Como fazer um parto humanizado? Saiba tudo sobre!

Afinal, ainda hoje muitas mulheres, quando pensam em parto humanizado, têm a imagem de um parto que acontece num ambiente íntimo, na água ou com alguns tipos de simbolismos.

Porém, não é somente isso. Na realidade, o parto humanizado não é sobre parir em casa ou no hospital, na banheira ou fora dela.

Bem como, o termo humanização não se refere à via de parto (vaginal ou cesárea), mas ao tipo de assistência que a mulher recebe. Onde as decisões são compartilhadas e as escolhas da mulher são ouvidas e respeitadas.

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O parto humanizado pode ter música, dança, massagem e exercícios de respiração. Ou pode não ter. Em um parto humanizado, quem decide os métodos para alívio da dor é a mulher.

Nele, não existe um roteiro, todos os recursos são escolhidos por ela e intervenções médicas só são realizadas em caso de necessidade. Em um parto humanizado, a mulher é a protagonista.

Quer entender melhor sobre esse assunto? Então confira no artigo de hoje!

O que é e como fazer um parto humanizado? Saiba tudo sobre!

Mulher grávida com as mãos fazendo um coração, na barriga. Crédito da foto: Freepik

O que é o parto humanizado?

Primeiramente, o parto humanizado não é um tipo de parto, mas uma forma de conduta segura e respeitosa da equipe médica. Ela é baseada em evidências científicas atuais e guiada por orientações da Organização Mundial de Saúde, a OMS.

Além disso, as práticas e os cuidados obstétricos são os mesmos aplicados nos países de primeiro mundo que seguem tais recomendações. Em decorrência disso, esses países apresentam os melhores indicadores e resultados perinatais.

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São pilares da humanização do nascimento:

  • o protagonismo do parto restituído à mulher;
  • uma visão integrativa e interdisciplinar do parto que, para além de um evento biológico considera os aspectos emocionais, sociais, culturais;
  • medicina baseada em evidências científicas.

Em suma, dar à luz com uma assistência humanizada significa ter à disposição o melhor amparo médico e tecnológico para garantir a segurança da mãe e do bebê, e só receber intervenções quando for realmente necessário.

Como o corpo feminino é naturalmente preparado para gestar e parir, a equipe de atendimento humanizado respeita a autonomia da mulher. Em um parto humanizado, ela é protagonista desse momento.

Por isso, o curso natural do trabalho de parto é respeitado, e a equipe só interfere se houver necessidade e com o consentimento da mulher.

Como é o parto humanizado?

Se você optou por fazer um parto humanizado, entenda como ele funciona!

Existem alguns profissionais adeptos a essa conduta, que atendem a mulher em todas as etapas da gestação até o parto. Ou seja, desde a gravidez.

É uma equipe multidisciplinar escolhida por ela. Ela pode ser formada por diversos profissionais, como: obstetras, enfermeiras obstétricas, obstetrizes, fisioterapeutas, acupunturistas, psicólogos, nutricionistas, professores de yoga, fotógrafos e doulas.

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Esses são alguns dos profissionais que podem compor essa equipe, conforme o desejo da mãe, para contribuir com seu bem-estar e empoderamento.

Consultas de pré-natal

Por sua vez, as consultas de pré-natal acompanham a saúde da mãe e do bebê, além de esclarecem dúvidas e tranquilizarem a gestante.

Da mesma forma, o profissional oferece informações baseadas em evidências científicas atuais que ajudam a mulher a compreender melhor o assunto e se fortalecer.

Pode ser um médico ou enfermeiro obstetra, que ajudará a mamãe a se sentir mais segura e confiante durante a gravidez, podendo participar ativamente de todas as escolhas durante a gravidez, o parto e o pós-parto.

Com uma equipe multidisciplinar, a mulher é examinada em casa por uma obstetriz ou enfermeira obstetra, quando o trabalho de parto se inicia. O ideal é que a ida para o hospital seja no momento em que o trabalho de parto entra na fase ativa.

Antes disso, caso não haja necessidade de monitorar melhor a evolução, o ideal é que a mulher permaneça em casa, em um ambiente tranquilo e onde se sente segura.

Em suma, essa recomendação é para o bem-estar da mulher e ajuda o trabalho de parto a fluir.

Dessa forma, uma internação precoce, principalmente quando o trabalho de parto ainda está numa fase inicial (chamada de latência) pode acabar gerando intervenções desnecessárias no trabalho de parto.

No hospital

Em síntese, já no hospital, o obstetra passa a acompanhar a mulher, monitorando os batimentos cardíacos do bebê e todo o andamento do processo.

Nesse momento, o trabalho do médico é certificar-se de que tudo está correndo bem e deixar a gestante livre.

Além disso, ela pode comer, andar, mudar de posição, caminhar, dançar, ouvir música e sentir as contrações embaixo do chuveiro.

Do mesmo modo, tem liberdade para utilizar os recursos que algumas maternidades disponibilizam, como banheira, bola de pilates, barras e banqueta.

Doulas podem auxiliar no alívio da dor oferecendo recursos não farmacológicos, como massagens e suporte emocional, além de cuidarem do ambiente para que ele se torne o mais relaxante possível, com luz baixa, óleos essenciais e música.

Porém, cada um desses itens só é usado se a mulher expressar vontade ou combinar com a equipe antes do parto.

parto humanizado

Ilustrações de mulheres fazendo parto humanizado. Crédito da foto: Freepik

Parto humanizado é parto normal?

A resposta é não! Até porque nem todo parto normal é humanizado. Como já te contamos, a humanização tem a ver com a assistência em si e não com a via de parto (normal ou cesárea).

Por isso, se você quer ter a segurança de poder buscar um parto normal ou o mais natural possível (isto é, sem intervenções caso esteja tudo bem), é importante se certificar do tipo de assistência que receberá da equipe e no local que escolher parir.

Violência obstétrica

No Brasil, uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto.

Essa violência é a violência obstétrica e pode se apresentar de diversas formas: através da limitação da movimentação da mulher durante o trabalho de parto, da realização de procedimentos desnecessários, da omissão de informações importantes, da execução de procedimentos sem o consentimento da mulher, do desrespeito às escolhas dela, dos maus tratos e abuso de poder.

É desse lugar que muitas vezes vêm os relatos assustadores sobre o parto normal e frases como “você é louca de querer parto normal” quando uma mulher deseja fazer essa jornada.

Por isso, é importante se preparar com informações e uma equipe que deixe você segura de que nenhuma decisão se tomará sem que você participe desse processo ativamente.

Todo médico que pratique esse tipo de violência deve ser prontamente denunciado. Afinal, cabe aos profissionais obstetras e enfermeiros terem amor, paciência, empatia e compreensão com as mães, pois esse é um momento crucial na saúde e integridade física e emocional dela e do bebê.

Existe cesariana humanizada?

A cesárea pode salvar vidas se bem indicada. Como é um procedimento cirúrgico não se considera como um parto humanizado.

Porém, se o parto com cesariana for necessário, ainda assim é possível ter mais humanização durante esse processo, já que a humanização se refere à assistência em si.

Sendo assim, o que é possível e deveria ocorrer idealmente é uma assistência respeitosa ao nascimento e à mulher durante a cesárea. Como é possível fazer isso?

Através de atitudes como: garantir acompanhante na sala; preservar o ambiente do parto evitando ruídos altos e conversas paralelas; permitir o contato do bebê com a mãe assim que ele nasce; permitir que a mãe acompanhe o nascimento (se ela desejar e for possível); possibilitar a entrada da doula também na cesárea; garantir a hora de ouro e a amamentação na primeira hora de vida do bebê.

O que é a hora de ouro?

A hora de ouro (Golden Hour no original) do bebê corresponde à primeira hora após o parto, um momento valioso para o primeiro contato, a saúde e o bem-estar da mãe e do bebê.

Além disso, é o momento mais adequado para o primeiro toque, o aconchego, o contato pele a pele e o estímulo à amamentação. Outro ponto super positivo desse momento é que o contato do bebê com a pele da mãe, próximo ao peito ou ao abdômen, promove diversos benefícios fisiológicos e emocionais.

Portanto, o parto humanizado está na garantia do protagonismo da mulher, numa indicação real de cesárea baseada em evidências científicas (e não realizada apenas por mais comodidade), bem como no olhar integrativo e respeitoso para o parto, independentemente da via.

Esperamos que esse artigo seja útil para você que deseja saber mais sobre o tema.

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