Vou contar um segredinho para vocês: eu tenho uma teoria (maluca) sobre o sono dos bebês. E quando li o texto da nossa colunista Michele Melão desse mês, eu me lembrei dela – talvez vocês me ajudem a confirmá-la ou refutá-la definitivamente. Pois aqui vai: eu sempre tive a impressão de que bebês que passaram por uma gravidez em que a mãe ficou mais paradinha (seja porque ficou em repouso, ou porque estava em um ritmo menos intenso, sem andar o dia inteiro para um lado e para o outro) têm a tendência a dormir melhor sem serem embalados. Já aqueles em que a mãe correu o tempo todo, parecem ter “se acostumado” ao balanço, e teriam maior dificuldade para aprender a dormir quietinhos no berço. Será?

Durante a minha gravidez, eu trabalhava em dois empregos. Imaginem então que eu não parava um minuto – e Catarina deve ter balançado bastante durante esses meses. Não sei se é coincidência ou não, mas eu tive muita dificuldade para fazê-la dormir sem embalar – e aí, vocês já sabem, ela não dormia de outra maneira. Pois é justamente sobre esses hábitos que criamos para o sono dos nossos filhos que o post de hoje fala. Será que você também, sem querer, alimentou associações para que o bebê dormisse e se arrependeu depois?

Por Michele Melão

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Esta semana uma cliente fez o seguinte comentário comigo depois de ouvir todas as recomendações para acertarmos os hábitos de sono do seu bebê de 5 meses: “essa aprendizagem de sono é para as mães, e não para os bebês!”. E pensando bem, é mesmo! Vocês já repararam, por exemplo, como mãe tem uma espécie de “carrinho” nos pés quando está com o bebê no colo? Dificilmente ficamos paradas – estamos sempre ninando, andando, embalando. Isso me motivou a escrever este texto para as leitoras aqui do Mil Dicas de Mãe, falando um pouco sobre 3 atitudes das mães influenciam e moldam o padrão de sono do bebê.

sono do bebe

Com a boa intenção de ajudar o bebê a dormir melhor, acabamos fazendo o papel dele, privando nosso filho de desenvolver a habilidade de se acalmar e dormir sozinho. É por isso que tantos bebês têm dificuldades para dormir, lutam contra o sono, choram muito, e a hora de dormir se transforma no pior momento do dia para toda a família.

E quais são estes hábitos que criamos? Vamos conversar sobre cada um deles:

1) Choro é Sinônimo de FOME

Um hábito que as mães têm e que pode se tornar um problema é achar que sempre que seu bebê chora é porque está com fome. Especialmente para as mães que oferecem leite materno, todas as necessidades do bebê são atendidas com o peito, inclusive a de dormir. Dormir e comer se tornam uma coisa só e isso pode até funcionar muito bem nas sonecas (geralmente os bebês dormem um ou no máximo 2 ciclos de sono), mas durante a noite tudo fica mais complicado. A mãe fica preocupada porque não consegue ter noção da quantidade de leite que o bebê tomou, o ato de sugar cansa e acalma o bebê e a associação está formada.

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A dica aqui é observar seu bebê. Eles não choram apenas porque estão com fome e, se você prestar bem atenção, conseguirá perceber a diferença até mesmo nos tipo de choro. Ele pode estar com dor, frio, com a fralda suja, algo na roupa pode estar incomodando ou com sono. Se seu bebê mamou há pouco tempo e está chorando, tente verificar as outras possibilidades para evitar que uma associação errada seja criada.

2) Meu Bebê só Dorme EMBALADO

Durante a gestação “embalamos” o bebê por muitas horas durante o dia. Enquanto andamos e fazemos nossas atividades, nossos filhos estão sendo chacoalhados o dia todo. E então paramos para dormir. Conheço vários relatos de mães que falam que os bebês começam a se mexer muito quando a mãe deita para descansar. Notem que mesmo dentro da barriga, eles já reclamam quando paramos de embalar! O bebê nasce e logicamente precisa de muito carinho, muito contato, muito abraço e muito colo também! Mas não é por isso que precisamos ninar o bebê até que ele adormeça completamente. Podemos, sim, embalar para que ele se acalme; podemos sentar com ele no colo em uma cadeira de balanço ou acalmá-lo no carrinho, mas é importante que o bebê adormeça no berço. Muitos bebês adormecem no colo e dormem a noite toda, mas grande parte deles ficam inseguros em adormecer em um lugar e acordar em outro. Por esse motivo, a dica para esta associação é conseguir fazer com que seu bebê adormeça no mesmo ambiente de sono que irá acordar a cada ciclo. E certamente eles acordam. O que precisa ser desenvolvida é a habilidade de voltar a dormir sem precisar do embalo e do colo da mamãe.

3) Meu filho só dorme COMIGO

Dormir perto do seu filho dá segurança para o bebê e principalmente para os pais. Nos primeiros meses, muitas famílias optam por deixar os bebês em bercinhos portáteis ou carrinhos ao lado da cama para amamentar, olhar, evitar que o bebê vire, recolocar a chupeta, etc. Tudo funciona muito bem. Entretanto, se a cama ou o quarto compartilhado não é a sua ideia para longo prazo, no máximo aos 4 meses o bebê deve ir para o quartinho dele. A partir do 3º mês de vida, os bebês percebem que são seres independentes da mãe e os hábitos de sono já podem ser trabalhados. Apesar da comodidade, é importante aos 3 ou 4 meses dar a oportunidade do seu bebê dormir no local correto, pois ele já é capaz de reconhecer e se acostumar com seu ambiente de sono.

Não há nada de errado com a cama compartilhada quando todos os aspectos de segurança são aplicados e quando todos conseguem dormir com qualidade. Esta solução pode ser ótima no começo, mas quando a cama começa a ficar pequena (e depois de algum tempo dormindo mal), muitos pais resolvem que o filho deve ir para outro ambiente de sono. Então fazer a transição pode ser um desafio.

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Algumas mães vão discordar das minhas colocações, porque acham delicioso dar colo ou peito para o bebê e ver que ele se acalma e adormece sem choro, sem protesto, como um anjo – e eu acredito que essas são alternativas maravilhosas, quando elas realmente funcionam. Ou seja, quando os pequenos adormecem assim e conseguem ter uma boa noite de sono, quando conseguem voltar a dormir por si mesmos e o sono faz seu papel de ajudar grandemente no desenvolvimento físico e psicológico.

Como culpa e mãe são praticamente sinônimos (e eu me incluo nisso!), algo que é muito importante saber é que, da mesma maneira que seu filho se acostumou com as associações erradas, ele também consegue se acostumar com um novo hábito. Eles aprendem tudo muito rápido; e com paciência, carinho e o uso das técnicas corretas, conseguimos melhorar demais o hábito de sono do bebê. Dormir não é só importante para descansar, mas também para crescer, aprender, fortalecer o sistema imunológico, evitar obesidade, se relacionar e muitos outros aspectos importantíssimos para a vida dos nossos filhos!

michele melão selo