
Bebê demonstrando estar irritada e cansada. Foto: Freepik
O estresse infantil, muitas vezes, é posto de lado como uma “bobagem”. Isso porque, infelizmente, muitas pessoas ainda acreditam no mito que garante que crianças não têm preocupações e não sofrem pressões psicológicas. Grande engano.
A diferença é que as pressões e os desconfortos que uma criança sente são diferentes dos que os adultos podem ter no dia a dia. Isto é, um mundo inteiro para ser conhecido pode ser uma fonte estressora para os pequenos, embora para nós pareça banal.
Afinal, uma coisa é certa: não existe régua ou grandeza para sofrimento. Por isso, jamais diga que uma criança “não tem pelo quê sofrer”, porque a saúde mental não funciona assim. Cada um tem suas dores. Ponto.
E com os pequenos é a mesma coisa. Por isso, antes de torcer o nariz para o “estresse infantil”, devemos entender o que isso quer dizer e como lidar com essa situação. A seguir, portanto, comentamos fatores importantes sobre esse assunto. Vamos lá?
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O estresse infantil pode ser visto como semelhante ao estresse na vida adulta. Ou seja, trata-se de uma condição psicológica que pode ser proveniente de uma série de fatores que causam irritabilidade, insegurança, medo, raiva, etc.
A criança, assim como muitas vezes os seus pais, sente-se sobrecarregada emocionalmente, embora não saiba demonstrar isso com palavras. Assim, ao invés de dizer “estou estressado”, como um adulto poderia dizer, a criança chora, briga, esperneia, tem comportamentos mal adaptativos, etc.
Os sintomas podem ser variáveis. Essa variação, inclusive, pode estar atrelada ao nível do estresse infantil. Abaixo listamos alguns dos sinais do problema:
Vale ressaltar que os pais devem estar atentos a outros sinais físicos, como dores “estranhas”; e psicológicos, que sejam atípicos e que surgem “do nada”, ou diante de situações potencialmente estressoras.
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As causas do estresse infantil também são multifatoriais. Cada caso sempre será um caso.
De qualquer modo, alguns gatilhos emocionais específicos podem se apresentar de maneira recorrente em diversas circunstâncias. Veja alguns deles:
Esteja atento ao bem-estar do pequeno. Se o estresse infantil está aparecendo, tente entender qual é a força motriz, ou as forças, por trás dessa condição. Às vezes, cortar o gatilho emocional negativo já é de grande valia para restabelecer o equilíbrio emocional.
Mas, aqui vale um adendo: não basta apenas cortar o gatilho emocional, é preciso ajudar o seu filho a entender o que ele sente e como ele pode lidar com isso.
O primeiro passo é não competir o nervosismo com ela. Parece bobo falarmos assim, mas acontece que muitos adultos se estressam o dobro diante de uma criança com estresse infantil, e esse tipo de comportamento pode apenas piorar a situação.
Sendo assim, respire fundo antes de tomar uma atitude e nunca tente “calar” a criança xingando-a ou colocando-a de castigo. Mas sim, tente ser o porto seguro dela nesse momento difícil.
Abaixo, portanto, apresentamos mais dicas que partem desse pressuposto.
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Uma coisa é certa: quando pensamos em saúde mental infantil ou adulta, não podemos reduzi-la a uma receita de bolo. Isto é, embora existam medidas que possam ajudar, não espere um passo a passo milagroso.
Acima de tudo é preciso ter paciência, saber escutar a criança e ajudá-la a expressar suas emoções de forma mais adaptativa. Assim ela conseguirá criar, aos poucos, um controle maior sobre si mesma. E esse controle positivo será carregado no coração dela por toda a vida.
Sendo assim, respire fundo e pense em formas de ajudar o seu filho de maneira carinhosa e não violenta. Assim, um grande caminho já estará trilhado.
Esclarecido isso, vamos agora às nossas dicas de como lidar com o estresse infantil:
Muitas vezes, a falta de hábitos saudáveis pode estar causando um desequilíbrio na saúde do pequeno. E isso vale tanto para questões físicas, quanto mentais.
A nível de exemplo, a ausência de exercícios físicos e o sedentarismo podem causar uma série de questões de saúde mental, incluindo o estresse infantil. Sendo assim, foque em levar o seu filho para se divertir ao ar livre, mexendo o corpo e se exercitando dessa forma.
Além disso, lembre-se de que os hábitos saudáveis incluem:
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A nossa respiração pode ser um potente ajudante na hora de lidar com as adversidades da vida, e isso inclui o estresse infantil.
Ajude o seu filho a respirar profundamente, ao menos durante alguns minutos. Isso fará com que ele foque na respiração e deixe os “problemas” um pouco de lado; ajudará o cérebro a entender que ele está em um espaço protegido; melhorará o ritmo cardíaco; promoverá uma sensação de bem-estar e, consequentemente, poderá diminuir o estresse.
Peça para que o seu filho converse com você sobre o que está o deixando irritado e sem paciência. Faça perguntas e tente manter um tom de voz tranquilo, para que ele se sinta mais seguro e consiga, do jeitinho dele, conversar sobre as sensações sentidas.
A psicoterapia infantil também pode ser uma aliada nesse processo. Assim, o estresse infantil e outras questões do pequeno poderão ser trabalhadas com a ajuda do profissional. Logo, a criança tem um espaço para dar mais atenção à saúde mental e pode, a partir disso, aprender a lidar melhor com as adversidades da vida.
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Se a criança está em uma crise de estresse infantil, não fique forçando a barra.
Vamos supor que o estresse está envolvido com o ato de subir uma escada muito alta. Enquanto a criança chora, adiantará empurrá-la escada acima? Não mesmo! Ela poderá, apenas, se sentir ainda mais exposta e estressada, além de ter a soma de negligência ao que ela sente.
Sendo assim, foque em acalmá-la e trazê-la para perto de você, antes de ajudá-la a atravessar o gatilho difícil.
Atividades tranquilas, como um banho relaxante, um passeio ou deitar no chão do quarto, olhando o teto com adesivos de estrelinhas e pensando em histórias, podem ser bem-vindas nesse momento.
Afinal, você quebra um elo do estresse infantil, já que leva a criança para “outra dimensão” e a ajuda a se distrair. Mais tarde, ela poderá reorganizar o que sente, estando mais calma.
Em hipótese alguma você deve solicitar que a criança disfarce a emoção dela, ainda mais se isso é feito de maneira punitiva.
Assim, ao invés de mandar ela engolir o choro, diga que a entende. Dê um abraço. Diga que está ao lado dela nesse momento difícil e que quer ajudá-la a se sentir melhor. Dessa forma ela se sentirá protegida e acolhida, e terá maiores chances de cessar o choro.
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