Se você já teve um filho nos braços pela primeira vez, você sabe: nada pode ser tão mágico quanto essa sensação, e talvez nenhum medo, nesse momento, possa ser maior do que o de não ser capaz de ser uma boa mãe para ele.

A verdade é que todo mundo sabe que não é fácil ser mãe de primeira viagem (claro que há mães que se dizem absolutamente à vontade com seu novo papel, mas acredito que estejam longe de ser a maioria. Muito pelo contrário: se formos mais a fundo, veremos que restam poucas sem dúvidas, conflitos, sem receios ou culpas). Não é fácil ouvir o choro do filho e não ter a mínima ideia do que fazer para pará-lo. Não é fácil presenciar a primeira febre e não saber se é hora de correr para o pronto-socorro. Não é fácil ver a primeira crise de birra se formando, e ter a nítida sensação de que você não está sendo uma boa educadora em casa. Não é fácil perceber que seu filho não dorme (ou não come) direito, apesar de todos os seus esforços.

Imagem: 123RF

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E se não bastasse ter que enfrentar essas dificuldades, uma mãe de primeira viagem (ou de segunda, terceira, mas acredito que essas já estejam mais preparadas para enfrentar as interferências) precisa, ainda, aprender a lidar com os outros. Mas que outros? Com a mãe, com a sogra, com a irmã, com a amiga que já teve filhos… Até com a desconhecida que a olha na fila do caixa, enquanto seu filho insiste em jogar no chão tudo o que há na prateleira ao lado. Porque é claro que todas elas, mães experientes, têm algo para lhe falar – um conselho útil, uma opinião, ou mesmo um palpite que não foi solicitado.

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Recentemente tenho recebido muitas mensagens de mães que sofrem (e como sofrem!) com esses outros. Mães que se sentem tolhidas em seu direito de serem mães: porque há sempre alguém que (teoricamente) sabe resolver o problema de seu filho melhor do que elas. Sinto em suas mensagens algumas lágrimas, o orgulho de mãe-leoa atingido, e até mesmo medo de descobrirem que não são o que seus pequenos merecem. E, nessa hora, a única coisa que penso em dizer é: “não deixem! Sejam as mães que seus filhos precisam! Tudo bem se você não for perfeita, se você for “apenas” mãe, se não souber sempre o que fazer – esse é o caminho normal pelo qual todas nós passamos, até que, aos poucos, tudo começa a se encaixar”.

Sim, esse é um post para lembrar você, que acabou de ter um filho, sobre a força que acabará descobrindo aí dentro, e que será sua guia nos momentos difíceis. Mas também é um post para você, que já teve filhos há muito tempo, e que se esqueceu desse sentimento de fragilidade. Que ao invés de dizer que é uma grande besteira a alimentação que uma nova mãe decidiu dar ao filho (e que pode ser muito mais saudável do que era consenso há décadas), você possa criar receitas saudáveis para ajudá-la. Que ao invés de criticar o sono da criança (que não dorme bem porque “recebeu colo demais, mimo demais, ou porque não foi ensinado a dormir em qualquer lugar”), você seja a primeira a silenciar a casa, para oferecer um cantinho cheio de paz para essa mãe e seu filho. Lembre-se de quanto era necessária uma ajuda real, uma palavra de alento, alguém que tocasse seu coração dizendo que apesar de imperfeita, você era uma excelente mãe. E retribua agora, sendo tudo aquilo que um dia você precisou quando seu filho chegou ao mundo.