O castigo é um tema muito importante para as mamães. Isso porque criar uma criança de forma saudável e equilibrada não é algo fácil. Qual a gravidade do ato para merecer um castigo? Que tipo de castigo aplicar? Será que essa punição traumatizará a criança? O que fazer com a culpa que se sente depois? São muitas as perguntas que tomam a cabeça (e o coração) das mamães, quando falamos de formas de educar as crianças.

Conheça aqui as duas estratégias mais comumente utilizadas nas famílias para punir um comportamento da criança. Veja também quais efeitos cada uma delas têm sobre seu filho e qual a melhor forma de usá-las. Boa leitura!

Tipos de castigo e seus efeitos sobre a criança

Castigo - crianças sendo repreendias pelos pais

Crédito: Freepik

Especialistas de psicologia infantil alertam para os dois tipos de castigos mais comuns: a punição positiva e a punição negativa. Eles explicam que as palavras “positiva” e “negativa” nada tem a ver com “bom” ou “ruim”, mas sim, com as noções matemáticas de adicionar algo ou retirar algo.

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O castigo considerado “punição positiva” é aquele que adiciona para a criança algo que ela não gosta. Exemplos de punições positivas são:

  • Agredir fisicamente a criança
  • Deixar a criança em um “cantinho do castigo
  • Fazer a criança ter tarefas extras na casa (ex. lavar a louça ou arrumar o quarto uma vez mais na semana)

Perceba que em todos esses exemplos, é adicionado como castigo uma experiência que ela não gosta: seja apanhar, ficar sentada no canto do castigo ou precisar fazer mais tarefas na casa.

O castigo que é chamado pelos especialistas de “punição negativa” é aquele onde é retirado da criança algo que ela gosta. Alguns exemplos típicos desse tipo de punição são:

  • Não poder jogar vídeo game ou olhar TV por um período de tempo determinado
  • Perder a permissão de ir na festa de aniversário de um colega da escola
  • Não ganhar mais aquele presente de Natal que havia sido prometido

Ao contrário do caso anterior, com a punição negativa é retirado algo da criança. Todos os castigos que dizem respeito a subtrair uma experiência que seria prazerosa para a criança são considerados uma punição negativa: negativa de menos, de subtrair algo.

Qual o efeito desses castigos sobre a criança?

criança sentada triste depois de receber castigo

Crédito: Freepik

Apesar dos receios das mamães, especialistas afirmam que é possível punir os comportamentos ruins da criança sem traumatizar. Entretanto, é preciso tomar cuidado com a forma como isso é feito e com o tipo de castigo que será empregado.

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De acordo com uma série de estudos, a chamada punição negativa é muito mais eficiente do que a punição positiva. Isso porque parece que retirar uma experiência prazerosa da criança a “educa mais ou melhor” do que adicionar algo negativo em sua rotina. Por isso, é muito mais eficiente você negociar a retirada de algo que ela gosta.

Além disso, os especialistas também alertam que ao anunciar a retirada de algo prazeroso é possível que a criança demonstre raiva. De acordo com os profissionais, esse momento pode ser aproveitado para tentar dialogar e para trabalhar a emoção negativa da criança.

Efeito das “palmadinhas” no desenvolvimento da criança

menina sendo ameaçada de apanhar

Crédito: Freepik

A agressão física é a pior forma de punir a criança, em todos os sentidos. Sendo considerado um consenso entre especialistas, bater na criança não resolve nenhum problema. Ao contrário, existem diversos estudos que demonstram que usar violência física gera uma série de problemas no desenvolvimento infantil.

Alguns estudos mais recentes sobre o tema, inclusive, demonstram que os efeitos nocivos da agressão física durante a infância podem se perpetuar e acompanhar a pessoa por toda sua vida.

Psicólogos infantis e do desenvolvimento vêm percebendo que a agressão física na infância pode gerar, no adolescente e no adulto, o mesmo tipo de sintoma das pessoas que sofreram abuso sexual quando crianças. Ao que tudo indica, isso parece acontecer porque nos dois casos a criança foi precocemente submetida a uma experiência corporal (advinda de um adulto) de forma violenta.

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Ou seja, tanto a criança que foi abusada sexualmente quanto a criança que apanhou tem suas primeiras experiências de um outro tocando seu corpo de forma violenta e sem sua autorização. Os especialistas apontam que essa vivência traumática costuma afetar todo o funcionamento da pessoa. Por isso, os sintomas apresentados na adolescência e adultez são muito parecidos, de modo geral.

Um dos efeitos mais comuns entre crianças que apanharam na infância é a naturalização da violência. Isso porque a criança foi exposta desde cedo a ambientes nocivos, então ela entende que “isso é normal”. Por isso, é tão comum que crianças que apanham acabem se tornando adultos que batem.

Além da criança não apanhar, também é importante cuidar do ambiente onde ela vive. Vale lembrar que crianças são esponjas, e absorvem aquilo que está ao seu redor.

Dicas de como castigar a criança sem traumatizá-la

mãe e filha conversando na lavanderia

Crédito: Freepik

Veja algumas dicas dos especialistas para colocar seu filho de castigo de forma justa e efetiva. Com essas dicas você vai conseguir educar seu filho sem ficar com tanto peso na consciência.

Motivo do castigo

A criança ou adolescente precisa entender a razão do castigo. Isso é importante porque só haverá mudança de comportamento se ela entender o que motivou aquela punição.

Isso também é muito importante para seu filho não achar que você está sendo arbitrário, injusto ou agindo com irritação desnecessária. Esse tipo de pensamento pode levar a criança ou adolescente à comportamentos ainda mais rebeldes, caso se sinta injustiçado.

Deixe claro que você não sente prazer com o castigo, mas que fará novamente se for necessário. Então, é importante que fique claro que o castigo é uma consequência de um comportamento da própria criança.

Veja como falar com seu filho quando ele se comporta mal na escola.

Modo de falar

Fale com objetividade, mas mantenha a calma. Gritos não somente não ajudam, como também atrapalham bastante nesse momento. Isso porque seu filho precisa entender que o castigo é exclusivamente uma consequência de seu ato, e não uma forma da mãe colocar a raiva para fora.

Deixe sempre claro que o problema é o comportamento, e não a criança. Nunca diga “como você é feio”. Preferencialmente, construa as frases como:

  • Isso que você fez não é bonito
  • Eu não gostei desse comportamento
  • O seu comportamento não foi legal

Não é necessário gerar ansiedade na criança, fazendo-a pensar que o problema é ela ou que você não a ama mais. Foque o diálogo no comportamento da criança e não coloque seus sentimentos pela criança na conversa.

Momento do castigo

menino de pé com as mãos no rosto

Crédito: Freepik

O castigo deve ser feito logo que o mau comportamento foi feito, principalmente com crianças pequenas. Entretanto, tome muito cuidado: isso não significa humilhar a criança em público.

Caso a criança tenha tido um comportamento ruim em locais públicos, deixe para que o castigo venha tão cedo quanto possível, mas de forma privada. Você pode dizer que o comportamento não foi adequado, e que vocês conversarão depois a sós, não no meio de tantas pessoas.

A humilhação não contribui para a educação. Pelo contrário, ela também pode gerar revolta na criança, assim como no caso dela se sentir injustiçada.

É importante que o castigo seja realizado logo que a criança se comportou mal, porque isso facilita o aprendizado. As crianças – principalmente as pequenas – tem uma noção temporal muito diferente. Se você esperar 12 horas para castigar, para a criança pode parecer que levou vários dias. Isso faz com que ela não compreenda que aquela punição que está tendo é consequência do comportamento anterior.

Conheça algumas dicas para ajudar no comportamento da criança.

Justiça

Avalie o comportamento de seu filho para garantir que um castigo realmente é necessário. Muitas vezes, uma conversa mais séria basta.

Essa avaliação é muito importante não só para a criança não se revoltar, mas também porque castigo demais perde o sentido. Isso porque a criança acaba “se adaptando” com uma vida de castigos sem fim. Com isso, a punição acaba se tornando algo banal e que não tem efeito nenhum sobre seu filho.

Além disso, garanta que a punição esteja na proporção do comportamento da criança e não na proporção da sua raiva.

Duração do castigo

menino sentado no chão triste

Crédito: Freepik

Castigo com duração muito extensa não costuma funcionar. Apesar de muitas mães acreditarem que deixar a criança por muuuuuito tempo de castigo a faz “entender melhor” a lição, os especialistas afirmam que isso não é verdade.

Alguns especialistas contam, ainda, que castigos mais curtos têm melhores efeitos. Isso porque a criança passará pela experiência ruim e se lembrará da razão daquela experiência. Por exemplo, digamos que a criança se comportou mal e você quer fazer uma punição positiva com ela (como a deixar no cantinho do castigo). Veja o efeito sobre ela:

  • Se ela ficar poucos minutos, vai pensar sobre o ocorrido e vai perceber que o comportamento X levou à punição Y e que essa punição não foi prazerosa, então ela não vai querer repetir.
  • Se ela ficar muito tempo, vai pensar sobre o ocorrido e sobre a punição. Entretanto, depois de um tempo (bem pouco!) ela vai se distrair, seja com os pés e pernas, seja com uma mosca na parede ou com qualquer outra coisa. Sua cabecinha vai se distanciar do comportamento ruim e, quando ela sair de lá, é possível que nem se lembre que era para aquilo ser uma experiência ruim.

E se eu quiser usar o outro tipo de castigo?

Entretanto, talvez você lembre que a punição negativa costuma ser mais eficaz. Por isso, é possível que você opte por deixar a criança sem vídeo game por um tempo. Veja o possível efeito disso:

  • Se a criança ficar algumas horas ou um dia sem o vídeo game, ela associará aquela falta ao comportamento ruim. Com isso, as chances dela aprender que o comportamento Y é “ruim” são bem altas
  • Entretanto, se a criança ficar muitos dias (ou semanas!) sem o vídeo game, chegará um momento em que a criança não vai mais lembrar da razão da punição. Além disso, nesses casos é comum a criança se revoltar ou burlar o sistema do castigo (por exemplo: jogando vídeo game na casa de um colega)

Por isso, o castigo com duração menor e mais pontual é mais eficaz. Isso porque ele garante que a criança receberá a lição e se lembrará do motivo que levou àquela situação desagradável.

Ameaças precisam ser cumpridas

mãe repreendendo criança

Crédito: Freepik

Tome muito cuidado para não ameaçar algo e não cumprir. Se você disser que ela ficará sem o celular por 3 dias, não adianta chegar no segundo dia, com peso na consciência, e devolver o aparelho. Esse é um dos equívocos mais comuns na educação dos filhos, de acordo com muitos especialistas.

Seu filho precisa acreditar na sua palavra. Isso porque, se ele não acreditar que será punido, não terá nenhuma razão para não se comportar mal. Por isso, a firmeza é essencial na educação dos filhos. Entretanto, cuide: firmeza não é sinônimo de dureza, injustiça ou violência.

Tome muito cuidado com as ameaças que fizer. Lembre que você precisará cumprir.

Tome ainda mais cuidado com os choros e com as chantagens emocionais das crianças. Se a criança perceber que consegue “te comprar” mostrando sofrimento, ela tentará aplicar essa estratégia sempre, para evitar o castigo. A dica dos especialistas é não voltar atrás depois depois de anunciar o castigo. Vá até o fim, mesmo que seja difícil. Se você perceber que foi demais, aprenda com isso e pegue mais leve no futuro, mas não quebre a palavra no meio do castigo.

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