Até quando amamentar o filho? Afinal de contas, qual a idade certa para parar?

Quando o bebê passou de um ano de idade, já anda por tudo e balbucia as primeiras palavras, as pessoas ao redor estranham o aleitamento.

A pergunta vem de pessoas próximas e também de desconhecidos. Será que seguir amamentando tira a independência da criança?

Fique tranquila, pois esta e outras dúvidas sobre o aleitamento materno depois dos 2 anos de idade são bastante normais.

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Por isso, criamos esse artigo para que você tenha essas e outras dúvidas respondidas aqui! Vamos lá?

amamentar o filho

Mulher sentada na sala, amamentando seu filho. Crédito da foto: Freepik

Qual a importância da amamentação?

Antes de tudo, vamos entender qual a importância da amamentação! Ela é muito mais do que apenas uma maneira de alimentar o bebê, faz parte do vínculo entre mãe e filho.

Existem muitos fatores (práticos, físicos e emocionais) envolvidos na decisão de continuar, diminuir ou parar a amamentação.

Os conselhos de familiares e amigos de até quando amamentar podem ser bem intencionados, mas imprecisos ou tendenciosos.

Por isso, se a mãe precisar de apoio imparcial sobre quando e como deve parar de amamentar, é preciso buscar fora do âmbito familiar.

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Sabemos que o leite materno continua sendo um alimento nutritivo para a criança desde recém-nascido.

Além disso, quanto mais velho é, mais gordura contém e maior a quantidade de calorias que ele contribui.

O leite materno não perde suas propriedades ao longo do tempo. A partir do primeiro ano de lactação, a quantidade de gordura no leite aumenta em relação aos primeiros meses.

Isso resulta em um alimento completo e nutritivo para uma criança mais velha e de maior qualidade do que a fórmula ou o leite de vaca.

Outro ponto é que um bebê com mais de um ano de idade que está sendo amamentando recebe cerca de 1/3 de suas necessidades diárias de calorias e proteínas através do leite materno (às vezes mais, especialmente durante períodos de doença), além de um montante muito importante de vitaminas e minerais.

Até quando amamentar o filho? O quanto é ideal?

Saiba que o importante é fazer o que é ideal para a mãe e seu bebê! Continuar a amamentar ajuda a reduzir a chance de intolerâncias alimentares e continua a proteger o bebê de infecções, independentemente de ter quatro meses ou dois anos de idade.

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O leite materno é o alimento mais completo para o bebê que acabou de nascer. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que o leite materno seja o alimento exclusivo do recém-nascido até que ele complete seis meses de idade.

Portanto, o bebê não precisa de nenhum outro alimento ou bebida nessa fase, nem papinha, nem suco, nem água, etc.

Em seguida, após os seis primeiros meses, o leite pode seguir como alimento complementar até os dois anos de idade.

Mas, isso significa que a criança não pode continuar mamando no peito? Definitivamente, não! Não existe problema em continuar a amamentação após os 24 meses.

O leite materno também não enfraquece conforme o tempo passa. Este é outro mito recorrente, pois o leite continua rico em nutrientes independente se o seu filho tem 2 meses ou 2 anos.

Após essa idade, por sinal, amamentar continua fazendo muito bem! Crianças que continuam no aleitamento materno após os 2 anos de idade têm menores chances de desenvolver sobrepeso e obesidade.

Saiba que em muitas culturas não-ocidentais as crianças costumam continuar na amamentação até os 3 ou 4 anos de idade.

No entanto, em nossa sociedade ocidental, o desmame é muito mais incentivado o quanto antes.

O leite materno é um excelente complemento alimentar. Quando a criança tem uma alimentação saudável, o leite materno ajuda a suprir os nutrientes necessários, além do vínculo de mãe e filho que é ampliado.

Quais os benefícios da amamentação prolongada?

Crianças mais velhas que são amamentadas continuam a desfrutar dos benefícios imunológicos do leite materno, com menor incidência de infecções do que as crianças da mesma idade que não são amamentadas.

As vantagens de manter a amamentação por mais tempo não são apenas observadas no curto prazo, mas anos após o desmame.

Benefícios da amamentação prolongada para o bebê:

Nutrição equilibrada: O leite materno é considerado uma preciosidade para a nutrição infantil. À medida que o bebê envelhece, a composição do leite materno continuará a mudar para atender às suas necessidades nutricionais.

Não há idade conhecida em que o leite materno é considerado como sendo insignificante para uma criança.

Imunidade aumentada: Enquanto a mulher amamentar, as células, hormônios e anticorpos do leite materno continuarão a reforçar o sistema imunológico do bebê.

Saúde melhorada: A pesquisa mostra que a amamentação mais longa e contínua e a quantidade de leite materno que um bebê toma, só traz benefícios a saúde dele.

Risco reduzido de certas doenças: A amamentação prolongada, bem como a amamentação durante 12 meses ou mais, mostrou reduzir o risco de câncer de mama, câncer de ovário, artrite reumatoide, pressão alta, doenças cardíacas e diabetes.

Então, quando desmamar?

A hora de desmamar vai chegar. Existem muitos fatores que influenciam no desmame: a rotina da mãe, a dinâmica da família, a frequência que mãe e filho se encontram durante o dia.

E quando a mãe deseja amamentar a criança durante o máximo de tempo possível? Neste caso, acredite, vai existir um momento em que a criança simplesmente não vai mais querer mamar.

Lembre-se que seu filho não mama apenas para se alimentar, mas também como forma de receber carinho.

Então, conforme ele for aceitando outras formas de ser consolado e até uma maior quantidade e variedade de alimentos, pode ser que o interesse pelas mamadas diminua. Esse é um processo normal.

Veja também sobre criança com dedo na boca e como resolver o problema!

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Bebê sendo amamentado pela mamãe. Crédito da foto: Freepik

Desmame: 5 dicas para parar de amamentar o filho sem traumas e com tranquilidade

Decidiu que é hora de desmamar? Isto é, vai parar de amamentar seu filho? Então confira nossas dicas a seguir para um desmame tranquilo!

Como já dissemos anteriormente, até os dois anos de idade o leite materno deve ser o único alimento do bebê.

Ou seja, ele não deve receber nenhum outro tipo de alimento, só a partir dos sete meses. A partir dessa idade então é que será feita a introdução de novos alimentos.

Com a introdução alimentar, pode ser iniciado o desmame gentil ou gradual que deve ter orientação do pediatra.

Basicamente, ele é feito através da diminuição da quantidade de mamadas ou da sua duração, para que não gere traumas ou insegurança no bebê, além de não atrapalhar o seu desenvolvimento emocional e crescimento.

O ideal é que o desmame ocorra de forma gradual e natural, fazendo com que a própria criança passe a demonstrar menor interesse pela amamentação e maior aceitação de alimentos variados.

Geralmente, isso ocorre entre os 2 e 4 anos, levando ao desmame total, que consiste na interrupção completa da amamentação no peito.

Embora nem sempre seja fácil realizar o processo de desmame gentil, existem algumas técnicas que facilitam o desmame de forma e que devem ser feitas com a supervisão do pediatra.

Algumas formas de fazer o desmame gentil são:

1. Diminuir a quantidade das mamadas

Este cuidado é importante porque, ao diminuir a quantidade de vezes que o bebê mama, a produção de leite materno também vai diminuindo no mesmo ritmo, e assim, a mãe não fica com os seios pesados e cheios de leite.

Para que isto seja feito de forma gradual, sem prejudicar a mãe nem o bebê, pode-se, a partir dos 7 meses do bebê, substituir um horário de uma mamada por uma refeição, uma vez por semana, por exemplo, e ir aumentando essa frequência gradativamente.

Nesta fase é importante ficar atento a possíveis sinais de que o bebê pretende substituir a amamentação, como, por exemplo, demonstrar menos interesse pelo peito num determinado horário.

O que se pode fazer nesse caso é dar preferência a esse horário para fazer a refeição de substituição da amamentação.

2. Diminuir a duração das mamadas

Uma outra boa técnica para realizar um desmame sem traumas é diminuir o tempo que o bebê mama em cada mamada.

Por exemplo, se o bebê normalmente fica cerca de 20 minutos em cada mama, o que se pode fazer é deixá-lo mamar somente 15 minutos em cada peito e, em cada semana, ir diminuindo mais um pouco esse tempo.

No entanto, não se deve forçar o bebê para sair do peito, sendo importante que a mãe mantenha o mesmo tempo de antes para continuar a dar atenção ao bebê depois da mamada, brincando com ele, por exemplo.

Dessa maneira, o bebê passa a associar que o peito da mãe não é só para mamar, mas que também pode servir para um momento de brincadeira e afeto.

3. Pedir para outra pessoa dar as refeições ao bebê

É normal que, quando o bebê está com fome, associe a presença da mãe à vontade de mamar.

Assim, quando a mãe tem dificuldade em dar as refeições ao bebê, em vez da mamada, pode ser uma boa opção pedir para outra pessoa, como o pai ou a avó, para fazer isso.

Se ainda assim o bebê continuar querendo mamar, a quantidade de leite que irá beber deve ser menor que o normal.

Mulher loira amamentando seu filho bebê. Crédito da foto: Freepik

Até quando amamentar o filho? Dicas para o desmame

4. Não oferecer a mama

A partir de 1 ano de idade o bebê já pode comer praticamente de tudo e, por isso, se a criança tem fome pode comer outra coisa em vez de mamar.

Uma boa estratégia para facilitar o desmame é que a mãe não ofereça o peito nem use blusas que facilitem o acesso do bebê ao peito, dando de mamar somente de manhã e à noite.

Quando o bebê estiver perto dos 2 anos de idade, deve-se oferecer a mama nestes horários apenas se a criança pedir.

No entanto, é importante nunca recusar o peito se a criança tiver vontade de mamar, seguindo o método do “não oferecer e não recusar”. Ou seja, não ofereça mas também não negue quando a criança pedir.

5. Dar suporte emocional à criança

Por fim, a amamentação no peito é um momento de contato íntimo do bebê com a mãe. Por essa razão, na fase de desmame gradual, é importante dar suporte emocional ao bebê, mas como?

Como por exemplo manter o tempo, que antes era da mamada, para ter mais tempo de qualidade juntos. Você pode fazer brincadeiras ou atividades com seu filho, como:

  • Ler um livro;
  • Cantar uma música ou uma canção de ninar;
  • Brincar, etc.

Parou de amamentar o filho? E agora, como alimentar?

Normalmente, o bebê começa a se alimentar com alimentos sólidos após os primeiros 6 meses de vida.

Até 1 ano de idade, o pequeno pode ir comendo suas papinhas ou outros alimentos, intercalando com as mamadas ou a mamadeira.

Após 1 ano de vida, o bebê pode mamar ou tomar a mamadeira somente quando acorda e antes de ir dormir, à noite.

Em todas as outras refeições ele deve comer legumes, frutas, carnes magras e produtos lácteos, desde que não tenha nenhuma alergia ou intolerância alimentar.

Se o bebê mamar até os 2 anos de vida, nessa fase ele já deve estar habituado a comer de tudo, fazendo as refeições à mesa, com a mesma comida dos pais.

Por isso, quando a amamentação chegar ao fim, não será necessário nenhum suplemento, devendo-se ter somente o cuidado de oferecer sempre alimentos saudáveis e nutritivos para que a criança possa crescer saudável.

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Bebê sentado no colo de sua mãe, em frente pra a mesa, comendo papinha. Crédito da foto: Freepik

Afinal, existe idade certa para parar de amamentar o filho?

Organizações de saúde recomendam um período mínimo para a amamentação, que é de 6 meses, mas após essa data a decisão deve levar em conta as vontades e necessidades da mulher.

Sendo assim, enquanto algumas mulheres preferem esperar até que os filhos abandonem o seio, outras decidem quando parar, por questões de rotina profissional ou por motivos pessoais. E há ainda quem faça uma retirada gradual, ao longo do tempo.

Só sabemos que esta é uma questão muito importante e cheia de análises e decisões que não envolvem somente a vontade materna, mas também o bem-estar do bebê.

Ou seja, concluindo nosso artigo, podemos dizer que depende muito da mamãe e do filho! O importante é a mãe decidir isso em conjunto, levando em conta todos os fatores.

A amamentação é muito importante na vida do bebê, portanto não há necessidade de decidir, no início, por quanto tempo se deve amamentar.

Na prática, muito pode mudar! Pode acontecer de vocês dois juntinho precisarem se adaptar! De qualquer maneira, só vocês poderão saber.

Muitas mães continuam amamentando seus filhos mesmo depois de retornar ao trabalho ou aos estudos, enquanto outras decidem parar de amamentar ou combinam a amamentação com fórmula.

Às vezes, quando uma mãe se pergunta até quando amamentar o filho e quando tirá-lo do peito, é sempre por causa de uma decisão pessoal: trabalho, conforto, cansaço, falta de tempo, etc.

Isso é natural e faz parte da vida de uma mãe e seu filho! E somente vocês poderão decidir quando e se será melhor fazer o desmame. Um vínculo de amor e saúde, que só traz benefícios para ambos, deve ser respeitado por todos!

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