Seu filho está preparado para surpresas?

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“Com o passar do tempo, a gente vai ficando macaco velho”. Ou melhor, macaca, se for mãe. Com isso quero dizer que vamos ganhando experiência perante aos imprevistos. Vamos percebendo que nem sempre as coisas acontecem como imaginamos, e que as surpresas da vida ocorrem quase todos os dias – é só prestar atenção. Pode ser uma chuva fora de hora (e você que tinha olhado o céu azul saiu de casa sem o guarda-chuva). Pode ser um caminhão parado no meio do caminho, que te atrasa cinco minutos para a reunião a que você havia saído pontualmente. E pode ser também o afastamento de alguém querido (pois infelizmente não temos o poder de ter para sempre a proximidade das pessoas que amamos).

Quando eu era criança, não tinha essa percepção: parecia que o mundo era exatamente aquilo que deveria ser. E quando não era, eu olhava para meus pais se virando diante das dificuldades, e, como num passe de mágica, eles tornavam o inesperado algo sob controle. Hoje, como mãe, vejo que sou capaz de fazer isso com a Cacá: se eu levo um choque, mas olho firme em seus olhos, se seguro em seu ombro, ela me devolve aquele olhar de que sabe que ficará tudo bem. Ela acalma, enquanto eu sinto o peso da responsabilidade de ser seu porto seguro.

menino triste
Imagem: 123RF

Hoje quis falar sobre essas surpresas porque elas têm sido frequentes em nossas vidas. Outro dia mesmo trouxe três amiguinhas da escola da Cacá para uma festa do pijama, e vi como aquela turminha era bacana. Elas já estudavam há dois anos juntas, e eu já torcia para que caíssem na mesma classe nesse ano também. Até que, um mês depois, veio a notícia de que das três, apenas uma permaneceria na escola. Para piorar, a melhor amiga de Catarina, que era uma das meninas em questão, não só mudaria de colégio como também de cidade. Foi um baque, uma choradeira, até que a pequena aprendesse a lidar com o sentimento da futura perda (que só está acontecendo agora, pois nesse exato momento ela está na despedida da amiga).

Enfim, o tempo passa e começamos a perceber que não controlamos as coisas. Que às vezes fazemos planos que nunca se cumprirão – simplesmente porque eles não dependem apenas de nós. Assim, a vida passa a ser um exercício de adaptação: nossos sonhos precisam ser transformados, aparados ou mesmo totalmente remodelados para caberem no que o universo nos oferece.

Pensando sobre o assunto, percebi que as pequenas surpresas da vida, durante a infância, nos preparam para as grandes. Para a notícia de uma doença na família, que mexerá com a rotina de todos, por exemplo. Ou talvez para o rompimento de um namoro que você considerava estar sólido suficiente para acabar em casamento.

Mas tem algo que eu acredito que podemos mostrar para os nossos filhos desde pequenos: que assim como as surpresas doídas ocorrem, as alegres também aparecem. Coincidentemente Cacá ganhou uma nova amiga com quem estabeleceu uma afinidade incrível no último mês. E até eu ganhei uma nova amizade, a mãe dessa menininha.

Não temos como evitar as surpresas da vida – aliás, sem elas, os dias seriam bem chatos. Mas quanto maior for a certeza de que o que importa está dentro, e não fora, mais facilmente aceitamos aquilo que nos é oferecido (que eu acredito nunca ser por acaso). Você pode dar o nome que quiser a isso, mas eu chamo de fé – e como é fundamental transmitir isso aos nossos filhos.

Que nesse ano possamos ter muita fé na vida. Fé de que o melhor acontece para cada um, mesmo que no momento você não entenda o motivo daquele aprendizado. Fé de que as surpresas tristes também passam – porque TUDO passa. E fé de que há sempre uma surpresa feliz te esperando no fim do caminho. Aliás, há várias delas espalhadas PELO caminho.

P. S. – Falando em surpresa, amanhã nós aprontamos uma das grandes para Cacá. Ela acredita que estamos indo viajar para Gramado, quando na verdade… Se você acompanhar nosso Instagram, descobrirá para onde nós fomos de verdade!


 



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