transição para a maternidade é um episódio bastante importante na vida de qualquer mulher, mesmo em casos nos quais a gravidez não foi planejada ou desejada. Afinal, as mudanças no corpo, nos papéis sociais e no próprio psiquismo da mulher podem desencadear efeitos intensos em toda a sua história de vida.

Assim sendo, algumas mulheres podem se deparar com uma transição mais conturbada, enquanto outras apresentam um comportamento mais adaptativo. De todo modo, existem ações e informações que podem auxiliar nessa transição tão importante.

Neste texto, elencamos algumas dessas informações e considerações que podem ser válidas para esta mulher que, ao passar pela transição para a maternidade, assume uma nova perspectiva de vida. Acompanhe e saiba mais!

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O que considerar para ter uma transição para a maternidade que seja mais tranquila

Transição para a maternidade

Mãe com tiara floral segurando o seu bebê no colo. Foto: Freepik

Antes de qualquer coisa, é importante termos em mente que não existe um passo a passo único e mágico capaz de tornar a transição para a maternidade 100% tranquila.

Ainda estamos tratando de mudanças intensas na vida da mulher. Logo, sabemos que conflitos, dúvidas e angústias poderão aparecer. Além disso, as quebras de expectativas, as desilusões e frustrações também estarão presentes nesta árdua trajetória.

Ao mesmo tempo, sabemos que algumas medidas podem ajudar a compreender melhor o que acontece neste momento. Abaixo trouxemos 5 pontos bastante interessantes. Reflita conosco:

Transição para a maternidade – 1. A compreensão do bebê real e do idealizado

Um ponto muito relevante que as mulheres mães podem considerar ao iniciar a transição para a maternidade é com relação à idealização do bebê. Mas o que significa essa tal idealização?

Ao longo de nossas vidas, vamos tendo contato com diversas situações singulares e distintas. Vemos bebês, mães e filhos, ouvimos histórias sobre a maternidade, e por aí vai. Também nos deparamos com histórias de crianças “mal criadas”, com “anomalias” e “dificuldade para dormir”. Isto é, vamos ouvindo e absorvendo muitas perspectivas sobre a maternidade, o que é ser mãe e o que é ter um filho.

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Em cima de toda essa visão, passamos a montar, em nossa mente, o nosso filho ideal. Imaginamos e fantasiamos uma criança inteligente, saudável, calma, que dorme em horários regrados e que não tem nenhum tipo de dificuldade para se alimentar.

Porém, nenhum ser humano é tão perfeito – nem mesmo um bebê. E essa idealização acaba sendo posta em cima do bebê que nem nasceu (ou que acabou de nascer). A mulher o idealiza, imaginando a perfeição em seu filho – aquela perfeição que ela idealiza desde, talvez, a sua própria infância.

Em contrapartida, quando o bebê real, ou seja, aquele que ela pariu, começa a dar sinais de “defeitos”, a frustração pode ser intensa – levando algumas mulheres ao desenvolvimento de sintomas de depressão.

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Essa frustração causa culpa, medo, temor de ser uma mãe ruim, e assim por diante. Por isso, quando pensamos na transição para a maternidade, devemos considerar essa quebra de expectativas: precisamos pensar que a idealização que temos, sobre o bebê que imaginamos, é, acima de tudo, uma fantasia.

Uma fantasia saudável? Pode ser! Mas que se não for bem administrada, pode se transformar em crises no futuro.

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Portanto, tenha em mente que o seu bebê “dos sonhos”, em alguns aspectos, será diferente do seu “bebê real”. Ainda assim ele será um bebê amado por você. Essa quebra de expectativas faz parte de qualquer relacionamento com outro ser humano! E isso inclui a relação mãe-bebê.

2. A quebra com a romantização da maternidade

Mãe feliz abraçando o seu bebê. Foto: Freepik

Ainda sobre idealizações, outro ponto bastante relevante que temos que ter em mente ao se pensar na transição para a maternidade, é com relação à romantização que o papel de mãe recebe.

Não é raro vermos as pessoas “endeusando” a maternidade, e atrelando os sacrifícios dela a algo divino. Até certo ponto, a maternidade é realmente bonita e pode trazer grandes mudanças positivas para a mulher. Porém, é importante estar ciente de que a maternidade não é um mar de rosas.

Uma mãe sofre, chora, tem medo e, por vezes, pode até sentir vontade de desistir. Às vezes, ela sente que não dá conta de tudo o que precisa dar – e a sociedade só fortalece esse ponto de vista, julgando.

Sendo assim, quebrar essa “romantização da maternidade” e esse “endeusamento” dos papéis de uma mãe é muito importante. A mulher precisa estar ciente de que ser mãe não é algo fácil, simples e mágico como se vê em filmes ou histórias em livros.

Mas sim, ser mãe é algo que pode doer, pode alegrar, entristecer, trazer felicidade… É uma área da vida que, assim como qualquer outra, tem fatores positivos e negativos. Ela pode ser difícil, árdua e provocar alguns sacrifícios e renúncias. Ao mesmo tempo, pode preencher e realizar outras áreas.

Ter essa consciência pode minimizar aquele medo de não ser perfeita e de não se encaixar no papel de “mãe adorada e perfeita”. Não existe deuses na terra. Uma mãe ainda é, acima de tudo, um ser humano com limites. A romantização da sobrecarga da maternidade pode machucar e, inclusive, prejudicar o relacionamento da mãe com a sua própria família.

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Transição para a maternidade – 3. A rede de apoio que faz toda a diferença

Mulher erguendo o seu bebê sorridente no colo. Foto: Freepik

A transição para a maternidade pode vir a ser um pouco mais tranquila quando a mulher tem a oportunidade de se vincular a uma rede de apoio. Conhecer quem está ao seu lado e com quem você pode contar nos momentos de angústia é muito importante.

Esse tipo de conhecimento impede que você acabe se sobrecarregando apenas para “dar conta” de tudo sozinha. Saber reconhecer os seus limites e ser sincera com quem caminha ao seu lado é uma peça elementar para manter a vida em equilíbrio.

Caso contrário, se você não buscar um amparo em redes de apoio e simplesmente “engolir” as dores, pode ser que esse tipo de questão surja mais tarde, de uma maneira intensa, sobre a sua saúde física e mental.

Sendo assim, analise quem está ao seu lado. Monte a sua rede de apoio. Converse com quem caminha na vida com você e seja sincera quando precisar de ajuda. Você pode – e deve – solicitar ajuda quando necessário. Não se culpe por isso!

Transição para a maternidade – 4. A psicoeducação pode ser relevante

Mãe erguendo o seu bebê no alto. Foto: Freepik

Compreender as mudanças psíquicas e físicas que acontecem durante a gestação, o parto e o pós-parto também é bem interessante.

Muitas vezes, a transição para a maternidade tende a ser difícil para algumas mulheres por conta da falta de conhecimento sobre a sua própria saúde mental e o funcionamento do seu organismo.

Quando temos chance de entender os sinais do corpo e da mente, passamos a lidar melhor com aquilo que sentimos. Logo, tendemos a ter uma transição ainda mais tranquila.

Para isso, a psicoterapia com um psicólogo puerperal pode vir a ser bem interessante. Com ele você poderá compreender melhor o turbilhão de emoções, poderá entender um pouco mais sobre os efeitos da gestação sobre a saúde mental e assim por diante.

A psicoeducação auxilia, todos os dias, milhares de mães a terem mais qualidade de vida.

Veja mais: Como lidar com o cansaço da maternidade?

5. A compreensão de que nasce uma mãe psicológica – junto do bebê físico

Mãe sorridente segurando a sua bebê. Foto: Freepik

Outro ponto muito relevante para se considerar ao viver a transição para a maternidade é que ao nascer um bebê, não é apenas o filho que nasce, de fato. Afinal, uma mãe também nasce no momento do parto.

Enquanto o bebê sai fisicamente pronto de dentro de sua mãe, a mulher terá um desenvolvimento gradativo com relação ao seu psiquismo, psicológico, papéis sociais, e assim por diante.

Pois convenhamos: antes de o bebê nascer, a mãe ainda estava sendo desenvolvida no interior da mulher. Assim que o bebê nasce, as pessoas e a sociedade já a intitulam como “mãe”, mas esta ainda passará por muitas aprendizagens. Ela começa a “engatinhar na maternidade”, e merece ter esse tempo de amadurecimento.

Não é da noite para o dia que se assume o papel de mãe com segurança, todo conhecimento necessário e equilíbrio emocional impecável. Tudo isso faz parte de um processo – de uma construção gradativa.

Ter isso em mente pode tirar aquele “peso” de querer ser perfeita logo quando o bebê nasce. Afinal, a criança pode ter “nascido”, mas a mãe também só nasce no parto – e tem todo o direito de ir “crescendo” e “aprendendo” tanto quanto o seu filho.

Esperamos que este conteúdo tenha lhe servido de suporte, de alguma forma. E lembre-se: buscar a psicoterapia pode ser bem relevante. Converse com um psicólogo perinatal!

Veja mais: O que as mães de primeira viagem precisam saber?

Referências

Transição para maternidade e maternagem em mulheres cadeirantes: perspectiva da enfermagem. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/reben/a/VN79K8p5GfXmW5qtSWdkqDr/?format=pdf&lang=pt> Acesso em 06 jun. 2022.

O parto no processo de transição para a maternidade. Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/4122> Acesso em 06 jun. 2022.