por dia cuidando e amamentando um recém-nascido).

sono do bebe

 

Depois que Catarina nasceu, eu comecei a valorizar muito mais o sono. E não só o meu, mas principalmente o dela (até porque quanto melhor ela dormia, melhor eu comia, descansava, tinha tempo para resolver os problemas da casa, trabalhava e, finalmente, dormia). Filha com sono em dia = mãe feliz; filha com problemas de sono = criança chorona, teimosa, que não coopera, impaciente = mãe pedindo pelo amor de Deus para essa fase passar logo.

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E falando em sono, algumas das fases de maior conflito aqui em casa foram as de transições de soneca. Quanto mais o tempo passa, menor o número de vezes que seu filho dorme, até que, por volta de 3-4 anos provavelmente ele deixará de dormir durante o dia (para algumas crianças até antes disso). Quando Catarina tinha 8 meses, abandonou a soneca do fim da tarde (que era por volta das 17h), e ficou apenas com uma de manhã e outra à tarde. Lembro-me que foi uma época caótica (que muita gente atribui ao início da ansiedade de separação; cá entre nós, não sei até que ponto eu concordo com isso – acho que há MUITA influência da transição de soneca, que para muitos bebês acontece nessa época), em que minha filha acordava durante a madrugada e ficava uma, duas horas sem dormir, por maiores que fossem meus esforços. E assim como a fase veio do nada, acabou do nada. Passamos depois disso meses relativamente calmos, em que a soneca da manhã e a da tarde eram bem reguladas, até que por volta de 1 ano e 5 meses Catarina começou a demonstrar que estava em nova fase de transição. A soneca da manhã acontecia cada vez mais tarde, o que atrasava a soneca da tarde. Depois de alguns dias, era praticamente impossível fazê-la dormir num horário decente à tarde (ela chorava, protestava, não queria pegar no sono de forma alguma; mas era só bater 18h que a danada queria dormir, aí era eu quem não queria deixar). Resultado: briga o dia inteiro, criança cansada, mãe mais cansada ainda. Deixar que ela dormisse no fim da tarde fazia com que ela só quisesse dormir definitivamente às 23h (o que para mim estava fora de cogitação); não deixar significava que ela dormiria por volta de 20h, cansadíssima a ponto de acordar a noite inteira (2, 3 vezes). Ninguém merece!

A solução veio por acaso, num dia em que saí de carro com Catarina por volta das 16h. Sentadinha na cadeira, com o barulho do ar condicionado ligado, ela não resistiu ao soninho (se estivesse em casa, não dormiria nesse horário nem com reza brava!) e dormiu durante o trajeto, cerca de 30 minutos. Acordou feliz, foi dormir por volta de 21h e DORMIU A NOITE TODA (como tinha acontecido raríssimas vezes desde que havia nascido). A mamãe aqui, que quase chorou de alegria com o resultado, no dia seguinte resolveu reproduzir o esquema: saí de carro com a pequena no mesmo horário e PIMBA! Ela dormiu um pouquinho e tudo aconteceu como no dia anterior, até a NOITE INTEIRA DE SONO. E assim eu fiz, por uns 15 dias (eu sei, vocês que estão lendo esse post devem estar me achando louca), e foi quando finalmente Catarina começou a dormir quase todas as noites (e nos dias em que não saí de carro, a noite foi infernal). Depois naturalmente a soneca da manhã se transformou em soneca depois do almoço, e percebi que a transição já tinha ocorrido.

Portanto, fica a dica: em épocas de transição de soneca, saia de carro (rsrsrs). Seu filho pegará no sono mais facilmente do que em casa (se ele for do tipo que dorme em carro), e conseguirá chegar ao fim do dia sem chegar ao ponto de exaustão. O pequeno agradece, mamãe mais ainda!