Se você é mãe, provavelmente já se questionou sobre sua vida profissional pós-filhos. Não é fácil equilibrar chefe, horários fora de casa e cuidados com os pequenos, o que faz com que muitas mulheres deixem seus empregos após o fim da licença-maternidade. Por aqui essa reavaliação do que eu queria ter como trabalho, depois que Catarina nasceu, mudou completamente minha rotina: eu, que me formei em Odontologia e trabalhei mais de dez anos na área, me vi deixando a profissão, para produzir conteúdo em casa. Eu queria estar perto da filhota, ter mais flexibilidade, ser dona do meu nariz. Pois é, hoje posso dizer que consegui, mas que isso tem um preço (e ele não é pequeno).

Imagem: 123RF

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Se vocês me perguntarem se tenho vontade de deixar o home-office, diria que isso não passa por minha cabeça (pelo menos por enquanto). Adoro fazer meus horários, poder levar a pequena à natação, ao ballet, à escola, e voltar para o meu cantinho, sem pegar muito trânsito. Amo ter as manhãs para ficar com a filhota, mesmo sabendo que terei que me “virar nos 30” para fazer tudo o que preciso no período em que ela está no colégio (e que o computador me fará companhia nas madrugadas, porque meu turno de trabalho só termina nessa hora).

Mas o mais difícil mesmo para uma mãe que trabalha em casa é quando um filho fica doente. Porque os poucos momentos que você normalmente tem para produzir simplesmente vão para o espaço! Você se pega respondendo e-mails entre uma inalação e outra, falando ao telefone enquanto nina o filho no carrinho, no berço ou no sling. Isso sem falar no chorinho que interrompe as conversas, na febre que te faz parar tudo, nas noites completamente insones (porque quando o pequeno, enfim, dorme, você corre para conseguir entregar o que tem prazo apertado).

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Ser uma mãe que trabalha em casa é praticamente nunca ter folga. É ver o filho, por vezes, fechar seu computador, na briga por atenção. É perder horas (ou dias!) de produção, porque o filhote desenhou ou rasgou uma parte importante do projeto. É, quando a coisa aperta, pedir que alguém fique com o pequeno, fingindo sair pela porta para se trancar em um cômodo da casa.

Tem gente que diz que consegue se organizar, que faz home-office e não mistura trabalho e maternidade. Eu não consigo (e acho que não é tão fácil quanto parece). Mas isso não quer dizer que você não consiga produzir tanto ou mais do que alguém que trabalha fora de casa. O segredo é ter disciplina, aprender a não perder tempo e ter muito, muito foco. Ah, e, claro: dormir algumas horas a menos!