Posso te fazer uma pergunta e você promete que responde com sinceridade? Que você já ouviu falar sobre meningite eu sei, mas sabe realmente qual é a gravidade da doença? Estive em um evento muito, muito bacana – o lançamento no Brasil da ação mundial Vença a Meningite (Win For Meningitis), promovido pela GSK – cujo tema era exatamente esse. E posso dizer que aprendi muita coisa! Sabia que meningite não é uma doença única, que ela pode ter múltiplas causas? Que pode até levar à morte? Pois é, o papo é sério, e eu acredito que nós, mães, precisamos nos informar (afinal, nossos filhos estão expostos ao risco – é na infância e na adolescência que o contágio acontece com maior facilidade, por isso não podemos fechar os olhos! Precisamos compartilhar, pois são informações de utilidade pública!).

Em primeiro lugar, é importante dizer que as principais causas da meningite são vírus e bactérias. Embora as virais sejam as mais comuns (cerca de 43% dos casos), não costumam trazer grandes consequências – em pouco tempo, a doença some e a pessoa fica bem. Já as bacterianas (aproximadamente 36% dos casos) são graves: têm uma progressão rápida, podem deixar sequelas e até mesmo levar a óbito.

Imagem: 123RF

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De todas as bactérias que podem causar a meningite, as mais comuns são o Haemophilus influenzae  do sorotipo  b  (bem controlado pela vacina disponível no SUS e aplicada aos 2, 4 e 6 meses de idade),  o  Streptococcus pneumoniae (com vacina para 10 sorotipos disponível também no sistema público) e a Neisseria meningitidis, também chamada de meningococo. E sobre esse “bichinho” aí, nós precisamos conversar melhor.

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Existem vários sorogrupos de meningococo, mas os principais são cinco: o A, o B, o C, o W e o Y. No Brasil, atualmente apenas a vacina para o C é dada no sistema público (que é o sorogrupo de maior prevalência em todas as faixas etárias em conjunto, ou seja, o mais comum em nosso país). Porém, seis em cada 10 casos sorogrupados de doença meningocócica em crianças com idade < 5 anos no Brasil em 2015 foram causados pelo sorogrupo B. E existem vacinas com boa eficácia para todos os 5 sorogrupos, e que são recomendadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Sociedade Brasileira de Imunizações, sempre que houver a possibilidade da criança tomar.

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Mas por que é tão importante prevenir a doença meningocócica, ou seja, provocada por um dos tipos de meningococo? E aqui é a parte que toda mãe precisa saber: porque a doença é MUITO séria. Em cerca de 10 a 20% dos casos, mesmo com o tratamento adequado, a pessoa infelizmente morre. Sem o tratamento com antibióticos, a mortalidade aumenta para 50% ou mais. E mesmo em caso de sobrevivência, há a chance de sequelas, como perda da audição, amputações, cicatrizes, e muito mais.

Durante o evento, eu tive a oportunidade de conversar com alguns atletas paralímpicos, que tiveram meningite quando crianças, e que sobreviveram. A Jhulia Karol, a Suelen de Oliveira, a Ivanilde Cândida, o Andrey Garbe e o Filippe Silvestre me emocionaram: são exemplos de força, de garra, de determinação! São vencedores, que superaram as sequelas da doença para vencer em suas modalidades esportivas. E o que eu achei mais bonito: eles se engajaram na luta contra a meningite, para alertar sobre seus riscos e a importância da prevenção (pois sabem das dificuldades de se vencer na vida depois dessa experiência, e não gostariam que mais nenhuma criança precisasse passar por isso). Obrigada pela grande lição de vida que recebi!

Imagem: Divulgação

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Quer saber mais sobre o evento? Teve o momento tietagem, porque estava lá a fotógrafa de newborn mais famosa do mundo: A Anne Geddes! Sabe aquela das fotos de bebê mais fofas que existem (eu sempre lembro de uma, com o bebezinho dentro da abóbora!)? Ela mesma! A Anne é embaixadora mundial da ação e tirou fotos fantásticas de crianças que sobreviveram à meningite (são de arrepiar, eu chorei!). E a Simone Silvério é nossa fotógrafa-embaixadora nacional (estou louca para ver as imagens que ela fez com os atletas paralímpicos! Em breve mostro para vocês!).

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Imagem: Divulgação

Eu e Anne Geddes! (Imagem: Divulgação)

E o que mais você precisa saber sobre a meningite causada por esse meningococo? Olha só:

  • O contágio se dá por meio de gotículas de saliva presentes na tosse, no espirro, no beijo. Podem passar pelo uso de copos e talheres contaminados.
  • É muito difícil identificar a origem do contágio. Isso porque existem portadores da bactéria que não desenvolvem a doença, mas que transmitem para outras pessoas.
  • Os sintomas da doença meningocócica não são tão fáceis de serem diferenciados de outras doenças infantis. Por isso, ATENÇÃO: se o pequeno estiver prostrado, com muita sonolência, febre alta, e manchas pelo corpo (que mostram um sinal grave), LEVE SEU FILHO AO MÉDICO.
  • Como, no Brasil, o sistema público oferece a vacina para o tipo C em crianças, nessa faixa etária ocorreu uma diminuição desse sorogrupo da bactéria; os dados de 2010 a 2014 mostram que agora o sorotipo mais comum entre os pequenos (menores de 5 anos) é o B.
  • A evolução da doença é MUITO rápida; ela pode levar à morte em 24 a 48 horas. E como nem sempre o diagnóstico é imediato, A PREVENÇÃO É FUNDAMENTAL.

Espero que essas informações tenham sido úteis para todas as mães que leem o blog. O objetivo não é alarmar, e sim informar – eu, como mãe, achei importantíssimo recebê-las, por isso acredito que é preciso passar adiante!

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