Dia 30 de janeiro é conhecido, no Brasil, como o dia da saudade. A palavra saudade com o sentido que conhecemos é exclusiva do português. O sentimento, tão forte e único como a palavra, tem uma amplitude gigante de significados: a  saudade dolorida, a saudade boa, a saudade do futuro, a saudade de alguém que já se foi. Quando falamos sobre maternidade, um dos assuntos mais delicados sobre perda e saudade é o bebê estrela e o bebê arco-íris. 

O que é o bebê estrela? 

Mão masculina segurando uma mão de bebê. Foto: Freepik

O nome estrela, indica que os bebês já subiram ao céu e brilham lá em cima, junto das estrelas. Normalmente, esse termo é usado para se referir a bebês que tiveram a vida interrompida por um aborto espontâneo – seja ele no começo ou no final da gestação. 

O que as pessoas defendem com a terminologia é que, não é porque o bebê se foi que você deixa de ser mãe ou se torna menos mãe por isso. Uma mulher que sofreu com um aborto espontâneo é mãe de um bebê estrela!

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A dor, o luto, o medo e a saudade que vem junto da perda são inevitáveis. É preciso uma rede de apoio forte, acompanhamento ginecológico e psicológico e muita força. Viver o luto e entender a perda é essencial para passar por esse processo e olhar em frente. Sem perder o carinho ou esquecer do bebê estrela. 

Você já ouviu falar em bebê arco-íris? 

bebê arco-íris

Mãe, bebê pequeno e pai felizes no jardim. Foto: Freepik

Os bebês arco-íris são aqueles que vêm depois de uma experiência traumática e dolorida da mãe com uma gravidez anterior. Pode ser um caso de aborto ou natimorto. O nome, que faz referência ao arco de luz formado quando o sol reflete em gotas de chuva, quer significar que o bebê é esse fleche de vida e felicidade depois de um momento de escuridão e tristeza. 

O nome ficou muito popularizado nos Estados Unidos e não exclui a dor do bebê estrela. Ou seja, o arco-íris pode vir sem que o bebê estrela seja esquecido. No país, eles consideram que se o bebê perdido foi “superado”, o bebê seguinte não tem o título de arco-íris. Um não substitui o outro, mas é um símbolo de esperança e amor!

Como ir de um bebê estrela para um bebê arco-íris? 

bebê arco-íris

Casal segurando mãos. Foto: Freepik

O momento de tentar de novo cabe muito ao psicológico e emocional da mulher. É preciso que ela esteja pronta para viver todas aquelas emoções novamente, e tenha conseguido lidar com a perda anterior. O medo é normal! 

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Clinicamente falando, o recomendado é que a mulher passe por uma abstinência de sexo até que o sangramento pare. Depois disso, o prazo para retornar às tentativas de engravidar de novo dependem do motivo da perda. Cerca de 50% a 70% das perdas gestacionais no primeiro trimestre tem causa genética. 

Além do acompanhamento psicológico, a mulher precisa passar por uma série de exames para conferir a saúde do sistema reprodutor. Os fatores que levam a um aborto, além da genética, podem ser hormonais, imunológicos, infecciosos ou uterinos. Então, antes de tentar engravidar novamente é necessário avaliar se não há restos do aborto retidos no útero. Passar por uma eventual curetagem, se necessário, e investigar as causas dessa perda. Principalmente, para diminuir a possibilidade de acontecer novamente em uma gravidez seguinte. 

Alguns médicos acreditam que, depois da primeira menstruação espontânea, a mulher já pode engravidar novamente. Outros preferem esperar no mínimo três meses depois do aborto para apoiar uma nova tentativa. 

O que acontece quando o aborto é de repetição? 

bebê arco-íris

Mulher de pijama com as mãos no estômago. Foto: Freepik

O primeiro trimestre é sempre mais delicado para uma gestação. Em média 15% das mulheres sofrem um aborto antes da 22a semana. Entretanto, o aborto de repetição é quando a perda é recorrente, em diversas tentativas de engravidar. 

Assim como o aborto espontâneo, o aborto recorrente precisa de uma atenção na causa do problema. Alterações genéticas no embrião, gestante em idade avançada, hábitos de vida como alcoolismo e tabagismo, rejeição do organismo materno, insuficiência da fase lútea ou istmo-cervical. Os motivos são inúmeros… Assim como o quadro espontâneo, a mulher deve passar por uma série de exames físicos e psicológicos até tentar engravidar novamente. 

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Caso o quadro seja mais sério, ou os pais procurem alternativas para engravidar depois de um aborto de repetição, há opções como fertilização in vitro (FIV), doação de óvulos ou de espermatozóides (caso o problema venha de algum parceiro), prescrição de medicamento específicos para o caso. Também faz parte do tratamento repouso, uma rotina leve de exercícios físicos recomendados pelo médico, uma alimentação balanceada e saudável. Além do corte de substâncias nocivas como bebidas alcoólicas, tabagismo, consumo excessivo de cafeína, situações de estresse, desnutrição e sobrepeso.