Você já ouviu falar no termo “Síndrome de Péssima Mãe“? Crê que possa estar passando por isso em sua maternidade? Então confira este guia completo com uma série de informações importantes. Acompanhe!

O que é a “Síndrome de Péssima Mãe”?

síndrome da péssima mãe

Mulher acolhendo outra mulher que está triste. Foto: Freepik

Podemos dizer que a Síndrome de Péssima Mãe pode ser compreendida como um autoconceito negativo sobre a sua capacidade de maternar. Sendo assim, trata-se de uma mulher mãe que se enxerga como uma mãe extremamente ruim, que não é capaz de dar uma boa educação para os filhos.

Vale ressaltar que ainda não existem muitos estudos que caracterizem, de fato, o conceito de “Síndrome de Péssima Mãe”. Mas sim, o que temos são conteúdos voltados à autoimagem e ao autoconceito negativo que a mulher faz sobre si, com relação à maternidade. Logo, não estamos tratando de uma doença mental catalogada.

Neste tipo de situação, a mulher pode até oferecer uma vida de qualidade para os filhos, sendo presente, ensinando, educando, etc. Ainda assim ela se enxerga como insuficiente ou ruim.

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Esse tipo de visão pode estar associado a uma série de fatores. Ele pode estar associado com a história de vida da mulher, as cobranças que ela sofre, idealizações que fez da maternidade (pensando que seria de um jeito e, agora, está sendo de outro) e assim por diante.

Saber reconhecer esse tipo de situação é o primeiro passo para buscar auxílio profissional e, assim, enxergar a situação por outras perspectivas.

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Sintomas e sinais de alerta da “Síndrome de Péssima Mãe”

síndrome da péssima mãe

Mulher triste e pensativa. Foto: Freepik

Os sintomas da Síndrome de Péssima Mãe podem ser bastante variáveis. Veja, portanto, alguns deles:

Preocupação excessiva e constante com o papel de ser mãe

Uma mulher com sinais de Síndrome de Péssima Mãe costuma se preocupar excessivamente com a sua posição enquanto mãe. Dessa forma, é como se passasse o tempo todo analisando o que está bom e ruim em sua atuação.

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Culpa por trabalhar, se ausentar ou não suprir expectativas determinadas por outros

Se precisa trabalhar ou simplesmente sair para fazer algo, esta mulher tende a se sentir culpada. A mesma culpa aparece quando os outros questionam por que ela não passa mais tempo com as crianças, por exemplo.

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Tentativa constante de atingir novos limites é um dos sinais da Síndrome de Péssima Mãe

síndrome da péssima mãe

Mulher triste sentada no chão da sala. Foto: Freepik

Com o intuito de ser perfeita, essa mulher pode acabar tentando, todos os dias, ultrapassar os próprios limites pessoais, como se isso fosse o “segredo” para ser uma “boa mãe”.

Comparação excessiva com outras mães

Uma mulher com um autoconceito negativo, com relação à maternidade, pode se comparar às demais mães o tempo todo. Ela passa a ver apenas os pontos positivos alheios, enxergando-os como ausentes em si mesma.

Tentativas constantes de “compensar” a ausência em casa

Se ela precisa trabalhar, pode tentar “compensar” o tempo “perdido” de diversas formas. Na maior parte das vezes, essa compensação pode aparecer com a falta de limite para os filhos e o excesso de presentes materiais.

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Pode apresentar certa dificuldade para pedir ajuda

Uma mulher que apresenta sinais de Síndrome de Péssima Mãe pode demonstrar uma certa dificuldade para pedir ajuda. Ela tenta dar conta de tudo: limpa, cozinha, organiza, faz compras, educa, dá banho, brinca, trabalha, estuda… Quando vê, criou uma lista de mil tarefas diárias, forçando-se a ultrapassar os próprios limites todos os dias.

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Medo do julgamento alheio com relação à maternidade é um dos sinais da Síndrome de Péssima Mãe

O medo do julgamento é bastante presente. A mulher pode querer saber o que os outros pensam sobre a sua “atuação” na maternidade. Por isso, pergunta constantemente sobre o assunto, ou simplesmente fica se diminuindo para saber se os outros concordam com a sua visão ou não.

Busca constante por melhorias excessivas e exacerbadas

síndrome da péssima mãe

Vetor de alguém dando a mão à mulher triste. Foto: Freepik

A Síndrome de Péssima Mãe faz com que a mulher acredite que é ruim em tudo o que faz – e que nunca irá atingir os padrões exigidos pela sociedade. Ao mesmo tempo, a impulsiona a tentar, a todo custo, melhorar e “crescer” – mesmo que isso coloque a sua saúde em risco.

Problemas emocionais provenientes da maternidade e da tentativa de dar conta de tudo

Sintomas de ansiedade excessiva, estresse e até mesmo depressão podem aparecer em casos nos quais há indícios de Síndrome de Péssima Mãe. Esses sintomas ficam ainda mais evidentes quando a mulher tenta “dar conta de tudo”.

Quais as possíveis causas para esse autoconceito negativo?

O autoconceito negativo relacionado com a Síndrome de Péssima Mãe pode estar associado a uma série de fatores. Isso quer dizer que nem sempre poderemos detectar a “causa” raiz do problema.

Afinal, a história de vida, a forma como a mulher enxerga o mundo e o contexto no qual ela está inserida podem impactar em sua autoimagem.

Abaixo listamos algumas potenciais causas desse problema:

  1. Constante busca por perfeição: Ser mãe, esposa, amiga, filha, dona de casa, educadora, “enfermeira”… São tantos papéis impostos, que a mulher tenta ser perfeita em tudo.
  2. Tentativa de se enquadrar em rótulos: Seguindo o que foi dito acima, os rótulos empurram a ideia de ser o que não se é. E quando não se é, pode ser que a pessoa se sinta “incompleta”.
  3. Desejo por “compensar ausências”: Se a mulher trabalha, pode tentar compensar a sua ausência, embora esta não seja um problema real em muitos casos.
  4. Limites que não existem e desejos de filhos que se tornam exigências: A mulher pode ter dificuldade de impor limites, o que faz com que qualquer pedido dos filhos seja entendido como exigência. Assim, ao não conseguir suprir um desejo deles, a mulher se sente “fracassada”.
  5. Autoestima, autoimagem e o emocional da mulher: Mulheres com a autoestima e a autoimagem negativa há muito tempo podem desencadear questões emocionais.
  6. Idealização da maternidade: Mulheres que crescem com um pensamento deturpado sobre a maternidade, enxergando o papel da mãe como o de uma “deusa impecável”, podem acabar se frustrando com a realidade.
  7. Cobranças excessivas: A autocobrança excessiva também pode desencadear quadros de Síndrome de Péssima Mãe.
  8. Tentativa de ser o que a mãe não foi: Se a mulher teve uma “mãe ruim”, pode acabar desejando ser o que a mãe não foi para ela – cobrando-se por isso.

Como lidar com a “Síndrome de Péssima Mãe”?

Mulher se olhando no espelho com feição triste. Foto: Freepik

Embora a Síndrome de Péssima Mãe seja multifatorial, nós podemos considerar uma série de ações positivas que minimizem o impacto do problema. Sendo assim, se você sente que está se cobrando além da conta e está se sentindo prejudicada por isso, considere as dicas abaixo:

1. Não abra mão dos seus momentos em sua companhia

Uma das ações que pode auxiliar as mulheres mães a cuidarem da saúde mental é com relação à própria companhia. Isto é, quando uma mulher permite ficar sozinha consigo mesma, aproveitando a sua companhia, ela coloca a própria vida em primeiro lugar.

Isso é mais do que importante para que possamos refletir sobre quem somos e, ainda, fazermos o que gostamos. Afinal, abrir mão da leitura, da série ou do banho que faz a diferença em nossa vida pode ser prejudicial para a saúde mental.

Sendo assim, certifique-se de deixar claro, para toda a sua família, que determinadas atividades serão mantidas – pois fazem parte do seu bem-estar.

Veja mais: Autoimagem na maternidade – Como cuidar da autoimagem?

2. Não atenda aos pedidos de prontidão, o tempo todo

Atender a todos os pedidos dos filhos, de prontidão, pode ser algo negativo para você. Afinal, isso significa que você está deixando de lado outra atividade que estava sendo executada, apenas para focar no que os filhos querem.

No entanto, é claro que existem situações que exigem a nossa atenção imediata. Porém, o que queremos dizer é que você não deve se anular para atender às demandas alheias sempre colocando as suas em segundo lugar.

Isso porque quando você não puder atender de prontidão, poderá se sentir culpada por isso, pois estará criando essa forma de agir dentro da maternidade. Cuidado com os seus próprios comportamentos autossabotadores.

3. Enxergue o seu valor em outras áreas de sua vida – você não é “apenas uma mãe”

Mulher triste com as mãos no rosto. Foto: Freepik

Outro ponto bastante relevante, ao pensarmos na Síndrome de Péssima Mãe, é com relação à forma como você se enxerga. Em grande parte, a Síndrome pode se associar com a autoimagem negativa. Além disso, pode ter relação com o comportamento da mulher de “apenas se ver como mãe”. O que isso quer dizer?

Bem, basicamente essa visão consiste em crer que o único papel importante que a mulher tem, em sua vida, é o de mãe. Mas isso não é verdade!

Afinal, mesmo em casos nos quais a mulher não trabalha fora, ela ainda possui valor em muitas áreas da vida! Ela pode ser uma boa irmã, uma boa filha, boa cozinheira, boa gestora financeira, boa amiga, e por aí vai.

Dito de outro modo, os valores de uma mulher mãe não se resumem à maternidade. Outras áreas da vida também apresentam atributos e pontos positivos – saiba enxergar isso.

4. Não foque na quantidade de tempo – a qualidade importa mais!

Ao invés de ancorar o pensamento na quantidade de tempo investido no cuidado dos filhos, que tal analisar a qualidade desse tempo?

Afinal, querer compensar a ausência não é saudável. Mas, aproveitar o tempo disponível de uma maneira rica é muito valioso!

Para isso, quando puder ficar com os seus filhos, entregue-se a esse momento. Aproveite este instante para brincar, rir, aprender e se divertir com os pequenos. Porém, não fique controlando no relógio a quantidade de tempo disponível.

O mais importante, portanto, é estar presente dentro dos limites que você pode estar!

5. Busque a psicoterapia como aliada nas questões da Síndrome de Péssima Mãe

Vetor de pessoa ajudando a mulher confusa. Foto: Freepik

A psicoterapia focada em questões relacionadas à maternidade pode ser bem interessante. Por meio dela você poderá compreender melhor as suas emoções, medos e, até mesmo, as suas visões de mundo.

Procurar um psicólogo perinatal, especialmente no período de gestação e pós-parto, pode ser algo relevante. Afinal, a Síndrome de Péssima Mãe é uma realidade que merece atenção.

Não tenha vergonha de buscar apoio. Você merece esse cuidado!

Esperamos, portanto, que este conteúdo tenha sido útil para você. Qualquer dúvida deixe um comentário!

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