As últimas férias deixaram algumas marcas por aqui. Viajamos com a pequena por vários dias, convivemos intensamente, mudamos os horários da casa, brincamos de tudo o que vocês possam imaginar. Até que os dias de folga acabaram, e o que era doce, virou um “amarguinho” que insiste em não ir embora: sofremos uma regressão, daquelas que eu não poderia imaginar, tendo uma filha de cinco anos de idade.

Imagem: 123RF

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A volta às aulas foi complicada. Catarina fazia uma onda danada para se arrumar, para sair de casa, para entrar na escola (que ela frequenta desde os dois anos de idade, por sinal). “Mãe, entra comigo?”. Pedido normal para o primeiro dia, para o segundo, até que vi o processo se arrastar por semanas, sem sinal de melhora. E nessas horas, eu confesso que fico sem saber o que fazer. Porque vai me dando uma agonia, uma sensação de que voltamos à estaca zero, e eu acabo insistindo (muito) para que a pequena vá em frente. E quanto mais eu a ’empurro”, mais ela gruda na barra da minha saia. Até que eu sinto o peso da culpa, e uma grande incapacidade de lidar com o problema. Frusta, frusta, sim.

Mas, cá entre nós, as regressões não são novidade nesta casa. Descobri que ser mãe é também um teste de paciência, é dar dois passos para frente, e logo depois um para trás. Quando você acha que seu filho vai deslanchar e andar pela casa, ele leva um tombo e fica quase um mês sem ter coragem de se soltar do sofá. Quando você acha que, finalmente, começou a dormir a noite toda, ele volta a acordar três vezes na madrugada – e permanece assim por meses! Quando você acha que ele descobriu que dá para comer tomate sem torcer o nariz (afinal, você insistiu umas trinta vezes, até que ele provou e não cuspiu), começa a jogar os pedacinhos do alto do cadeirão. E então aquela sua pose de “viu, como ia dar certo?” vai por água abaixo,  e você volta a ser a “mãe-que-não-faz-nada-direito” (título que foi você mesma quem deu).

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Talvez a coisa mais frustrante em uma regressão é que você não espera por ela. Demorou tanto para que seu filho conseguisse conquistar um marco, que você acha que ele não voltará para o degrau anterior. Foi quase um ano lutando para largar a chupeta, até que num belo dia ele a jogou no lixo (mas na semana seguinte chorou sem parar, sentindo falta). Foram três anos tentando convencer o filhote a dormir na própria cama, até que ele se convenceu de que adorava seu quartinho (mas a primeira noite de frio o trouxe de volta).

Mãe sofre com a regressão do filho porque acha que nunca mais as coisas entrarão nos eixos. Mas assim como eles retrocedem do dia para noite, voltam a avançar. Aí você percebe que perdeu tempo se preocupando por nada. E sorri, porque um filho é uma deliciosa caixinha de surpresas!