Acho interessante quando a vida nos dá a oportunidade de conhecer pessoas diferentes, com as quais, muitas vezes, só temos alguns minutos de contato, mas que podem mudar a forma como vemos certas coisas. E recentemente aconteceu exatamente isso por aqui: minha casa precisava de uma vistoria, que fazia parte do processo de mudança, por isso recebi um senhor que veio conhece-la.

Quando ele chegou, começou a percorrer os cômodos do apartamento, anotando tamanhos, medidas, o que estava fixo e quais móveis seriam levados. E ao olhar um umidificador que tenho no quarto de Catarina, ele me perguntou se eu gostava do produto. Comentou que tinha uma filha pequena, com problemas respiratórios, e achava que poderia ser útil para sua saúde.

Imagem: 123RF

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Respondi que uso muito com Cacá, que, especialmente nas épocas secas, ele ajuda bastante a manter uma boa qualidade do ar. Foi então que nosso diálogo sobre filhos começou: perguntei quantos anos tinha a filha dele, e, coincidentemente, era a mesma idade de Catarina: 5 anos.

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Assim que contou a idade da filha, ele comentou: “mas ela é especial, é diferente”. Mas a imagem que eu fiz, naquele momento, era de uma menininha sobretudo feliz, independentemente do seu grau de desenvolvimento. Papo vai, papo vem, outra coincidência: assim como eu, sua esposa era também dentista, mas “havia largado tudo para cuidar da bebê”. E eu pensei: pois é, mudei minha vida quando Catarina nasceu, imagino que a mulher dele tenha feito o mesmo, para acompanhar de perto sua pequenina.

Quando ele estava indo embora, parou para ver alguns desenhos da Cacá, que ficam grudados na parede. Um senhor muito sensível, dava para ver que estava emocionado. Foi então que eu comentei: “elas crescem e vão ficando tão lindas, não é mesmo? Tão curiosas, divertidas, amorosas…”.

Foi então que esse senhor me respondeu algo muito difícil de escutar: “eu não sei. Minha filha não fala, não anda, comunica-se conosco apenas através de sua respiração. Vemos quando ela está preocupada, ou triste, porque fica ofegante, e minha esposa custa a acalmá-la. Minha mulher passa o dia cuidando dela, dando remédios, tomando cuidado para que sua oxigenação se mantenha bem. É muita, muita dedicação mesmo”.

Sabe quando a vida te dá um soco da cara? Mas daqueles bem dados, que você demora algum tempo para assimilar? Há dias eu vinha reclamando de coisas tão pequenas: da compra do novo apartamento, que não tinha dado certo, do cansaço ao fim do dia, depois de trabalhar tanto. E diante daquilo, meus problemas eram tão pequenos! Eu me sentia tão abençoada por ter uma filha saudável, alegre, companheira!

Fiquei meio atordoada. Mas ainda assim consegui dizer: “nós aprendemos muito com elas, não é mesmo? É um amor sem fim”. Então ele acenou com os olhos, como que dizendo: “sim, o maior amor do mundo”.