7 coisas que ninguém te contou sobre uma cesariana

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Existe um assunto sobre o qual eu raramente falo aqui no blog: o parto de Catarina. Talvez porque essa seja uma daquelas questões relacionadas à maternidade em que sempre existe alguém para dizer que você fez tudo errado: se optou por um parto em casa, pode ser taxada de louca; se teve um parto normal no hospital, terá que ouvir que provavelmente não foi humanizado; e se passou por uma cesariana, então, provavelmente não se esforçou o bastante para parir do jeito certo.

Pois Catarina nasceu por um parto cesárea, e eu não tenho qualquer culpa relacionada a isso. Durante toda a gestação eu planejei um parto normal, e era também esse o posicionamento do meu obstetra (apesar de corrermos o risco da pequena nascer em pleno Natal, em nenhum momento houve pressão ou sugestão para que eu marcasse a cirurgia). Mas o fato é que, com o desenrolar do trabalho de parto, a cesariana acabou sendo decidida pela equipe médica: depois de seis horas de contrações fortíssimas, induzidas, em ainda tinha apenas 2,5 cm de dilatação, quase nada a mais do que o momento em que dei entrada no hospital (algum tempo depois de minha bolsa ter estourado).

Imagem: 123RF

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Talvez por não ter planejado passar por uma cesárea, talvez por falta de informação mesmo, eu me lembro de ter estranhado muito algumas coisas que aconteceram durante o parto. Sabe quando você fica com aquela imagem de novela, em que de repente o bebê nasce e entra a trilha sonora que faz todo mundo chorar? Pois é, era tudo o que eu sabia sobre uma cesariana! Só que, pela televisão, você não sente o cheirinho de queimado do bisturi, nem repara que a mãe mal conseguiu segurar o bebê nessa hora. E se você também passou por esse tipo de parto, talvez se identifique com os itens que eu desconhecia:

– Ficar com os braços “amarrados”: assim como em qualquer outra cirurgia, os braços da paciente são posicionados abertos, perpendiculares ao corpo. Isso é necessário porque em um braço fica o manguito do aparelho que mede a pressão arterial e, no outro, o oxímetro (para avaliar o nível de oxigênio que chega até os dedos das mãos), além de um acesso venoso para receber soro e medicamentos. Confesso que essa foi a maior frustração que tive no momento do parto, porque colocaram Catarina colada no meu rosto, mas eu não conseguia pegá-la, abraçá-la, como eu havia sonhado (foi emocionante, claro, mas que mãe não quer pegar o filho no colo e não soltar mais?).

– Colocar uma sonda vesical: normalmente, antes mesmo da paciente ir para a sala de cirurgia, é colocada uma sonda. Esse procedimento é um pouco desconfortável (arde um pouquinho no canal da urina), mas é necessário, pois a bexiga precisa estar totalmente vazia no momento da cesárea, para diminuir os riscos de lesão nesse órgão. A sonda também pode ser colocada na sala cirúrgica, após a raquianestesia, sendo um processo menos dolorido (foi o meu caso). Há ainda alguns médicos que não pedem para colocar a sonda, mas somente para a mulher urinar antes da cirurgia (o problema de se fazer dessa forma é que, no pós-operatório, a mulher pode sentir vontade de fazer xixi e não conseguir eliminá-lo – e isso pode ser bem dolorido!). Nesses casos, é colocada uma sonda de alívio para eliminar a urina, que pode ser necessária por mais de uma vez durante as primeiras horas do pós-operatório.

– Pode demorar a segurar e amamentar seu bebê: isso é muito comum após uma cesariana, mas você pode (e deve) mudar isso, escolhendo bem o seu obstetra, pediatra e hospital. Alguns (poucos) serviços já mudaram sua rotina e prezam pelo contato pele a pele da mãe e do bebê após o nascimento e a amamentação na primeira hora de vida, tanto na sala de cirurgia como na de recuperação anestésica (embora eu tenha passado por uma cesariana, amamentei Catarina pouco depois do parto). A Organização Mundial da Saúde recomenda que o banho do bebê seja feito seis horas após o nascimento – e que, durante esse tempo, ele fique em companhia da mãe. Além disso, quando a criança nasce, ela fica em estado de alerta por cerca de uma hora – e este é o momento ideal para o bebê aprender a mamar.

– Demora para levantar e comer: você vai perceber que não é fácil amamentar praticamente deitada, sem poder se sentar, porém é assim que acontece em um pós-operatório de cesariana. A paciente deve ficar deitada por volta de seis horas para se recuperar da raquianestesia. Ao se levantar, precisa primeiro ficar um tempo sentada, e depois levantar e caminhar aos poucos, sempre com a ajuda de alguém da equipe de enfermagem (pois pode sentir tonturas, devido às alterações na pressão arterial). Também é importante mexer os pés e as pernas enquanto estiver deitada e caminhar (após as seis horas) para evitar trombose, uma complicação nas veias que pode acontecer em pós-operatórios, quando há longos períodos na cama. A espera de seis horas também vale para comer, por conta da recuperação da anestesia.

– Reações desagradáveis: como em qualquer outra cirurgia, a mulher pode sentir tonturas, enjoos e tremores no pós-operatório, por isso é necessário o tempo de repouso e de jejum. Também é comum sentir coceira, principalmente na face (que pode ser amenizada com medicação), ou ainda fortes dores de cabeça ao sentar ou levantar.

– Inchaços: inchaços nas mãos e nos pés são comuns nos primeiros dias após o parto (meu pé parecia uma bisnaguinha gigante!). Isso acontece porque a mãe retém muito líquido durante a gravidez e, no caso de quem passa por uma cesárea, soma-se a isso o fato de ficar mais tempo em repouso depois da cirurgia.

– Risco de infecção: como a cesárea é um procedimento cirúrgico, existe o risco de infecções. Aliás, eu tive inflamação de alguns pontos, porque fui o tipo de mãe “tigrona”, que acha que consegue fazer tudo sozinha (pegava peso, me esticava toda, abaixava e levantava sem levar em consideração que ainda estava com os pontos cirúrgicos, um horror!). Por isso, lembre-se de que é fundamental seguir à risca as recomendações dos médicos e enfermeiros sobre os cuidados com a cicatriz e os pontos e que manter sua saúde é mais importante do que nunca nesse momento – afinal, seu filho precisa de você!

A cesariana é um procedimento que evoluiu muito, sendo hoje mais segura do que antigamente. Mas, como vimos, não deixou de ser uma cirurgia, e, por isso, com alguns riscos. Ela é necessária em alguns casos (nos quais realmente salva vidas), mas vale a pena se informar e conversar bastante com seu médico. A melhor forma de nascimento é aquela onde a mãe e a família são informados corretamente e decidem junto com a equipe o melhor caminho para um nascimento saudável, seguro e que te satisfaça.

P.S. – Eu não disse que parto era um assunto polêmico? Lá no Facebook está rolando o maior bafafá com esse post! E antes que você chegue ao final pensando que minha experiência com a cesárea foi péssima, eu digo que, se necessário, repetiria sem problema algum! Houve coisas que me surpreendam? Sim, como eu relatei aqui. Elas acontecem em todas as cesarianas? Não (então se você está grávida, não é motivo para preocupação – é apenas o relato de uma experiência pessoal, que você pode usar para tirar todas as dúvidas com seu obstetra). Agora o principal: nada disso tirou o prazer de um dos momentos mais importantes da minha vida, que foi o nascimento da minha filha. Porque os possíveis desconfortos passam, e só fica o amor que você sente nessa hora.




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Comentários (16)

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  1. Thais disse:

    Muito esclarecedor!!! Meu filho tb nasceu de parto cesárea, mas como vc mesma disse, cada pessoa reage de uma forma, assim como todos os outros tipos de parto. Felizmente não tive nenhum dos efeitos adversos, apenas a coceira, que é efeito da morfina, um dos anestésicos usados. O mais importante é que cada mãe faça sua escolha, pense no bem estar do seu pequeno, e principalmente, não julgue as escolhas de cada mãe! Parabéns pelo post!

  2. Silvia Riccio disse:

    Nossa…se eu te contar que passei por quatro cesarianas será qua vc acredita?? rsrs…Pois é tenho quatro filhos e todos foram cesáreas, achei que fosse impossível, mas olha eu aqui pra contar!!!
    Tenho 37 anos, uma filha que acabou de completar 18, se chama Driele (tá se sentindo dona do nariz, SQN), tenho uma de 17 se chama Fernanda, um de 08 que se chama Magno, para os íntimos: Magninho e o meu caçula que se chama Miguel!! Vivo uma vida de louco…por isso agora decidi criar um blog também pra contar as experiências, os sustos que não foram poucos, as dificuldades que sempre aparece, as alegrias
    que são muitas e tudo mais que tiver que contar… Sempre tem uma historinha!!!

  3. Fernanda disse:

    Olá
    Sempre sonhei em ter um parto normal, aquela coisa natural, instintiva e maravilhosa, com contrações e o bebê nascendo e chorando, e eu o segurando no colo. Tive oligodrâmnio a partir da 28° semana, minha bebê estava com baixo peso e tive que ficar de repouso. Conseguimos levar a gestação até a 37° semana, e pela quantidade de líquido diminuta (meu ILA estava sempre entre 30 e 40), minha bebê não conseguiu virar e estava sentadinha. Tive que fazer cesárea, não por opção minha, mas pra resguardar a vida da minha pequena. Na hora do parto, fiquei com os braços amarrados e não pude pegá-la no colo, apenas encostaram ela em mim e eu lhe dei um beijo. Só fui ficar com ela quando fomos para o quarto. A cesárea foi muito diferente do que eu tinha imaginado, no pós operatório senti muitas dores, inchei muito, saí da maternidade com mais peso do que quando entrei! Foi o contrário do que eu sonhei a vida toda, mas faria tudo novamente pra ter meu bebê são e salvo comigo. A sociedade julga demais quem passa por cesárea, não se pode levar tão a ferro e fogo que é algo ruim, não é o natural, mas no meu caso, foi o necessário, e isso deve ser levado em conta antes de julgar alguém por ter feito esse tipo de parto.

  4. Muito bom! Atualmente fala-se muito mais em parto normal, em detrimento do cesário. Eu também passei por uma cesárea e senti falta dessas informações.
    Gostei tanto que indiquei na minha lista de melhores links da semana!

  5. laudenire disse:

    olá boa tarde…
    ja venho acompanhando esse site há um tempinho e hoje lendo sobre o parto cesárea me deu mais vontade ainda de ter um bebe.
    meu esposo fez vasectomia e estamos tentando reverter e eu gostaria de uma matéria sobre esse assunto. ou se alguém conhece alguém ja´tenha feito esse procedimento por favor me ajudem…

    atenciosamente,
    Laudenire Nascimento Santos

  6. Barbara disse:

    Oi, parabéns pela coragem do post. Fiquei emocionada com o seu relato, pois depois de tudo que passei durante a gravidez com a questão da toxoplasmose o dia do nascimento do Gael foi o mais cheio de sensações e emoções diferentes que eu poderia imaginar. Passei 9 meses planejando, imaginando, sonhando, desejando, almejando um parto normal. Pois eu sempre achei a cesariana muito invasiva, abrupta e até violenta para mãe e o bebê. Bem como toda questão da recuperação pós parto. Passei exatamente 9 horas em trabalho de parto, sentindo todas as dores, tive várias contrações mas entrei no hospital as 9 horas da manhã com 2 dedos de dilatação e fui pra cesariana as 18 horas com os mesmos dois dedos. Mesmo a Dra. me dando os parabéns pela força, me chamando de guerreira e com o apoio do Cesar e da minha mãe eu me senti e acho que ainda me sinto a pior e mais incapaz mulher do mundo. O caminho do quarto pro centro cirúrgico fui o caminho mais penoso e sofrido que já fiz em minha vida depois daquele que fiz no dia do enterro do meu pai. Lá mesmo recebi o conforto da minha médica que foi muito sensível e atenciosa comigo. Na hora foram tantas coisas passando pela minha cabeça que não prestei atenção em mais nada depois da palavra cesariana. Nem lembro direito como aconteceu, tenho apenas uma vaga lembrança. No sábado quando ela veio me ver ela novamente me explicou os motivos da cesariana. Além de não haver dilatação minha pressão a qual eu já estava tomando remédio pra controlar estava alterada bem como os batimentos e movimentos do Gael estavam diminuindo mostrando que ele estava entrando em sofrimento. O César acompanhou o nascimento e filmou e lá mostra claramente que como disse a Dra. ele nasceu “cansadinho”. Caso tivéssemos insistido mais ele precisaria de um suporte maior após o nascimento. Ainda hoje não consigo aceitar o fato de não ter trazido meu filho de parto normal mas, Apesar de toda dor física emocional e psíquica que passei antes e após o parto não me arrependo de absolutamente nada, pois o Gael é o maior presente que a vida poderia ter me dado.

  7. Sidneia Bugay disse:

    Eu Fiz cesariana por n ter dilatado nada e senti muitas dores e achei fazendo cesariana. Pra mim que nunca pensei no assunto,n me senti menos mãe e nem fraca fazendo cesariana. Foi tudo bem. N tive nenhuma complicação no pós. Só T remed eiras nas pernas. Foi um momento lindo. O que importavá era ver ela é ela estar saudável. N sofri nadinha pela forma que tive ela. Oque Importa que está aqui linda e saudável. Amooo demais.

  8. Priscila disse:

    Pois é… Meu grande sonho gestacional era parir o Pedro… sem remédios, anestesia, na hora dele. Mas a vida as vezes decide pela gente. Tive placenta prévia total, descoberta após hemorragia com 12 semanas. Repouso, esperanças dela.”subir” e… nada. Com 36 semanas tive que fazer a cesárea, pois não podia de forma.alguma entrar em TP.Não fiquei amarrada, a sonda.foi colocada após anestesia, estava tão feliz, que nem senti o cheiro do churrasquinho de mãe, não inchei, levantei após 6 horas. Não pude amamentar nas.primeiras duas horas, mas o Pedro.nasceu as 15:45 e mamou as 18:00. O único incômodo foi a coceira horrorosa.no nariz. Hj tento o segundo bb e novamente o sonho de parir está aqui.

  9. Mariane disse:

    Esclarecedor!
    No pós-operatório da minha cesárea tive hipotensão, tremores devido a raqui e muito inchaço nos pés por quase 2 semanas. Nem imaginava que teria tanto inchaço nos pés.

  10. Iva disse:

    Olá a todos.
    Tenho uma cesariana marcada para amanhã, espero que tudo corra bem e que não seja esse inferno. na verdade o parto normal da-me terror.

  11. Fernanda disse:

    Bom dia!!!

    Muito obrigado pelo seu artigo. Estou grávida de gêmeos e minha obstreta me informou que faremos cesárea. Já sou mãe de um menino que está com 11 anos e o parto dele, foi normal e muito tranquilo. Estava com muitas dúvidas e muito medo, mas agora estou mais calma, pois já sei o que esperar.
    Obrigado!!!

    Fernanda.

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