Na semana passada eu presenciei uma série de discussões na fan page do Mil Dicas de Mãe no Facebook. Engraçado que eu pensava frequentemente: “puxa, que bom que essas brigas entre mães não acontecem por aqui!”. Mas bastou um ânimo mais exaltado, um assunto mais polêmico, para que eu visse manifestações que me deixaram muito triste, porque, no fundo, eu só enxergava mulheres que estavam tentando fazer o que consideravam o melhor para suas famílias (mesmo que essa não fosse a opinião da outra que lia aquele mesmo comentário).

Uma das brigas mais acaloradas aconteceu em função de um texto sobre sono, no qual uma mãe disse que estava procurando meios de melhorar a noite de seu bebê, já que ele acordava praticamente de hora em hora, há meses. Eu me coloquei no lugar dela, e imaginei o quanto deveria estar sendo difícil sua rotina: será que mesmo dormindo praticamente quatro ou cinco horas por noite, ela ainda teria que trabalhar durante o dia? Será que teria ânimo para executar suas tarefas? Como estaria seu casamento? Porque certa vez um pai me contou que quase deixou sua mulher nas mesmas condições, porque não suportava mais lidar com alguém tão nervosa. Parece o fim da picada? Claro que sim (porque é muito fácil se mandar – difícil é assumir o tranco e a parte que lhe cabe na criação do filho)! Por outro lado, pelo menos ele teve coragem de verbalizar (e de resolver o problema) o que muitos pensam, mas não falam – e quando a esposa percebe, o marido já está longe.

Imagem: 123RF

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E depois de pensar sobre tudo isso, eu não consegui entender como ainda tinha tanta gente que a julgava. Que dizia que seu desejo de fazer o filho dormir melhor era pura preguiça, ou falta de amor. Criticavam-na por não praticar criação com apego – porque o certo seria ela atender o filho sempre que ele precisasse, por quanto tempo fosse necessário. Sabem que eu até poderia ter pensado o mesmo? Afinal, Catarina tem 4 anos de idade e ainda me chama praticamente toda noite. E eu levanto (às vezes com toda a paciência do mundo, outras morrendo de vontade de voltar para a cama). Mas a questão é que eu nunca tive um bebê que me chamava de hora em hora (e mesmo que tivesse tido, não estou na pele da outra para saber o quanto aquilo afeta sua vida).

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A verdade é que, para mim, toda mãe merece respeito. Aquela que acorda várias vezes por noite e decide que será assim até que seu filho naturalmente não precise mais dela, a que decidiu levar o filho para a própria cama toda noite para resolver o assunto e também aquela que aplicou uma técnica de choro controlado porque não viu outra saída (mesmo que eu tenha decidido não fazer o mesmo com a minha filha). Merece respeito a mãe que decidiu ter seu bebê em casa, a que teve parto normal ou passou por uma cesariana no hospital – porque são mães da mesma forma, nem um pouquinho a mais, nem a menos! Merece respeito a mãe que amamentou até perder de vista, a que tentou a todo o custo e não passou dos primeiros meses (pois eu tenho certeza de que a pessoa que mais a cobra é ela mesma!), e aquela que viu seu leite minguar quando voltou a trabalhar o dia inteiro. Merece respeito a mãe que decidiu nunca mais voltar para o emprego, porque queria estar mais próxima dos filhos, e também aquela que rala de sol a sol, porque acredita que é dessa forma que seus pequenos terão uma vida melhor.

Julgar é fácil – basta se colocar como um exemplo de mãe a ser seguido. Mas, no fundo, todas nós não temos nossos problemas? Um filho que dorme mal, que só quer comer o que não deve, que responde para os mais velhos, que bate nos amiguinhos da escola, que não para de fazer xixi na cama – aquele pontinho que te deixa vulnerável, que te faz perguntar onde é que você está errando, e em relação ao qual tudo o que você deseja é receber uma ajuda sincera, ou simplesmente um ombro amigo de quem diz: “eu também passei por isso, e sei que melhora!”.

Por um mundo com mães menos “exemplares”, e mais compreensivas!