Como vocês sabem, em fevereiro desse ano eu tomei a decisão de deixar um emprego público (no qual eu era concursada, aliás!) para ficar trabalhando apenas em casa e mais próxima de Catarina. Desde então muitas leitoras têm me escrito, dizendo que gostariam de ficar mais tempo com os filhos – algumas, inclusive, modificaram seu esquema de trabalho e hoje estão muito felizes (e eu fico super agradecida pelas palavras de carinho que ouço de todas vocês!).

Sendo muito sincera, pelo fato de ficar em casa boa parte do dia, eu acreditava passar um tempo enorme com minha filha diariamente. Até que um fato recente modificou um pouco minha maneira de pensar – meu celular quebrou! Comprei outro e adivinhem – em uma semana parou de funcionar! Pois é, para quem ficou dois meses com um computador também novo para ser consertado, posso dizer que não tenho tido muita sorte com dispositivos eletrônicos nesse ano. Ou melhor – pode ser que eu tenha que aprender uma lição com tantas coincidências tecnológicas!

Voltando à história do celular, ficar com um smartphone “capenga” por algumas semanas (como o novo parou, tive que ficar com o antigo, que basicamente só fazia e recebia chamadas) me mostrou o quanto eu o usava em minha rotina. Confesso que muitas vezes eu parava uma brincadeira no meio, ao ouvir o apito do Whatsapp, ou ver a chamada para uma mensagem do Facebook em minha caixa postal, achando que era algo de extrema importância. Sem falar nos milhões de e-mails que recebo todos os dias, e que eram mais uma distração para os momentos que, teoricamente, deveriam ser destinados apenas à pequena.

Imagem :Niklas via Compfight cc

Imagem :Niklas / Creative Commons

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Os primeiros dias sem um celular que me permitia acesso rápido a redes sociais e conversas em grupo foram altamente irritantes. Porque minha sensação era a de que várias coisas estavam acontecendo no mundo, e eu estava ali, sem saber de nada. Mas com o passar das semanas, comecei a perceber que os momentos que tinha com Catarina eram interrompidos com menor frequência. A ponto de eu me perguntar se o tempo que costumava passar com ela antes desse episódio era mesmo de qualidade.

Não estou querendo dizer que nunca mais usarei esses aplicativos em um celular (até porque meu trabalho, o blog, depende deles), nem sugerindo que alguém delete Facebook, Instagram, Whatsapp e companhia de seus smartphones. Mas será que não podemos usá-los de uma forma mais equilibrada, sem que eles interrompam momentos importantes que vivemos em família? Não é preciso procurar muito para ver pais, mães e filhos que simplesmente não conversam – ficam cada um no seu mundinho privativo, mergulhados em pequenas telas.

Tenho certeza de que a tecnologia nos aproxima muito – se não fosse assim, não estaríamos tendo essa conversa agora. Com sua ajuda, temos a oportunidade de estar junto a parentes e amigos que amamos, e que estão em outras cidades, ou mesmo países. Mas acredito que pequenas mudanças na nossa forma de lidar com ela sejam necessárias – ninguém morre por silenciar conversas (e ver o que está acontecendo meia hora depois) ou por manter um celular longe do alcance das mãos até o fim da brincadeira.