Eu sei que escrevendo esse post eu corro um grande risco: o de ser chamada de machista, de atrasada, de boba até. Mas sabem quando você vê as coisas ao seu redor acontecerem, e acha que precisa dar sua opinião, por mais que ela possa não ser entendida por todos? Pois tenho pensado muito sobre a maneira como as meninas têm crescido, como são tratadas na infância, e como têm chegado à adolescência. E posso dizer que estou muito preocupada com o futuro da minha filha.

Imagem: 123RF

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O que eu tenho visto, infelizmente, são meninas que chegam cada vez mais precocemente à puberdade. Que se envolvem com “questões” do mundo dos adultos muito cedo. Elas perdem uma parte considerável de sua infância, perdem a oportunidade de brincar de bonecas até seus 12 ou 13 anos, como nós, mães, brincamos quando éramos pequenas. Com essa idade, atualmente, garotas se preocupam quase que exclusivamente com os garotos. Até aí, tudo bem, se apenas exercitassem suas paixões platônicas, se vivenciassem esses “amores” como nós fazíamos, em nossas cabeças. Mas me preocupa saber que muitas acabam iniciando sua vida sexual sem terem conhecimento do seu corpo, sem terem maturidade psicológica para lidar com a questão.

Quando uma menina vai atrás de um menino e diz que ele precisa provar sua masculinidade tendo uma relação com ela, isso é um sinal de alerta. E não adianta tapar o sol com a peneira, não, isso está acontecendo! Para mim, isso mostra que não estamos conversando como deveríamos com nossas filhas. Não estamos explicando a elas que é preciso cuidar do próprio corpo, que é preciso levar o sexo muito a sério, porque ele produzirá efeitos em seu físico e em sua cabeça.

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Desculpem, eu sou das antigas. Que quando fala de uma relação sexual, também está falando de amor, de sentimento, de envolvimento. E quando vejo que hoje o sexo é encarado mais como um jogo entre adolescentes do que qualquer outra coisa, isso me parte o coração. Porque tentarei passar outro conceito para minha filha, mas sei também que a pressão de um grupo é algo muito forte na adolescência.

Não estou dizendo que apenas as mães de meninas precisem fazer sua lição de casa. Claro que cabe às dos meninos ensinar aos filhos que é preciso respeitar essas garotas, mostrando que seus direitos são iguais. Que meninas não são “fáceis”, “piranhas”, etc, enquanto meninos são “garanhões”. Que eles, os meninos, também precisam encarar o sexo como um processo de desenvolvimento pessoal, que nada tem a ver com as regras que a “turminha” coloca como sendo bacanas. Mas, infelizmente, se não falarmos abertamente com nossas filhas sobre auto-respeito, são elas quem “pagarão o pato”, em uma sociedade machista como a nossa.