Sim, eu sou uma mãe incapaz de deixar um filho chorar. E antes de me vangloriar disso e dizer que minha filha dorme muito bem obrigada, sem que eu tenha usado técnicas de choro controlado, devo ser muito sincera com vocês: Catarina tem três anos e meio e frequentemente ainda acorda durante a noite. Quando digo frequentemente, quero dizer no mínimo duas vezes por semana. Já passamos da fase em que eu a levava para dormir em minha cama após o despertar noturno, e mesmo assim a pequena continua acordando. Do seu quarto, me chama e sossega quando vou até lá e digo que está tudo bem e que ela pode dormir novamente. Em geral ela não reclama de medo, ou se mostra ansiosa; mas gosta de saber que mamãe está logo ali e que não evaporou no meio da noite.

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Portanto, não posso dizer que o padrão de sono da família é um grande sucesso, tomando-se como referência o desejo de qualquer mãe na face da Terra: dormir oito horas de sono ininterruptas. E o mais engraçado de tudo isso é que, se tivessem me contato que seria assim se eu tivesse permitido à minha filha dormir em minha cama, ou comigo ao seu lado em seu quarto, eu teria feito tudo novamente. Por um simples e único motivo: apesar dos meus mil defeitos, uma certeza eu gostaria que Catarina tivesse – a que eu sempre, sempre, sempre estarei ao seu lado quando ela precisar.

Eu não sei se vocês têm essa lembrança, mas eu tenho – a do medo do escuro, do medo de algum monstro que pudesse entrar em meu quarto. E isso porque eu tinha duas irmãs dormindo pertinho, imaginem se não tivesse! E tendo essas memórias, como poderia deixar um bebê (ou mesmo uma criança pequena, que ainda se reconhece frágil perante a todo o ambiente em que vive) chorando sem amparo?

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Não estou aqui para criticar quem use as técnicas de choro para ensinar o bebê. Cada mãe é uma mãe, cada situação é uma situação. Para mim, por mais difícil que tenha sido enfrentar noites e noites mal dormidas, foi possível suportá-las. Mas conheço famílias que não encontraram outra saída e que não se arrependem de tê-las usado. Por isso quem sou eu para julgar?

E já que é dia de abrir o coração para falar sobre o assunto, também tenho que admitir – não deixar minha filha chorar para aprender a dormir não significa que ela nunca tenho chorado NA hora de dormir. Ou vocês acham que, como qualquer criança, a minha já não fez birra porque não queria deitar? Por que queria ir para a cama dos pais e teve sua vontade contrariada? Ou chorou porque estava tão cansada que literalmente não conseguia dormir?  Para esses choros minha postura era estar presente, mas ser firme ao dizer: “queira ou não queira, você vai dormir agora, mocinha”.

O que noto é que hoje Catarina é capaz de dormir sem que eu esteja ao seu lado, se acorda no meio da noite. Ela me chama, eu apareço e saio de seu quarto antes que pegue no sono novamente. Mas foi um longo caminho percorrido até que isso acontecesse. Foram anos segurando sua mãozinha e saindo sorrateiramente, depois que ela adormecia. Muitas horas de sono perdidas, mas um coração tranquilo por ter escolhido não deixá-la chorar.