Será que somos uma geração de pais mimados demais?

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E se, de cara, dissermos que tudo indica que somos uma geração de pais mimados demais? E não vale dizer que não se identifica com isso ou continuar a leitura desse texto apenas com o intuito de reforçar pensamentos julgadores sobre os outros. Nós precisamos reconhecer: de um jeito ou de outro, todos estamos incluídos nessa onda e somos sim mimados demais.

Somos a geração do “eu sei o que é melhor para o meu filho”. Temos acesso a todo tipo de informação e caímos na ilusão de que isso substitui a interação humana. Somos uma turma que vive fechada em suas próprias casas, validando mais as trocas virtuais do que as experiências em carne e osso. Trocamos as conversas nos espaços públicos pela atenção exclusivamente dedicada aos nossos celulares. Precisamos dos confetes das redes sociais entregues em forma de coração ou joinha.

Vivemos em uma correria que simplesmente não combina com o compasso que a infância deve ter – com tudo a seu tempo, cada um no seu ritmo, em conexão com a natureza, sem estímulos precoces e objetivos precipitados. Vivemos cansados e, para aliviar esse esgotamento, tantas vezes afrouxamos limites absolutamente necessários.

pais mimados

Imagem:123RF

Somos pais que tratam a relação com a escola como uma relação comercial. “Eu pago, eu exijo!” é um lema que, muitas vezes, dita o tom de uma dinâmica que, para ser saudável, precisaria obrigatoriamente ser de parceria. Queremos que as escolas eduquem por nós, que resolvam dilemas e conflitos intrínsecos ao crescimento de qualquer indivíduo. Buscamos culpados pelas dificuldades que enfrentamos na criação dos nossos filhos porque sofremos só de pensar que muitos problemas podem ser resultantes da nossa ausência.

Não nos abrimos a diálogos que coloquem nossas escolhas sob análise – com o professor, com o pediatra, com o nutricionista, com outros pais. Ou, quando topamos a conversa, não realizamos uma escuta verdadeira. Rejeitamos as ideias que nos confrontam, que nos tiram da zona de conforto, que nos convocam a ações delicadas e trabalhosas. Quer ver um exemplo? Chamamos de radicais quem insiste em dizer que açúcar e telas em excesso fazem mal – mesmo sabendo que fazem mesmo! –, porque não queremos que ninguém nos aponte dedos.

Temos pavor de que os nossos filhos se frustrem. Pior: fazemos de tudo para evitar choro, birra, chilique e até uma argumentação mais enfática, principalmente em público. Se, para isso, for preciso presentear além da conta e ofertar incontáveis guloseimas, que assim o seja! Tudo em nome do nosso grande amor, que precisa ser poupado e não pode nos desgastar com a enorme chateação de ter de repetir/advertir/ensinar/entreter o tempo todo. E, aqui, cabe questionarmos: e ter filhos não implica em se comprometer a fazer tudo isso?

Mas, dessa vez, podemos fazer diferente. Não vamos nos justificar. De vez em quando, temos sim de aguentar o tranco e aceitar a bronca. Somos uma geração de pais mimados demais. Batalhamos bravamente para oferecer “o melhor” aos nossos filhos e, nessa busca tão abstrata, queremos que o mundo ao redor nos dê garantias de que estamos no caminho certo. Queremos afago, aprovação, mimos. Não suportamos a ideia da falha, da frustração, dos sonhos não realizados… Mas chega de anestesia e de ilusão. Não há garantias e o primeiro passo para deixarmos de ter um comportamento café-com-leite é aceitarmos: somos uma geração de pais mimados demais.

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