Assim que você recebe a notícia de que está grávida, aprende o que significa a palavra palpite. Já parou para pensar em tudo o que te “sugeriram” nessa época? As coisas que você estava comendo, mas que deveria evitar (sem nenhuma comprovação científica, claro!), aquilo que você deveria comprar (ou que já havia comprado, e que consideraram pura bobagem). Isso sem falar no parto: se você escolheu ter seu filho em casa é porque é uma completa maluca; se decidiu tentar o parto normal, mas seu filho estava previsto para o dia de Natal, “por que não marca uma cesárea uma semana antes?”. E se acabou passando por uma cesariana, sendo ela sendo prevista ou não, vai ouvir de muita gente que não sentiu na pele a verdadeira emoção de se tornar mãe (eu fiquei horas em trabalho de parto, senti todas as contrações possíveis e imaginárias, tentei o parto normal até o fim e não consegui – e se um dia alguém vier me dizer que sou menos mãe por isso, vai levar um olhar tão fulminante que periga virar pó na mesma hora!).

bebe com a mae

E quando o filho nasce, melhora? Ah, claro que não! Aí é que os palpiteiros de plantão fazem a festa. Você lembra dos primeiros dias do pós-parto? O bebê chega em casa, todo arrumadinho, com a saída de maternidade que você escolheu com todo o carinho. E aí você pensa: “o que é que eu faço agora?”. Então logo descobre que seus dias se resumirão a trocar a fralda, amamentar (e trocar a fralda de novo, porque no meio da mamada o filhote fez cocô) e colocar o bebê para dormir – dia e noite, sete dias por semana. E ajuda com as compras do supermercado, com as refeições, com a limpeza da casa (porque, obviamente, você mal tem tempo para tomar um banho, quanto mais para cuidar de tudo sozinha)? Ah, você pode contar nos dedos – de uma mão! –  quantas pessoas se oferecerão para dar. Assim como para ficar com seu filho por meia horinha, para que você consiga cochilar um pouquinho (só o suficiente para ter energia até o fim do dia), ou para ensinar qual é a melhor forma do bebê pegar o peito, para mamar direito.

O que acontece, muitas vezes, é que sobra palpite e falta ajuda! Se você tem pouco leite e vai precisar complementar as mamadas é porque não se esforçou e optou pelo caminho mais fácil (e quantas mães não choram nessa hora, pois fizeram o máximo que podiam e não conseguiram?). Se amamenta no peito, “tem que levar um paninho para cobrir fora em casa, hein?”. Até quando você está com o bebê no colo e com mais mil pacotes que precisa carregar, todos eles caindo pelo caminho, são poucas as pessoas que param para ajudar – em geral uma outra mãe que passou recentemente por isso e que consegue sentir no seu olhar o cansaço das noites não dormidas.

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Então chega o fim da licença-maternidade. Se você resolve que não voltará ao seu emprego, dizem que você é uma louca, coitada, que nunca mais conseguirá se reposicionar no mercado de trabalho. E se você volta, pior ainda: é egoísta porque só pensa em si mesma, e vai perder a infância do seu filho (aí sobe uma resposta na ponta da sua língua, mas como você é educada, respira fundo e engole seco. Mas a vontade que dá é pedir o endereço da santa criatura, para mandar as contas para lá).

Aí o filhote vai crescendo, e sempre vai ter alguém para dizer que é um absurdo que ele ainda durma na sua cama, ou que você deveria dar mais educação àquela criatura: “onde já se viu deixar um bebê jogar as coisas no chão?”. Sem falar nos palpites clássicos: “mas ele ainda usa fralda, com esse tamanho? Nossa, faz xixi na cama com essa idade?”. Mas e ajuda para saber como lidar com essas situações? E um ombro amigo para dizer que seu filho é absolutamente normal, e que você está fazendo o melhor que pode? Pois é, continuam sendo pouquíssimas pessoas que se prontificam a isso.

Mas sabe que isso tem um lado bom? Porque os palpites te obrigam a se definir como mãe, a descobrir o seu jeito próprio de cuidar do seu filho. De dar o peito, de colocar para dormir, de fazer a papinha, de impor limites, de dar carinho! É claro que não estou falando que você deva ignorar todas as opiniões alheias: muitas são exatamente a luz que você estava procurando! E a maternidade é sábia até nisso: com o tempo, você vai descobrindo como distinguir entre um mero palpite e a ajuda de que toda mãe precisa.