Violência nas telas: será que os heróis são mesmo bons exemplos?

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Acompanhar o conteúdo a que os nossos filhos têm acesso é fundamental – ainda mais atualmente, quando a variedade de atrações infantis é enorme! E um dos cuidados que muitos pais têm nesse sentido é: oferecer conteúdo que traga bons exemplos às crianças. Quando falamos nisso, muitos podem pensar nos super-heróis como ótimas fontes de inspiração de coragem e justiça. Será?

Recentemente, a Academia Americana de Pediatria revelou um estudo que mostra que, nos filmes de super-heróis, muitas vezes os mocinhos (protagonistas) são mais violentos do que os próprios vilões. A constatação pode parecer estranha, mas veja o levantamento: de acordo com a pesquisa, que analisou 10 filmes de super-heróis lançados entre 2015 e 2016, foi registrada uma média de 23 atos de violência por hora associados aos mocinhos dos filmes, em comparação com 18 atos violentos por hora para os vilões.

Imagem: 123RF

Mais uma constatação foi a de que os filmes mostraram personagens masculinos envolvidos em mais atos violentos (34 por hora, em média), do que femininos, que encenaram uma média de 7 atos violentos por hora.

Entre os atos de violência, os mocinhos protagonizaram principalmente cenas de combate (1.021 atos totais). Também se envolveram no uso de uma arma letal (659), destruição de propriedade (199), assassinato (168) e intimidação (144). Já para os vilões foi um pouco diferente. O ato mais comum foi o uso de uma arma letal (604 atos totais), combates (599), intimidação (237), destruição de propriedade (191) e assassinato (93).

O que fazer?

A dica para que as crianças não sejam incentivadas pelos atos violentos dos heróis é justamente a do início do post: que os pais acompanhem o conteúdo a que os pequenos têm acesso. E, principalmente, que compartilhem isso juntos.

O pediatra e homeopata Moises Chencinski afirma o seguinte:
“Ao assumir um papel ativo no consumo de mídia de seus filhos, mediando esse processo, os pais ajudam seus filhos a desenvolver o pensamento crítico e os valores”.

De acordo com o profissional, o caminho não é a proibição, mas o diálogo. “Para ajudar a neutralizar a influência negativa que os filmes de super-heróis podem ter sobre as crianças, as famílias devem assistir aos filmes juntas e conversar sobre a violência vista nas telas. A questão não seria proibir as crianças de assistirem os filmes de super-heróis, mas sim, discutir as consequências desta violência com seus filhos.”

Vamos então incentivar a reflexão depois da próxima sessão de cinema? A atitude pode evitar interpretações equivocadas dos pequenos, que podem pensar, a princípio, que tudo o que os heróis fazem é bom. Claro que esses personagens têm muitas qualidades (que devemos reforçar às crianças), mas apontar que o caminho da resolução de problemas pode ser outro, que não a violência, é fundamental (e pensar em estratégias juntos pode ser um exercício divertido!).


 



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