Confesso a vocês que a alimentação em minha casa não é 100% natural. Embora tente, na medida do possível, oferecer alimentos integrais, orgânicos e evitar o excesso de doces no cardápio de Catarina, minha filha é liberada para comer alguns biscoitos industrializados, bolos caseiros (que obviamente levam uma quantidade considerável de açúcar na receita) e de vez em quando até um pedacinho de chocolate (depois dos três anos de idade e em quantidade mínima, que fique bem claro). Eu fui criada dessa forma, e acabo reproduzindo com ela o padrão – pode comer quase tudo, mas com moderação. Digo quase porque há produtos que simplesmente não compro, por acreditar que não agregam à sua alimentação. Para mim, se tirassem das prateleiras dos supermercados, fariam um grande bem à humanidade.

Imagem: 123RF

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Pois outro dia, estava no mercadinho da rua com Catarina, quando a pequena me pede para levar uma bolacha recheada (justamente um desses itens que eu abomino, pela quantidade de gordura trans e outras porcarias que entram em sua composição). Eu, que parei de comprar tal biscoito há muito tempo (antes dela nascer, inclusive), perguntei se ela sabia do que se tratava.

Torben Bjørn Hansen via Compfight cc

Imagem: Torben Bjørn Hansen via Compfight cc

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– “Uhm, é uma delícia, mamãe, eu adoro!”.

– “Ué, filha, mas você já comeu?”

– “Já, meu amigo sempre leva na escola. E a gente troca – eu dou um pedaço do meu pãozinho e ele me dá a bolacha!”.

Ai, ai… E eu que gastei horas procurando opções saudáveis para Catarina levar no lanche, descubro que ela come um monte de coisas que eu jamais sonharia em ter na despensa de casa! E presumindo que eu não conseguiria controlar as “besteiras” às quais ela tem acesso por meio do lanche dos coleguinhas (alguns itens são terminantemente proibidos pela escola, mas bolacha recheada não é um deles), decidi tentar a velha e boa explicação como forma de convencê-la a ficar longe desses pseudo-alimentos.

– “Filha, você já viu isso lá em casa? Não, né? A mamãe não compra porque não faz bem para a saúde. Tem um monte de coisas dentro desse biscoito que são ruins para você. Por isso é melhor não comer – quando seu amiguinho oferecer, você agradece e continua comendo seu lanche, entendeu?”.

– “Mas, mãe, se fosse tão ruim assim, porque a mãe do meu amigo compraria para ele?”.

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Ela só tem três anos e me faz cada pergunta…