Não é óbvio e nem toda mulher sabe exatamente quando entrou em trabalho de parto. Isso porque durante a gestação o corpo da mulher vai “a preparando” para o grande momento. Mas o que é isso? Como assim “vai a preparando”? Basicamente, a mulher passa por experiências que se assemelham ao trabalho de parto, como uma forma de ir acostumando a gestante àquilo que está por vir.

As contrações são um exemplo perfeito de como o corpo feminino prepara a mulher pro trabalho de parto. Isso porque no fim da gestação as mulheres começam a ter muitas contrações. Com isso, pode ser realmente difícil identificar de forma precisa em qual momento ela entrou em trabalho de parto de verdade. E, consequentemente, pode ser muito difícil de definir qual o momento certo de ir ao hospital.

Infelizmente, são muitas as maternidades que mandam de volta para casa mulheres que chegarem “muito cedo”. Ou seja, quando a mulher chega no hospital e ainda não está tão perto de dar à luz, muitas instituições as encaminham para casa novamente. Para não ficar nesta ida e vinda, muitas gestantes desejam saber exatamente qual o momento de entrar no carro e se dirigir ao hospital (justamente para não passarem por essa situação toda).

Então, veja neste artigo como identificar um trabalho de parto. Consequentemente, aprenda de forma definitiva qual o momento certo de se direcionar à maternidade. Boa leitura!

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Afinal, como saber se estou em trabalho de parto?

Gestante segurando barriga e olhando pela janela pensando no trabalho de parto

Gestante de perfil segurando a barriga e olhando pela janela – Crédito da foto: Freepik

De uma forma bem simples e didática: existem duas formas de avaliar se a mulher está em trabalho de parto. A primeira delas é se atentar ao ritmo e frequência das contrações.

Quando a mulher está passando por “contrações reais” e não por contrações de treinamento, isso quer dizer que ela entrou em trabalho de parto. Ou seja, uma das formas mais certeiras de saber se você está em trabalho de parto é observar o ritmo de suas contrações. Isso porque a maior diferença entre as contrações de treinamento e as contrações “reais” é o ritmo e intervalo entre elas.

Infelizmente, não há outro método mais eficaz para definir se as contrações que você sente são de treinamento ou são do trabalho de parto. Isso porque o corpo feminino reproduz contrações perfeitas, idênticas, justamente para te preparar para o momento do nascimento.

Por isso, a intensidade e o “tipo” de dor que elas causam é idêntica. Mas é claro que essa é a regra geral, pois existem mulheres que juram que tiveram tipos diferentes de dores, ou intensidades diferentes. Mas o que se sabe até o momento e a regra geral é que as contrações são realmente muito parecidas.

Ou seja, uma das formas mais eficazes de você avaliar se está em trabalho de parto inicial ou se você está tendo apenas contrações de treinamento é se ligar no ritmo delas. Basicamente, é a frequência e o intervalo que vai te dar a dica mais preciosa.

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É considerado início de trabalho de parto quando as contrações da mulher ocorrem de forma rítmica em intervalos de mais ou menos cinco minutos.

Ruptura da bolsa

A segunda forma de “descobrir” se a mulher está efetivamente em trabalho de parto é se atentar pro rompimento da bolsa. Mas como saber quando isso ocorreu?

Bem, o sinal mais evidente é também o mais óbvio. Sabe aquelas cenas em filmes ou novelas quando a gestante se vê encharcada de água? Pois é, aquilo representa essa ruptura.

Quando há vazamento de líquido é sinal de que a bolsa foi rompida. Isso porque aquela “água” que vaza é o líquido amniótico, que é o líquido que envolve o bebê durante toda a gestação.

Mas aqui vale um lembrete: para que você esteja em trabalho de parto é preciso que vaze muito líquido. Isso porque existem ocasiões em que a mulher está com alguma pequena ruptura (furinho) na bolsa. E nesse caso, é possível perceber a saída de líquido amniótico sem que a mulher esteja em trabalho de parto.

Por isso, é sempre mais garantido quando os dois componentes (vazamento da bolsa e ritmo das contrações) ocorrem em conjunto. Ou então, quando um deles é tão evidente que não sobre espaço para dúvida.

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Mas, e quando saber que é o momento de ir pra maternidade?

grávida no hospital

Gestante com acompanhante em corredor da maternidade – Crédito da foto: Freepik

Agora você já sabe quais as melhores e mais eficazes formas de identificar o ingresso no trabalho de parto. Ok, mas… E quando ir pro hospital? Qual o momento certo de se direcionar à maternidade pra não correr riscos de ser enviada novamente pra casa?

Mais fácil que a primeira pergunta, esta é bastante simples: você deve ir pro hospital quando estiver em trabalho de parto. Ou seja, se você identificou que está em trabalho de parto, o momento de correr pra maternidade é agora mesmo.

Não há muito segredo: a bolsa estourou, as contrações estão com intervalo de cerca de cinco minutos ou os dois estão acontecendo? Então chegou a hora de ligar pro seu médico (caso tenha um médico particular) e ir correndo pro hospital.

De modo geral, logo que você chegue no hospital você será encaminhada para atendimento com uma enfermeira-obstetriz. Essa profissional é especializada no tema e vai realizar os primeiros exames com você, que são fundamentais para o restante do processo.

Primeiros exames

Essa enfermeira vai inicialmente ouvir os batimentos do coração de seu bebê. Esse passo é muito importante para definir que está tudo bem com ele e que o procedimento de trabalho de parto está ocorrendo adequadamente.

Então, ela vai medir as suas contrações para avaliar o estágio do trabalho de parto que você se encontra. Além das contrações, a enfermeira também vai checar a sua dilatação uterina.

De modo geral, a dilatação uterina vai se ampliando em um centímetro a cada hora. Isso de modo geral e como uma média padrão, é claro. Existem casos onde leva-se muito mais tempo e casos onde leva-se muito menos tempo para a dilatação acontecer.

Caso o médico obstetra que fará seu parto já esteja no hospital, ele mesmo poderá realizar todos estes exames iniciais. Isso depende da instituição que você se encontra e das combinações que fez com ele, no caso de médicos particulares.

Exames no bebê durante o trabalho de parto

Ainda entre os exames iniciais, a equipe de profissionais também examinará os sinais vitais do bebê. Este exame se chama cardiotocografia. Ele monitora as contrações e os batimentos fetais por um período de 20 minutos, mais ou menos.

O cardiotocografia avalia as contrações porque elas servem para que os profissionais consigam ver como está a movimentação do bebê. Desta forma, o exame ajuda na definição do “comportamento” do bebê, o que é fundamental para acompanhamento do trabalho de parto.

Tendo como objetivo a avaliação do estado do bebê, este exame é feito também no caso de cesarianas marcadas.

Sala de pré-parto

hora do parto trabalho de parto

Gestante em sala de pré-parto com acompanhante e médica – Crédito da foto: Freepik

Então, a mulher é encaminhada a sala de pré-parto do hospital. Neste espaço, ela ficará sendo monitorada e acompanhada pela equipe para análise da evolução do trabalho de parto.

Este período de acompanhamento pode durar cerca de 24 horas, mas há casos onde a mulher fica muito menos ou muito mais. Depende de cada gestante, na verdade.

Uma enfermeira vem medir a dilatação e analisar a evolução do trabalho de parto a cada 2 horas, exceto em casos onde ocorre algo e a gestante chama alguém antes da próxima visita da enfermeira. Conforme o trabalho de parto vai evoluindo, este intervalo de avaliação vai sendo reduzido: a cada uma hora, depois a cada meia hora e assim sucessivamente, dependendo do andamento do trabalho de parto.

A maior parte das maternidades tem como regulamento aplicar a analgesia quando a dilatação está entre 5 e 6 centímetros. Isso porque é mais ou menos nessa situação que a cabecinha do bebê começa a ficar visível, o que é chamado de coroamento. No entanto, vale lembrar que a mulher pode solicitar a analgesia quando sentir que está com muita dor, e que chegou seu momento de receber esta anestesia.

Aqui vale o destaque para esse ponto, isso porque infelizmente muitas maternidades são rígidas quanto a analgesia. Se for necessário, você pode dizer que sabe que está no seu direito e que exige a aplicação da anestesia mesmo antes do momento que a instituição prevê. É muito triste que tantos hospitais coloquem protocolos e padrões antes da humanização, fazendo com que tantas mulheres sofram de forma desnecessária.

Nesse momento do coroamento a mulher é encaminhada para a sala de parto, que é onde o nascimento ocorrerá.

Coroamento no trabalho de parto

Médico obstetra em trabalho de parto gravidez

Médico obstetra em trabalho de parto – Crédito da foto: Freepik

Quando o trabalho de parto atinge a etapa do coroamento, o parto tende a acontecer rapidamente. Isso porque quando a dilatação é suficiente para que seja possível enxergar o bebê é porque a gestante está quase no momento de conseguir o expelir para fora.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que logo que o bebê nasça ele seja colocado em contato com a mãe, em seu colo. A recomendação é que este contato entre mãe e bebê ocorra mesmo antes dele ter seu cordão umbilical cortado ou qualquer outra coisa. Neste primeiro contato, mãe e bebê se conhecerão e reconhecerão pela primeira vez (fora da barriga). O bebê pode mamar ou pode somente ficar ali aninhado, no colo da mãe, pele a pele com ela.

No entanto, ainda há algumas instituições que não seguem esta recomendação e retiram o bebê de perto da mãe logo ao nascer, para realizar exames. Nestes casos, a mulher costuma permanecer por cerca de 30 minutos na sala de parto descansando enquanto estas avaliações iniciais são feitas com o bebê pelo médico pediatra. Posteriormente, ambos são encaminhados para outro quarto, para que eles possam ficar juntos e para o bebê poder amamentar.

Amamentação seguida do nascimento

A recomendação de aproximar o bebê e a mãe logo após o nascimento para que ele possa mamar nos seus primeiros minutos de vida ocorre devido a descobertas importantes da ciência. Por exemplo, você sabia que bebês que mamam logo ao nascer tendem a ter mais facilidade futura no aprendizado? Além disso, esta prática também ajuda significativamente na criação de vínculos entre mãe e bebê, e reduz as chances de ocorrer hipoglicemia no recém-nascido.

Mas não é somente o bebê e a relação entre mãe e bebê que é beneficiada pelo aleitamento logo após o nascimento. Isso porque a mulher também tem menos chances de passar por hemorragias uterinas no pós-parto. E estudos mais recentes também descobriram que a mulher corre menos riscos de desenvolver depressão pós-parto com esta prática.

Por isso tudo, a orientação é que o bebê seja colocado no colo da mãe antes de qualquer outra coisa, como um cuidado de saúde.

Trabalho de parto na primeira gestação

trabalho de parto

Gestante em maternidade em trabalho de parto – Crédito da foto: Freepik

Não é uma regra, mas de modo geral as mulheres que estão passando pela primeira gestação tendem a ter um trabalho de parto mais demorado. Isso porque os seus corpos estão passando por esta experiência pela primeira vez, ou seja, é algo novo que ele está se adaptando ainda.

Em média, o primeiro trabalho de parto tem duração de cerca de 10 ou 12 horas. A dilatação nestes casos costuma evoluir a cada uma hora, mais ou menos.

Neste período de evolução da dilatação, o feto vai paulatinamente se ajustando à posição no canal vaginal. Esse movimento dele ocorre para que no momento certo ele esteja pronto.

O sucesso do parto vaginal vai depender da boa evolução destes fatores:

Nos casos onde há algo de errado, que impossibilite ou dificulte o trabalho de parto (ou que coloque feto ou gestante em risco), há também a opção de fazer uma cesariana de urgência (não agendada).

Este conteúdo foi útil para você de alguma forma? Então deixe um comentário e nos conte da sua experiência, dos seus medos e das fantasias que têm com este momento tão importante: o nascimento de seu bebê.