Eu tenho que começar esse post dizendo que eu jamais cogitei a ideia de cama compartilhada antes de Catarina nascer. Aliás, para mim fazia parte da maternidade perfeita ter um bebê que dormisse a noite toda em seu berço – afinal, eles não devem ser independentes desde cedo? (pelo menos é o que eu cansei de ouvir de mãe, avó, e algumas amigas). Só que Catarina foi crescendo, crescendo… E se no começo ela não se acostumava a dormir na minha cama (virava, virava e não dormia direito), hoje, se pudesse, já começaria a noite dormindo lá.

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Aí vocês me perguntam: mas você deixa? Acha bom que ela durma na cama dos pais? E a minha resposta é: depende (de cada família!). Todas as noites eu a levo para o seu berço e a faço adormecer lá (o que acho o fundamental, porque consigo ter um tempo a sós com meu marido e porque quero que ela entenda que tem seu próprio local para dormir). Agora, se ela vai ficar em seu quarto até o fim da noite, já é uma outra história! Ela já não é tão pequena assim – embora minha cama seja grande, sua presença não passa despercebida. Minha coluna (que fica em frangalhos no dia seguinte!) que o diga. Claro que é mais confortável quando ela não nos visita durante a noite. Certamente eu durmo melhor, até porque se ela ficou o tempo todo em seu quarto, eu possivelmente passei a noite sem acordar (uma das coisas mais restauradoras para uma mãe!). Mas e se ela acorda? Deixa chorar? Leva para a cama? Dá um olé (técnica que consiste em ir até o quarto do filho, dizer que você ainda não está dormindo, que vai preparar a cama para levá-lo para lá – enquanto ele deve esperar quietinho no berço; aí você enrola alguns minutos e quando volta ao quarto do filhote, ele está em sono profundo! Juro que resolve em alguns casos!)? Aí eu vou ser bastante sincera ao dizer: eu sinto o momento e ajo conforme esse sentimento.

Porque há noites (a maioria delas, aliás) em que tudo o que eu quero é voltar a dormir em menos de dez minutos. Descobri que somente por um curto espaço de tempo, durante o pós-parto, é possível ficar horas acordada na madrugada, no ritmo dorme-acorda-cuida do bebê-reza para que ele durma logo-deita a cabeça no travesseiro-acha que só se passaram cinco minutos até ouvir um chorinho novamente! Se alguma mãe por aí consegue permanecer nessa rotina louca por mais do que alguns meses, merece todo o meu respeito e admiração, porque decididamente eu não faço parte do grupo. Às 4 da manhã eu, atualmente, faço qualquer coisa para dormir logo em seguida – até levar Catarina para minha cama.

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Mas há noites um pouco diferentes… Noites em que eu finjo que não escutei seu chamado. Porque o cansaço é tamanho, que os olhos mal conseguem se abrir. E nesses momentos três coisas podem acontecer: 1) sua vontade de ir para minha cama não era tão grande assim (ou o sono era maior), e ela dorme novamente em seu berço; 2) o marido vai até o quarto dela, e a convence a dormir por lá (usa a tática secreta dos pais, guardada a sete chaves desde os primórdios e um grande enigma que as mulheres ainda não conseguiram decifrar); 3) o marido vai até lá, mas percebe que a técnica não vai funcionar, e aí eu sou a primeira a dizer para apelarmos à cama compartilhada, para dormirmos os três, com as bençãos do céu!

Talvez se minha escolha tivesse sido por deixá-la chorar e persistido no método até que ele desse certo, ainda quando era um bebê, (como comentei nesse post, eu cheguei a iniciar o “treinamento”, mas desisti após alguns dias, porque me senti tão mal eu ouvir seu choro por horas que não pude continuar), Catarina não acordasse até hoje (2 anos e 10 meses) durante a madrugada com o clássico gritinho: “mãe!”. Mas nesse caso eu estaria agindo contra minha natureza, a de ampará-la quando ela não tinha outra forma de se comunicar além de chorar (e cá entre nós, não existe nada pior do que se obrigar a fazer algo que vai contra seu coração). Não, não acontece todas as noites. Há semanas em que ela simplesmente não acorda. Mas basta que sua rotina saia do esquema (o que frequentemente ocorre aos fins de semana, quando a hora de dormir é flexibilizada para que ela nos acompanhe em alguns passeios), para as acordadas noturnas retornarem, por pelo menos dois ou três dias, até que seu ritmo de sono seja restabelecido.

Agora, em fase de adaptação escolar, as noites ficaram mais turbulentas. E não só pelo fato de estar acontecendo uma mudança psicológica intensa em Catarina, mas também porque em função de ir para a escola à tarde, a soneca diurna foi definitivamente extinta (o que, claro, mexeu também com o sono noturno). Com isso, a cama compartilhada voltou a ser uma realidade aqui em casa. E assim seguimos, algumas noites com a cama mais espaçosa, outras com menos espaço. Mas felizes, porque esse é o modelo que trouxe equilíbrio à nossa família.

E aí na sua casa, como as coisas funcionam na hora de dormir?

 

 

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