Se você está grávida, talvez já tenha parado para pensar no armazenamento das células do cordão umbilical de seu bebê. Até pouco tempo atrás, essa ideia era vendida como a garantia de cura de muitas doenças que seu filho poderia ter no futuro. Diante disso, que mãe com condições sócio-econômicas de bancar a coleta e armazenagem das células em bancos particulares não o faria? Se você ainda pensa assim sobre esse assunto, por favor continue lendo esse post, você poderá mudar de opinião.

doação do cordão umbilical

Imagem: revista Veja

Em primeiro lugar é importante esclarecer que as células do cordão umbilical apresentam um uso restrito. Isso porque são consideradas células-tronco adultas (diferentes daquelas retiradas de embriões), que se diferenciam preferencialmente em células sanguíneas (por isso só poderiam ser usadas para tratar doenças do sangue). Ok, você pensa, então se meu filho tiver uma leucemia (caso em que as células poderiam ser usadas), terá valido a pena. Mas não é bem assim que funciona: se seu filho, no futuro, apresentar essa doença, o uso de suas próprias células não é recomendado. Isso porque a chance das células do cordão apresentarem o mesmo “defeito” é grande. Assim, o ideal seria que ele recebesse um transplante de outra pessoa. Não, essa afirmação não é minha; é da geneticista Mayana Zatz, da USP, uma das melhores do mundo em sua área (eu a conheci pessoalmente; é fera mesmo!). Nessa coluna para a revista Veja, a pesquisadora discorre sobre o assunto, leitura bem pertinente para quem deseja maiores informações técnicas.

Bom, então se guardar as células do cordão umbilical não traz nenhum grande benefício ao seu filho, por que guardá-las? Simplesmente porque podem ser MUITO úteis para outra pessoa! Para que você tenha uma ideia, o Brasil possui atualmente 2.500 indicações de transplante de medula óssea para tratamento de leucemia. Desse total, cerca de 1.500 pacientes não encontram doadores compatíveis (muitos deles poderiam potencialmente ser salvos com células do cordão – fonte: RedeCord). E nesse caso, sabe quanto você precisa gastar para ajudar? Absolutamente nada, pois elas não serão guardadas em um banco particular, e sim no Banco Público de Sangue de Cordão Umbilical.

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A coleta é feita depois da secção do cordão umbilical e quando o recém-nascido já está sob os cuidados do pediatra. O procedimento não traz qualquer risco para a mãe ou para o bebê, e é feita em sangue que seria naturalmente descartado. E o melhor é que disponibiliza material de tratamento para toda a sociedade. Importante: como é uma doação, você (ou seu filho) não terá preferência no uso do material. Ele é de todos os brasileiros.

Para doar, pergunte se a maternidade ou hospital em que pretende dar à luz é conveniada ao Banco Público (há unidades em todas as regiões brasileiras, o que é ótimo, pois garante a diversidade étnica do material coletado e aumenta as chances de que mais pessoas se beneficiem dele). Eu doei e considero uma decisão muito acertada. E você, qual sua opinião sobre o assunto?