Que toda mãe cansa de ouvir conselhos, todo mundo sabe. O pior é quando aparece alguém que vê apenas uma parte da situação, fora de contexto, e julga a mulher e o modo como ela cria seus filhos. Isso sem ao menos acompanhar tudo o que ela está passando para entender aquele momento. Quem aí já passou por isso?

Pois recentemente uma situação desagradável dessas aconteceu com uma mamãe nos Estados Unidos, a Tracy Bennett, que compartilhou o ocorrido no Facebook. Como muitas outras mães se identificaram com a postagem, ela viralizou e teve um alcance incrível. O que aconteceu foi o seguinte: ela estava com os dois filhos, Elliot, de 2 anos, e Isaac, de 7 meses, na fila de uma grande loja de varejo americana. A fila estava grande e, como era de se esperar, chegou um momento em que as crianças começaram a se entediar e querer ir embora. Mas quem tem filho pequeno sabe: que criança pede, pacientemente, para ir embora de um lugar do qual não está gostando? Os filhos de Tracy estavam agitados, querendo ir para casa.

Para tentar agilizar o processo da passagem das compras, Tracy decidiu, na fila, fazer login no aplicativo da loja para cadastrar seu cartão. Agora imagina a seguinte situação: uma criança chamando a mãe sem parar, outra quase chorando e a mãe no celular. De longe, quem olha a cena fora de todo o contexto, pode até imaginar, em um primeiro momento, que aquela mãe está sendo uma “desnaturada” com os filhos. Porém, é preciso analisar a situação toda, não é mesmo? Mas um homem que estava na loja decidiu ficar com a primeira impressão, e deu um sermão em Tracy.

Veja só o desabafo que ela fez na internet. Se você já passou por algo semelhante, com certeza vai se identificar!

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Filhos de Tracy na loka

Imagem: Breastfeeding Mama Talk

O desabafo

Para o homem que me viu no celular enquanto meus filhos estavam agitados e sentiu a obrigação de dizer: ‘Vê esses bebês? Estão agitados assim porque querem a sua atenção. Talvez você devesse sair do celular e dar atenção a eles’:

Primeiro, eu não fazia ideia de que um bebê balbuciando sem parar ‘mamãe, pizza, mamãe, pizza’ e o outro quase chorando dizendo que não iria aguentar mais se nós continuássemos parados queriam chamar a minha atenção. Muito obrigada por sua brilhante análise da situação.

Segundo, eu já estava na fila há 15 minutos. Eu dei livros, lanches, cantei músicas, fiz de tudo pra entretê-los. 

Terceiro, você não esteve na fila perto de mim nem por dois minutos, do contrário você teria visto os sorrisos, gargalhadas e interações.

Por último, depois de 15 minutos, os bebês ficaram um pouco agitados. E, em uma escala de catástrofe, eles não tinham nem chegado ao primeiro nível. Sentindo a calamidade se aproximando, eu peguei o meu celular, baixei o aplicativo da loja e mandei uma mensagem para o meu marido pedindo o nosso login e senha, para ativar o cartão de associado no aparelho. Porque eu já tinha acabado meu estoque de brincadeiras, meus filhos já estavam sem paciência e meu único objetivo era que saíssemos daquela fila o mais rápido possível, antes que as crianças ‘soltassem os cachorros’.

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Mas muito obrigada por seu conselho de como cuidar dos meus filhos. Obrigada por dedicar um tempo do seu dia para humilhar uma jovem mãe com suas duas crianças pequenas. Obrigada por presenciar um momento tão estressante e decidir ‘acho que eu vou deixar as coisas ainda piores para ela’.

Gente, caso vocês vejam uma mãe (ou um pai) com duas crianças pequenas em público ONDE QUER QUE SEJA, entenda que ela está estressada. Entenda que ela está dando o melhor para superar aquela situação. Entenda que aquele era o último lugar onde ela gostaria de estar. Entenda que ela preferia estar abraçando, brincando, correndo com os seus bebês. Entenda que ela provavelmente nem durma direito desde que o seu primeiro filho nasceu. Entenda que um dos filhos pode ter acordado com mais fome do que o normal e ela deu o seu próprio café da manhã pra ele, sem sobrar nada pra ela. E se você não tiver nada gentil ou solidário para oferecer a ela, por favor, cuide da sua própria vida.

Nossos bebês são saudáveis, nossos bebês são felizes (apesar do fato de não sentirem prazer em ficar em filas) e nossos bebês são amados ‘ferozmente’ por nós. E, pelo amor de Deus, nossos bebês conseguem esperar dois minutos enquanto tentamos resolver um problema no celular.

O depoimento foi publicado no Facebook, e já consta com mais de 7 mil likes.