Dengue em São Paulo (importante, leia!)

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Como mãe, preciso dizer a vocês que ando muito, muito preocupada. Acho que vocês não sabem, mas eu vivo em São Paulo, mais especificamente na Zona Oeste. E nas ruas ao redor da minha casa as pessoas só falam sobre dois assuntos: violência (o que é assunto para outro post, porque apenas ele renderia mais de 1.000 palavras) e dengue. Sim, estou vivendo no meio de um surto de dengue, e muita receosa pela saúde de minha família e dos meus vizinhos.

Para quem não sabe, as regiões da Lapa, do Jaguaré e o município de Osasco, que é vizinho a essa área de São Paulo, são os mais afetados. Se você mora em um desses locais ou os frequenta, sugiro fortemente que compre um repelente e passe a levá-lo na bolsa. Não, não é exagero: na escola de minha filha as mães estão sendo instruídas a enviar as crianças com repelente de duração de seis horas, para que vocês tenham ideia. E as notícias dessa segunda-feira (ainda não confirmadas, mas que estão passando de boca em boca por mães em estado máximo de preocupação – espero sinceramente que não passem de um boato) são de que duas crianças teriam morrido por dengue nos últimos dias. Dá para ficar calada? Impossível!

Então, como qualquer cidadã envolvida com o bem-estar dos moradores do meu bairro, eu saí em busca de notícias. E o que elas dizem? Que haverá a partir de hoje um esforço conjunto entre as prefeituras de São Paulo e de Osasco para barrar o surto, cuja progressão aconteceu de forma “inesperada”, segundo declaração dada ao Estadão, em 03/04/2014. Vejam só:

dengue

 

Um surto de forma inesperada? Puxa, então tenho a impressão de que estamos falhando no planejamento de saúde dessas regiões (ou pelo menos na execução do que foi planejado). Porque eu posso afirmar com todas as letras que, não é de hoje, encontro mosquitos Aedes aegypti perto da minha casa (ok, eu não sou bióloga, mas vi muito bem o mosquito cheio de pintinhas com as pernas rajadas). Posso afirmar com todas as letras que há muito tempo os carros que fazem nebulização (aquela fumaça que tem por finalidade matar os mosquitos) não circulam nas ruas próximas à minha. Acabo de confirmar com a síndica do meu prédio que não tivemos visita de agentes comunitários para verificação de focos do mosquito nessa fase de surto. Aliás, essa mesma síndica e a do condomínio vizinho (onde existem casos confirmados de dengue) já solicitaram a nebulização, tendo como retorno apenas a fala de que a solicitação tinha sido registrada.

 

É claro que reconheço que os esforços da população são importantíssimos para barrar a dengue (que está presente em todo o país, e não só na cidade de São Paulo). Cada um tem que fazer sua parte, que nesse caso é, fundamentalmente, não acumular água parada em casa (que é onde o mosquito prolifera). Mas também temos que cobrar de quem tem poder para atitudes emergenciais em caso de surto – as prefeituras. E não estou falando da ponta, do agente comunitário, que tem a maior boa vontade de bater de casa em casa, não. Muitos desses eu conheço pessoalmente, e conheço o empenho em ajudar. Estou falando de quem tem autonomia para decidir sobre a verba que é destinada à saúde – para que tenhamos agentes em número suficiente; para que tenhamos carros de nebulização em perfeito estado de funcionamento o ano todo (e não só quando a bomba explode).

Desculpem o desabafo. Mas aqui quem fala é uma mãe zelosa. E uma cidadã que paga seus impostos em dia.

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Comentários (6)

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  1. Sei como você se sente. Moro em Osasco, Rebeca pegou uma gripe forte semana passada e eu quase entrei em panico. Consegui leva-la ao medico apenas no sabado quando ela ja havia melhorado e a reação do pediatra ao ouvir meu relato e ver que ela estava bem foi de alivio. Contou que ele recebeu na clinica em 2 semanas 16 casos de dengue. E mandou avisar que a Influenza A H1N1 também esta chegando bem forte e antes do esperado e recomendou a vacinação.
    Ouvimos muitos casos, o filho da moça que trabalhan na casa dos meus pais teve o caso confirmado como dengue e o medico recomendou no minimo sair com roupas leves mas de manga comprida e calça.
    Acho que a recomendação do repelente é valida.
    E eu também fui a unica a chegar no consultorio medico e contar ter visto agentes comunitarios batendo nas portas perto de casa.
    A coisa esta muito muito feia.

  2. Débora disse:

    Cheguei no seu post porque alguém na minha timeline do Facebook o compartilhou, e queria dizer que aqui na minha cidade a situação também é alarmante. Moro em Jaú, interior de SP, e falam em 15 mil casos – numa cidade com 130 mil habitantes. Já morreu gente com dengue hemorrágica, e agora estão aparecendo casos de H1N1 também. E infelizmente, a nossa situação é a mesma… poucos agentes, falta de nebulização, prefeitura omissa, exames de confirmação demorando 10 dias pra ficarem prontos. Tentamos levar de um jeito mais leve dizendo que o Repelente é nosso novo perfume, e as pulseiras de citronela são a nova tendência fashion.
    A coisa tá feia.

  3. Sueli Albuuqerque disse:

    Infelizmente, a questão do lixo é a maior causadora. E vejo que aqui também as pessoas, contam com a nebulização, só que, não sabem que ela mata os predadores dos mosquitos e outros animais, como pássaros. Por isso que é usada em último caso. Não é uma boa solução. A limpeza é a melhor de todas. Imaginem só, se uma simples tampinha de refrigerante é um criadouro, quantos criadouros estão espalhados por aí, no meio do lixo que as pessoas jogam pelas ruas e o vento leva, pra onde não há acesso. Não é só dentro das casas não. Agora me digam: Quantos anos estamos enfretando estas epidemias, mudou alguma coisa, no comportamento das pesosas, em relação a limpeza urbana ?

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Sueli,

      Concordo com você que o acúmulo de lixo é um grande causador do problema, pois funciona como criadouro do mosquito. Concordo também que a nebulização não deve ser feita sem critérios, uma vez que mata outros animais também. Concordo também que a educação da população é fundamental para que a dengue seja varrida do nosso território; sem ela, os mosquitos voltam e o ciclo recomeça.

      Mas, em situação de surto, como a que ocorre hoje na zona Oeste de São Paulo, tenho que reiterar que a nebulização é uma medida importante, sim. Acho que você concorda também comigo, assim como as autoridades competentes, que se prontificaram em fazê-la (mas, até agora, aqui no meu bairro… Não vi, sinceramente).

      Bjs

  4. Adriana Wolff disse:

    Olá Nívea, ótima pauta. Moro na região central de São Paulo e já confirmamos a presença do mosquito por aqui diversas vezes. Minha filhota só vai para escola com repelente! Segundo nos disseram os agentes da prefeitura só fazem o combate (nebulização da área) quando há pelo menos um caso confirmado de dengue na região! Um absurdo total.

  5. Parabéns amiga pela matéria adoramos.

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