Amamentar dói mesmo?

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Antes de se tornarem mães, a imagem que muitas mulheres têm da amamentação é aquela clássica e poética: da mãe amamentando o filho sorrindo, como se nada desagradável estivesse acontecendo. Eu mesma pensei que a amamentação da minha filha Catarina seria assim: naturalmente bela e sem dor. É evidente que esse é um processo muito particular, e que há mulheres que não sentem muito desconforto, mesmo nas primeiras semanas de amamentação (que costumam ser as mais difíceis). Mas há também aquelas que afirmam que amamentar dói mesmo!

Afinal, se você chegou a esse post, quer ver a seguinte dúvida respondida: “enfim, amamentar dói realmente?”. Confira a seguir se sentir dor na amamentação é comum, bem como dicas para facilitar o processo!

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Imagem: 123RF

Afinal, amamentar dói?

É comum que as mulheres sintam dor ao amamentar, sim. A grande maioria das mães com que eu conversei nesses anos de blog me relatou sentir dor com a amamentação, sobretudo nas primeiras semanas do pós-parto. Mas o que eu também descobri é que as mães que não relataram sensação dolorosa têm algo em comum – se preocuparam bastante com a pega correta da boca do bebê na mama. Eu, por exemplo, tive muita dor, rachaduras nos mamilos, mas descobri que Cacá não estava pegando corretamente meu bico. Depois que ajustei a boquinha, a dor diminuiu sensivelmente, até que não tive mais problemas (demorou umas duas semanas para realizar esses ajustes).

Antes de mais nada, preste atenção à dor que você sente: ela ocorre em todas as mamadas? Em ambas as mamas, ou em apenas uma? Há machucados que devem ser tratados, para que a amamentação se torne mais fácil? Respondendo a essas perguntas, fica mais fácil entender porque amamentar dói, no seu caso. Você poderá descobrir, por exemplo, que a pega está incorreta (se um dos seios dói mais do que o outro, isso pode indicar que o bebê está mal encaixado para ser amamentado naquele lado – preste atenção e tente ajustar a pega). Ou que há uma distensão das células mamárias (que acontece quando o peito está cheio demais, como já explicarei a seguir).

Outro detalhe que deve ser levado em consideração são os aspectos psicológicos. Caso você sinta dor ao amamentar, mas não observe nenhum sinal de fissura nos seios, vale cogitar que o incômodo seja de fundo emocional. Isso não quer dizer que você não queira amamentar, ok? Pode ser apenas uma insegurança normal nas mães de primeira viagem (uma certa sensibilidade nas temas é perfeitamente normal. Pense que é uma experiência completamente diferente na sua vida, e que traz sensações únicas – como a do leite fluindo das glândulas até a boca do bebê).

Tipos de dor

Caso a dor venha acompanhada de fissuras, ela pode indicar doenças. Se você sentir, por exemplo, agulhadas no mamilo e na aréola e notar descamação, pode ser sinal de candidíase (uma infecção por fungo, relativamente comum e simples de tratar). Já se a região estiver avermelhada, inchada, quente e você sentir outros incômodos como mal estar e febre, talvez você esteja com mastite. Nos dois casos, é muito importante procurar o ginecologista, pois o tratamento exige medicamentos.

Mas se você sentir dores ao amamentar e não observar alterações físicas nos seios, pode ser que o problema esteja relacionado aos processos que envolvem o leite. Por exemplo: se a dor aparece antes mesmo da mamada, pode ser por conta da descida do leite, causado pelo hormônio ocitocina (nesse caso não é exatamente uma dor, e sim uma sensação esquisita e levemente incômoda). Caso ocorra ao colocar o bebê no peito, talvez seja sensação de mamas cheias (ingurgitamento), ocasionado pela distensão excessiva das células mamárias. Se a dor surge durante a mamada, pode ser produção excessiva de leite. Já quando a dor é sentida depois da amamentação, há chances de o incômodo ter sido desencadeado pela pressão do bebê ao sugar.

Outras causas são o uso de sutiã de tamanho inadequado (que comprime os seios), ou sensibilidade decorrente da menstruação. Ou, ainda, a dor pode estar relacionada ao fator mais comum, que é a pega incorreta do bebê. Aqui, a mulher sente dor apenas no mamilo (ou seja, no bico).

Tratamentos (amamentar não precisa doer!)

Notando qualquer incômodo ou alteração nas mamas, é muito importante que você consulte seu ginecologista para fazer o diagnóstico e indicar o tratamento mais adequado, que varia de acordo com a origem do problema.

Enquanto nos casos de doenças é necessário tomar medicamentos, nos demais o primeiro ponto a se prestar atenção é se a pega do bebê está correta. Observe se, ao mamar, a criança abre bem a boca (“boca de peixinho”) e, também, se ela abocanha o mamilo e a maior parte da aréola (sem deixar sobrar muita parte escura para fora da boca). Isso indica a pega correta mas, evidentemente, é fundamental que você procure o seu médico ou um banco de leite, para que profissionais avaliem pessoalmente se a pega do seu filho realmente está certa. Se estiver errada, por meio dessa correção a dor vai sumindo aos poucos.

Já no caso de mamas cheias, ordenha e massagem manual são indicadas (retire um pouco de leite antes de colocar seu bebê para mamar. Assim certamente você sentirá menos dor! Uma ideia é separar esse leite para doação – já imaginou que você pode ajudar um bebê prematuro a sobreviver?) e, para aquela dor depois das mamadas, compressas de água morna podem ajudar. E, para quem sente a dor da descida do leite, a tendência é a sensação deixar de ser notada com o tempo, à medida que a amamentação vai ficando mais natural.

Também note se você está usando sutiã do tamanho certo durante essa fase e evite os modelos que possuem aqueles aros (ferrinhos) embaixo, pois podem incomodar.

O mais importante é que você procure o seu ginecologista, pois as causas das dores são diversas, porém não são normais e todas têm solução. Caso nada pareça resolver, que tal procurar um psicólogo? O que importa é fazer da amamentação um momento especial para você e o seu filho.

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