Refluxo no bebê: será que seu filho tem?

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Aqui eu conto um pouco do que aprendi sobre a famosa história do refluxo. Será que seu bebê tem? Será que ele chora por isso? O quanto é normal regurgitar?

A primeira coisa importante a se dizer é: boa parte dos bebês regurgita, alguns mais, outros menos. Por uma imaturidade da válvula que separa esôfago e estômago (e que nas crianças maiores e adultos se fecha, evitando o retorno de alimentos e suco gástrico), o bebê regurgita quantidades variáveis de leite. Na maioria dos bebês esse refluxo é chamado de fisiológico, pois é consequência natural de sua anatomia em processo de maturação, e não acarreta maiores problemas para o filhote. Mas em alguns bebês o retorno do leite pode ser maior, ocasionando, por exemplo, perda de peso, desconforto e até mesmo problemas respiratórios (o leite pode chegar a sair pelo nariz do bebê). Nesse caso o refluxo poderá necessitar de tratamento.

Mas como desconfiar de que no caso do seu bebê o refluxo realmente é algo que necessita de acompanhamento médico? Aqui seguem algumas situações para ficar atenta:

– Retorno de muito leite em todas as mamadas (às vezes a criança até engasga quando está mamando).

– Ganho de peso menor do que a esperada ou, em casos de refluxo mais intenso, perda de peso.

– O bebê chora muito depois de cada mamada (com o retorno de leite e de suco gástrico, o esôfago do bebê pode ficar dolorido e inflamado, o que é caracterizado como esofagite).

– O bebê fica muito curvado para trás depois da mamada (pode inclusive dormir nessa posição, como era o caso da Catarina).

– Doenças respiratórias recorrentes ou otites (dor de ouvido) sem outra motivação.

– Soluços muito frequentes.

É importante salientar que em casos relativamente raros ocorre o que se chama de refluxo oculto. São casos de diagnóstico mais difícil, pois o bebê não regurgita grandes quantidades de leite; mesmo assim, o retorno do leite acontece e pode causar tosse persistente. Nesse caso o pediatra pode requerer alguns exames, como o de radiografia com contaste, para uma melhor avaliação de seu filho.

Antes de ficar preocupada e achar que seu bebê tem refluxo patológico, respire e se acalme. Mães são desesperadas por natureza. Converse com seu pediatra, pois ele saberá orientá-la. Algumas medidas podem ajudar a diminuir a regurgitação do bebê sem a necessidade de medicação, veja só:

– Dê bastante tempo para o bebê arrotar, mantendo-o na posição vertical. Se ele estiver deitado ao arrotar, haverá maior retorno de leite para as vias aéreas.

– Mantenha o berço inclinado a 30 graus. Se seu bebê já se mexe, cuidado para que ele não vire ao contrário no berço e acabe ficando de ponta-cabeça durante a noite. Nesse caso, use anteparos (nos EUA há até um acessório específico para o bebê dormir, chamado de Nap Nanny; veja se seu pediatra recomenda algo semelhante).

– Amamente o bebê sentado. Assim você evitará que ele engasgue durante a mamada.

– Amamente o bebê com maior frequência. Mamando de pouco em pouco, o retorno de leite será menor do que se você deixar que ele fique com muito leite dentro do estômago de uma só vez.

Troque a fralda antes da mamada, se possível.

– Tanto bebês que são amamentados no peito como aqueles que recebem fórmula podem apresentar refluxo. Mas o leite materno é de digestão mais rápida, o que é ótimo para o bebê que regurgita muito. Então faça o possível para manter o bebê no peito por mais tempo!

– Se o bebê já toma fórmula, o pediatra poderá considerar a ideia de prescrever uma anti-refluxo (A.R.) ou pedir para que a mãe coloque algum engrossante no leite (somente o médico saberá se é uma boa opção, não substitua o leite do seu filho sem consultá-lo).

– Evite dar alimentos ácidos para o bebê (como por exemplo suco de laranja, mesmo a lima). Além de aumentarem a sensação de desconforto no bebê que já está sensível, esses alimentos causam o relaxamento da válvula relacionada ao refluxo, com aumento da regurgitação e dos problemas decorrentes.

Os sintomas de refluxo tendem a piorar por volta dos 4 meses de vida (época em que aumenta a produção de suco gástrico pelo estômago do bebê) e começam a melhorar por volta dos 6 meses (a partir dessa idade, o bebê começará a ficar maior tempo sentado e se iniciará a maturação da válvula que separa esôfago e estômago). Ao redor de uma ano, poucos bebês continuam a regurgitar, então veja que tudo irá melhorar! Se mesmo com as medidas posturais e de alimentação seu bebê continuar desconfortável, converse com o pediatra, ok?

Leia mais sobre a saúde do bebê.




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Comentários (19)

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  1. francileide da silva de oliveira disse:

    gostei muito tirei várias duvidas

  2. nesse momento toda informacao e bem vinda obrigada, bjs

  3. Célia Nunes disse:

    Adorei a informação, estou mais calma.

  4. Oi, Célia, que bom que o post ajudou a te tranquilizar. Qualquer coisa é só chamar, ok? Grande beijo!

  5. gostei das informação. tirei minhas duvidas

  6. Mery Braga disse:

    Gostei bastante tirei minhas dúvidas!!!!

  7. Texto muito bom! Muito bem escrito e esclarecedor.

  8. Parabéns pelo artigo, muito bom!

  9. luciana disse:

    Adorei o texto, bem detalhado, confesso que estou sofrendo com o refluxo da minha bebe 😦

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