Por que mães são miseráveis?

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Sabe aqueles dias em que você sente uma dorzinha no coração, mas não entende muito bem de onde ela vem? Você olha para seu filho e vê que ele está saudável, se desenvolvendo bem. Você olha para o seu marido e percebe que tem um bom homem ao seu lado. Você olha para sua casa, e observa que está tudo no lugar, apesar da bagunça das crianças. Enfim, está tudo bem, mas aquela dorzinha continua ali.

Imagem: 123RF

Ontem eu estava me sentindo assim, procurando a causa desse desconforto. E foi quando me deparei com um vídeo do YouTube cujo nome me chamou bastante a atenção: “Por que as mães são miseráveis?“. Ops, uma pontinha de curiosidade acendeu em minha cabeça, e parei para assistir. Engraçado como a resposta para algumas dúvidas podem cair bem no nosso colo quando menos esperamos.

Nesse vídeo, uma psicóloga americana contava que atendia muitas mães em seu consultório. E que na maior parte das vezes, essas mulheres tinham queixas comuns – sobretudo cansaço e solidão. Todas nós, mães, que já passamos pela fase de ter um recém-nascido em casa, sabemos como a rotina pode ser exaustiva. Não é fácil acordar cinco vezes durante a noite para amamentar, ter que engolir o fim da comida porque o bebê chorou. Sim, todas nós entendemos muito bem o significado da palavra cansaço, depois do nascimento do filho.

E a solidão? Essa mesma psicóloga dizia que não conseguia entender suas pacientes. Claro que nos primeiros meses do bebê, quando ficamos em casa (sem sair pela fragilidade e pouca defesa imune do filho), é normal que nos sintamos sozinhas. Mas e depois, quando passamos o dia entre levar o filho para a escola, buscar, trabalhar, atender às necessidades da casa, do marido, dos próprios pais? Há espaço para solidão nessa rotina corrida?

Pois é, o erro é acharmos que não. E a psicóloga do vídeo disse que só percebeu que ela existia, quando passou mal e acabou no pronto-socorro. Depois de uma hora inicial de estranha alegria (depois de muito, muito tempo, as pessoas estavam cuidando DELA! Ela não precisaria cuidar de tudo daquela vez: colocar as crianças no banho, levá-las para a cama, fazer o jantar, lavar a louça), ela caiu na real. Percebeu que estava doente e então se perguntou: para que amiga vou contar que estou aqui? Quem realmente se importaria comigo nesse momento? E foi aí que entendeu o quanto se sentia sozinha.

Procurando respostas para essa solidão, que parece ser a marca registrada da maternidade (algumas mães a sentem com maior intensidade, outras menos – mas a grande maioria sente), ela encontrou algumas boas razões. E a principal delas é que nós, mulheres, precisamos nos conectar com outro ser humano diariamente. Diferente dos homens, temos a necessidade de um abraço, de uma conversa olho no olho. Enfim, precisamos de uma grande amiga.

Durante a infância e a adolescência, a figura da melhor amiga é importantíssima para toda mulher. Muitas vezes mais importante do que irmãos, avós, tios… Então, quando nos casamos, e sobretudo quando temos um filho, deixamos essa melhor amiga de lado. Nossa rotina se torna tão louca (e a dela também), que parece não haver mais espaço no nosso dia a dia para essa relação.

Só que essas amigas nos fazem falta. E muita. Antigamente, as mulheres da família acabavam convivendo de maneira próxima, pois também moravam juntas – na mesma casa, ou no mesmo bairro. Tínhamos essa rede de apoio, para cuidar dos filhos, mas que também era uma rede afetiva de suporte para nós, mães. Tínhamos um ombro amigo, alguém que, pelo convívio, dava importância à nossa vida. Porque quando alguém gosta de você, indiretamente diz que você tem importância. Que a sua vida vale ser vivida.

Mas e agora? Muitas vezes moramos longe da mãe, da irmã, da amiga de infância, ou da faculdade. Gastamos duas horas diárias nas redes sociais, vendo fotos de pessoas que conhecemos ao longo da vida, ou com quem nos identificamos sem nunca ter visto pessoalmente. Só que não pegamos o telefone para ficar dez minutos com uma amiga. O dia passou e podemos ter deixado de compartilhar uma história interessante com ela, uma queixa, uma angústia.

Enfim, no fim do vídeo essa psicóloga concluía que, se as mães reservassem alguns minutos do seu dia para falar com uma amiga, algumas diárias semanais para encontrá-la, essa profissional teria a metade do número de pacientes que atende. Sim, ela acredita que as mães seriam muito mais felizes.

Então fica sendo essa a grande dica do dia. Aproxime-se novamente das suas amigas. Descubra novas amizades, mesmo que seja por meio do seu filho – a mãe de um coleguinha pode se tornar uma grande companheira sua. Essas relações te mostrarão frequentemente que você não está sozinha nesse mundo (mesmo tendo no marido um companheiro, há questões que só uma outra mulher entende).


 



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