Recentemente uma leitora deixou um comentário no Facebook do blog, contando que havia tido um problema sério durante o parto de sua filha: a Síndrome de HELLP. Confesso que nunca tinha ouvido falar sobre o assunto, e por isso fui atrás de algumas informações para fazer esse post (e também tive a oportunidade de conversar com a Ana, que tão gentilmente dividiu toda a sua história).

Acho importante que muitas mães conheçam um pouco mais sobre essa síndrome, que acomete aproximadamente 0,4% das gestantes. Porque o problema é muito sério, e os sintomas parecidos com os desconfortos da gestação. Mas, se não detectada e tratada, a Síndrome de HELLP pode ser fatal para a mãe e o bebê – como foi o caso da personagem Diana, vivida por Carolina Dieckmann na novela Passione (Rede Globo) em 2010, em uma das poucas divulgações sobre o assunto. Na trama, grávida de sete meses, a moça foi levada às pressas para o hospital por apresentar fortes dores de cabeça, tontura e pressão alta. No episódio, o médico que a atendeu detectou a situação e explicou que ela a havia desenvolvido a partir de uma pré-eclâmpsia, ou seja, de uma hipertensão arterial desenvolvida durante a gravidez.

Imagem: 123RF

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Caso da vida real

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Assim como a personagem da novela, a leitora Ana passou pelo mesmo problema, mas, felizmente, ela e sua filha Laura conseguiram superá-lo com vida. Como na novela, Ana teve aumento de pressão e, além disso, dores na boca do estômago e bastante sede. Tudo isso com aproximadamente 28 semanas, antes de sua filha nascer. Segundo ela, esses sintomas foram relatados ao médico e feitos exames de rotina – e nada anormal foi detectado.

Já nas semanas anteriores ao parto da Laura, uma cesárea agendada, Ana conta que o desconforto aumentou. “Uma semana antes de minha filha nascer, comecei a me sentir muito indisposta, mas imaginei que fosse o calor forte e o inchaço, e achava que tudo ia passar. A minha pele começou a ficar com tom acinzentado e foi escurecendo. E na noite anterior ao parto, tive contrações a madrugada toda, mas também achei que fosse normal, pelo nervosismo que eu estava sentindo”, recorda. “Já fazia dias que eu mal conseguia comer por causa da dor de estômago e a sede era insuportável. Quando a Laura nasceu, ouvi o médico dizer que ela já tinha feito cocô e estava sofrendo. Entrei em pânico!”. Apesar disso, a pequena logo se recuperou e ficou bem.

Em meio a todos esses sintomas, infelizmente, o pior ainda estava por vir. Durante a recuperação, a pressão de Ana não diminuía e, ao levantar para o primeiro banho, se sentiu tonta, desmaiou e teve convulsão. E a sede e a dor no estômago permaneciam. Foi aí que uma médica identificou que se tratava de HELLP e a paciente foi encaminhada para a UTI.

 

O risco das consequências

Assim como aconteceu com a Ana, a síndrome pode demorar para ser descoberta – e esse é um fator de risco que complica o tratamento. Se o problema for agravado, a mãe pode desenvolver edema nos pulmões, insuficiência cardíaca e renal, hemorragias internas, acidente vascular cerebral ou ainda sofrer com o descolamento da placenta, o que pode levar à morte do feto. Já se o bebê sobreviver, ele pode desenvolver doenças como Deficiência de LHCAD, caracterizada por retardo no desenvolvimento e baixo peso corporal e tônus muscular.

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Por isso é fundamental que qualquer desconforto sentido durante a gestação seja avisado ao médico. “Prefira ser uma gestante manhosa, que quando sente dor ou mal-estar corre pro hospital. Eu acho que errei em ter absorvido muito aquele ditado ‘gravidez não é doença’ e querer ser forte demais e mostrar para os outros que estava bem”, relata Ana. Toda essa preocupação é necessária porque, afinal, quanto antes detectada, menores as consequências para a mãe e o bebê e as chances da doença ser fatal.

 

Prevenção

Não existe prevenção para a Síndrome de HELLP, pois até hoje não se sabe ao certo as causas do seu aparecimento. No entanto, mães que possuem doenças crônicas do coração e do rim, ou então diabetes ou lúpus, estão mais predispostas a ter o problema. O mesmo ocorre para as que sofrem com pré-eclâmpsia durante a gravidez (estudos apontam que cerca de 8% dessas pacientes desenvolvem HELLP). Nesses casos, a gestante deve fazer repouso e adotar uma dieta com pouco sal para manter a pressão em dia.

E vale lembrar da recomendação que vale para toda futura mamãe: independentemente do quadro, não deixe de seguir à risca as instruções do médico durante o pré-natal e manter uma rotina saudável durante a gestação. Esses cuidados, apesar de um pouco óbvios, são fundamentais para prevenir a HELLP e outras complicações sérias que podem afetar sua vida e a do seu filho.