A amamentação em livre demanda é um assunto polêmico. Muitas mães têm dúvidas de qual modelo seguir: amamentação agendada ou amamentação em livre demanda?

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Ministério da Saúde (MS), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o Conselho Federal de Nutrição (CFN), a amamentação em livre demanda traz mais benefícios tanto para o bebê quanto para as mulheres.

Veja aqui o que é a amamentação em livre demanda, quais os seus benefícios e quais as contraindicações. Boa leitura!

O que é amamentação em livre demanda?

Amamentação em livre demanda

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De forma resumida, a amamentação em livre de demanda diz respeito à forma como a mãe decide alimentar o seu bebê. Este modelo de amamentação dispensa preocupações com o relógio, porque a mãe ofertará o peito apenas quando o seu bebê desejar. Dar de mamar para o bebê, quando ele quiser, é sinônimo de amamentação em livre demanda.

Além de não existirem horários pré-definidos, é o bebê também quem irá definir a quantidade de leite ingerida. Estudos demonstram que esse modelo de amamentação traz inúmeros benefícios para a mãe e para o bebê, principalmente porque é baseado no ritmo de cada um e não em recomendações pré-definidas.

Benefícios da amamentação em livre demanda

Uma série de pesquisas apontam para os benefícios desse tipo de aleitamento, principalmente nos primeiros meses de vida.

Veja aqui quais são os principais benefícios para a mãe e para o bebê, de acordo com a ciência.

Para a relação mãe-bebê

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A mãe, o bebê e a relação mãe-bebê são beneficiados por este tipo de amamentação.

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A relação mãe-bebê se fortalece com a amamentação em livre demanda porque ela facilita o desenvolvimento da comunicação entre a mulher e seu filho. Alguns estudos que investigam a construção do vínculo entre mães e seus bebês recém-nascidos apontam que famílias onde a livre demanda foi o tipo de amamentação escolhida costumam ter, futuramente, menos conflitos familiares. Apesar de não ser um regra, esses estudos costumam mostrar que o maior ganho é durante a infância da criança e o início da adolescência.

Para a mãe

Além da relação mãe-bebê, este tipo de amamentação também gera uma série de benefícios para a mulher. Uma das vantagens mais consolidadas nesse tema é o auxílio na produção do leite materno. Ofertando leite de acordo com o desejo do bebê, é comum que a mãe dê mais mamadas à criança ao longo do dia, mesmo que o bebê consuma quantidades menores de leite por vez. Essa alta frequência de “pegas” do bebê contribui para o organismo da mulher permanecer produzindo leite novo. Quanto mais leite mamado, mais leite produzido pela mulher.

Outros estudos também mostram que o fato dos seios serem esvaziados com frequência ajuda na saúde materna. De acordo com essas pesquisas, o seios ficarem vazios com regularidade contribui para a proteção da mulher em relação ao ingurgitamento mamário.

Além disso, a amamentação em livre demanda também é uma proteção natural contra uma nova gestação – ao menos durante o período do aleitamento materno exclusivo. Essa proteção costuma acontecer porque o ciclo menstrual da mulher não costuma voltar totalmente ao normal durante este tipo de amamentação. Ou seja, além da mãe, do bebê e da relação entre os dois se beneficiar com este modelo de aleitamento, a mulher também conta com uma proteção extra contra uma nova gestação. É muito importante ressaltar, todavia, que isso não é uma regra. Apesar de existirem estudos apontando para esse efeito, é fundamental que cada mulher seja acompanhada por profissionais qualificados após o parto, e que faça uso de contraceptivos adequados às lactantes, se for o caso.

Por fim, algumas pesquisas mostram que a amamentação em livre demanda costuma ajudar na prevenção de dores e do endurecimento da mama. É comum que essas dores e esse endurecimento sejam efeito do leite congestionado. Ou seja, a livre demanda garante que não haverá leite parado no seio e, portanto, os prejuízos dessa situação são prevenidos.

Dica de amamentação

Para que os benefícios da amamentação em livre demanda ocorram é importante que o bebê consuma todo o leite de uma mama antes de ir para a outra. Por isso, ofereça o leite do mesmo seio até que este esteja vazio, para apenas depois oferecer o outro. Esse cuidado garantirá que o bebê receberá o primeiro e o segundo leite da mama. Apenas quando o bebê recebe os dois leites, ele ingere todos os nutrientes necessários para o seu bom desenvolvimento. Isso porque o primeiro leite é mais líquido e tem mais água, então sacia melhor a sede do bebê, mas somente o segundo leite tem mais gordura e nutrientes, que ajudará a saciar a fome do pequeno e auxiliará no ganho de peso.

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Além disso, para os benefícios da mãe é importante que o seio fique vazio, e isso somente ocorre se o bebê consumir todo o leite de um seio antes de ir para o próximo.

Para o bebê

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O bebê que mama livremente desenvolve desde cedo habilidades de autoconhecimento, de relação com o próprio corpo e de saciedade/satisfação. Alguns estudos mostram que esses bebês têm seus riscos de obesidade e problemas alimentares reduzidos na adolescência e vida adulta.

Alguns pediatras afirmam que, quando o bebê mama quando e o quanto quer, ele não apenas está saciando sua demanda atual, mas também está aprendendo uma série de habilidades importantes para sua vida. Além disso, a amamentação em livre demanda também colabora para a redução da ansiedade do bebê. Alguns médicos pediatras afirmam que a ansiedade do bebê é um dos problemas mais comuns do período de aleitamento. Por isso, optar por um modelo de amamentação que reduza essa ansiedade é fundamental para o bom desenvolvimento da saúde do bebê e da relação mãe-bebê.

Por fim, a amamentação é um momento que se relaciona ao carinho, ao cuidado e ao conforto. Alimentação não é somente uma demanda fisiológica, porque está associada com toda a construção social e emocional do sujeito. Por isso, amamentar de acordo com o ritmo do bebê e com as condições da mulher contribui para a construção de um bom vínculo entre a criança e sua mãe. Isso, por sua vez, ajuda o bebê a se sentir amado, seguro e protegido.

Contraindicação da amamentação em livre demanda – Quando ela não é indicada?

Apesar de todos os benefícios da amamentação livre, existem casos em que a melhor indicação é regular a alimentação do bebê pelo relógio. Por isso, é muito importante que a mãe e a criança sejam acompanhadas por profissionais competentes desde o princípio.

Alguns estudos apontam que bebês que dormem por muitas horas seguidas não são indicados para se alimentarem em livre demanda. Isso acontece porque as longas horas de sono podem afetar a alimentação do bebê, que não acorda para mamar na frequência necessária. Nesses casos é importante que a mãe desperte o bebê e ofereça leite, mesmo que ele não queira.

Outro cenário no qual a amamentação livre também pode não ser a melhor alternativa diz respeito aos bebês que não estão ganhando peso de forma adequada. Pode ser que a dificuldade no ganho de peso seja efeito das horas dormindo e da pouca regularidade das mamadas, inclusive. Seja por qual for o motivo, estipular uma rotina de mamadas pode ser importante para o melhor desenvolvimento do bebê, principalmente nos primeiros meses de vida.

Bebês que estejam saudáveis e se desenvolvendo adequadamente só têm benefícios com a amamentação em livre demanda, assim como suas mães. Lembre-se: é fundamental que a mãe e o bebê sejam acompanhadas por profissionais competentes e de forma adequada.

Desafios da amamentação em livre demanda

 

 

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Apesar da recomendação de que a mãe oferte exclusivamente leite materno até os seis meses de vida, há uma série de levantamentos e estudos brasileiros que mostram o quanto nosso país está longe dessa realidade.

Dados levantados no ano de 2016 pelo Ministério da Saúde (MS) mostrou que apenas 14% das mães forneciam o aleitamento materno exclusivo até os 2 meses de vida. De acordo com o mesmo documento, o restante das mães já entre o primeiro e segundo mês ofereciam outros alimentos, como água, chás e papinhas. Posteriormente, no ano de 2018, o Ministério fez um novo estudo, que demonstrou que o número de mulheres que conseguiram dar apenas leite materno até os 2 meses de vida do bebê aumentou para 20%.

Apesar do avanço, o Brasil ainda está muito distante do ideal. O número de mulheres que alcançam o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida é tão baixo que, em termos estatísticos, não tem relevância, sendo menor que 1% da população do país.

Diferente do que é desejado, as mulheres têm muitos desafios e muitas dificuldades para manterem a amamentação. Um dos desafios mais comentados pelas mães diz respeito às rachaduras e às dores ocorridas nos seios, que cotumam fazer as mulheres desistirem rapidamente da amamentação. Além disso, as mulheres também são demasiadamente cobradas pela família e pela sociedade para darem conta de tudo. Essa aceleração do ritmo cotidiano dificulta que as mulheres possam optar pela amamentação em livre demanda – afinal de contas, quem tem condições de ficar 24 horas do dia disponível para os sinais que o bebê dará de fome?

Por fim, mas definitivamente não menos importante: as mães costumam estar física, mental e emocionalmente cansadas. Isso dificulta em muito que a mulher consiga se fazer disponível do modo que a amamentação em livre demanda exige.

O que fazer com isso?

Apesar de todos os benefícios, é muito importante que as mulheres tenham apoio nesse momento, para conseguirem dar conta de toda a demanda dessa fase. Uma saída interessante para essas situações é a mulher localizar e fortalecer as suas redes de apoios, e que as pessoas e instituições não as cobrem como mulheres-maravilhas, e que se façam presentes para ajudarem no que for possível.

O que achou desse conteúdo? Está passando pelo período de amamentação? Deixe um comentário com a sua experiência.