Acho que sempre que passamos por um período de transformação, ficamos mais sensíveis ao que está em nosso redor. Como já comentei com vocês recentemente, estou vivendo um momento como esse, por isso os inícios e as finalizações que a vida nos impõe têm sido objeto da minha atenção. Nessa semana, por exemplo, li um texto de uma mãe americana que mexeu muito comigo. Nele, ela falava sobre o último filho e o sentimento que ele desperta, de que mais uma fase chegou ao fim. A última fralda, a última mamadeira, o último brinquedo jogado pela casa, tudo isso vai nos mostrando, pouco a pouco, que o tempo está passando e que não retornará. E começa a dar aquela saudade do que hoje ainda se tem, porque você sabe que em breve não terá mais.

Fiquei pensando que esse é a sensação exata de quem tem um filho único, como eu. Porque quando você sabe que terá mais filhos (ou pelo menos pretende tê-los), é como se existisse uma segunda chance para viver tudo de novo (e aí você, de fato, só terá o sentimento de que a infância está deixando sua casa quando o caçula começar a fugir de seus beijos, ou pedir que você o deixe a metros do portão do colégio). Mas com apenas um, você quer agarrar o instante – ou você o aproveita intensamente ou, em um piscar de olhos, seu filho estará crescido. Ao me despedir do meu antigo emprego, uma colega de trabalho que tem aproximadamente a idade da minha mãe me disse: “querida, espero que você seja muito feliz nesse novo caminho. Mas, acima de tudo, espero que você esteja perto da sua filha”. Ela, também mãe de um filho único, já está em um “capítulo adiantado desse mesmo livro” (hoje ele mora em outra cidade, onde é casado e tem uma filhinha; e ela, tenho certeza, gostaria de estar de volta ao tempo em que ele não lhe deixava um momento de descanso), por isso seu conselho me calou fundo.

Filha, um dia você talvez leia esse post, e quando o ler, saiba que eu sentirei muitas saudades de deitar ao seu lado em sua caminha até que você pegue no sono. Sentirei saudades do que você me diz, todos os dias, antes de dormir: “mamãe, eu te amo toda hora” (ao que eu respondo: “eu também, filha, te amo toda hora”). Sentirei saudades de fazer um enroladinho de Catarina com a toalha e levá-la até o quarto para trocá-la depois do banho. Sentirei saudades dos seus cachinhos e de acariciá-los, cantando “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos…”. Ah, e como sentirei falta de você correndo para mim no portão da escola, com seu sorriso de orelha a orelha, como que dizendo: “agora estou indo para minha casa, para minha família”.

Acho que, mais do que tudo, sentirei saudades de saber o quanto hoje eu sou importante na sua vida. De saber que apesar de todos os meus defeitos, você me considera a melhor mãe do mundo. De ver o quanto você é feliz (afinal, você tem as coisas de que mais gosta do mundo: pernas para correr, macarrão, água e suco!). Ah, quanta beleza na sua simplicidade! Pena que não dá para pedir: “filha, por favor não cresça”.

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O que mais seria felicidade se não desejar que tudo fosse exatamente como é hoje?

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