Vou pedir licença a vocês para compartilhar algo muito pessoal no post de hoje. Por aqui estamos pensando em mudar de casa; ou melhor, tomamos essa decisão e acredito que, em poucos meses, estaremos morando do outro lado da cidade.

Aqui em São Paulo, mudar de bairro é praticamente como mudar para outro município. Não, não é exagero: o trânsito é tamanho, que dificilmente você consegue manter suas atividades nas proximidades da casa antiga. Não mudam apenas os vizinhos, os amigos do prédio, as crianças que você está acostumada a ver todos os dias, e que viu crescer nos últimos anos. Mudam também a padaria, o açougue, o supermercado, e até a escola do seu filho.

Imagem: 123RF

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Por isso eu não me engano: Catarina sentirá muita saudade dos anos em que viveu aqui. Sentirá falta de brincar entre as árvores no fim do dia, junto com os amiguinhos que gritam seu nome, até que ela apareça na varanda e diga que vamos descer. Sentirá falta dos meninos que conhece desde que nasceu e que moram na porta ao lado da nossa, e que a fazem rolar de rir com suas brincadeiras. Sentirá falta dos pés de jabuticaba, que ela acompanha de perto, para não deixar a fruta madura escapar. Sentirá falta dos caminhos mágicos que ela inventou, dentro do condomínio, e que para ela são absolutamente secretos.

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Ainda não falamos mais concretamente sobre a mudança da escola, mas me dói no fundinho do coração todas as vezes em que ela chega em casa e diz como está feliz lá. E mesmo sabendo que no ano que vem ela terá que deixar o espaço (pois eles só têm educação infantil), me dá uma pequena (enorme) tristeza pensar que poderemos antecipar a despedida.

Todos me dizem que as crianças se adaptam rapidamente, que em pouco tempo ela terá novos amigos, que mal perceberá a mudança. Mas me pego pensando se realmente os pequenos viram a página com uma facilidade maior do que a nossa, ou se só não sabem exatamente como verbalizar, o que faz com que seus sentimentos acabem passando despercebidos.

A cada dia que termina, sinto como se fosse um a menos nessa casa que nos fez tão feliz, nesses dez anos. Me despeço lentamente dela: o local que abrigou minha filha, quando ela chegou ao mundo. Dou adeus ao quarto que decorei com carinho, do jardim de flores que montamos em sua parede para que ela se sentisse rodeada de alegria. Da sala em que ela deu seus primeiros passos, do banheiro onde lhe dávamos banho, dos trajetos que seu carrinho sabia de cor, para fazer a filhota dormir.

Eu não gosto de despedidas, nunca gostei. Ao mesmo tempo, preciso sentir profundamente o processo de deixar para trás, vivenciá-lo entre lágrimas e sorrisos, para que fique bem resolvido. Não é fácil para mim pensar que vamos embora, mesmo que ainda demorem alguns meses para que isso aconteça (e mesmo querendo demais a mudança). Mas o que certamente mais me aflige é saber que minha filha vai sofrer, pelo menos por um tempo.

Talvez seja mais fácil do que parece. Talvez eu só esteja exagerando, como toda boa mãe.