Catarina ganhou um quebra-cabeça da Galinha Pintadinha no Dia das Crianças. Na caixa, a instrução de que o brinquedo era destinado a crianças acima de 3 anos (lembrando que ela tem 1 ano e 10 meses). Fiquei olhando de longe minha filha montar com rapidez as peças, como se já tivesse familiaridade com elas; até a amiga que havia dado o brinquedo perguntou se ela tinha um igual, tamanha a facilidade com que o havia montado.

Confesso a vocês que nessa hora senti um “orgulhozinho”, como se eu tivesse a filha mais inteligente do mundo. E eu sei que não estou sozinha nesse barco: que mãe não gosta de saber que seu filho fez algo que era esperado apenas de crianças mais velhas do que ele? Basta entrar numa rodinha de mães para ouvir que o filho de uma andou com 9 meses, que o filho da outra falou com 11 meses, que um terceiro tirou as fraldas com 1 ano e meio…É como se a rapidez no desenvolvimento atestasse que temos um filho brilhante, esperto, maravilhoso.

Nessa semana comecei a pensar mais sobre o assunto. Sabe aqueles momentos de reavaliação, de colocar a cabeça no lugar e a ordem na casa? Pois é, a mamãe aqui está numa fase dessas. E então comecei a me perguntar o que significaria para uma criança, passados uns 20 ou 30 anos, o fato de que tirou a fralda com 2, 3 ou 4 anos. Ou ter aprendido a ler aos 4, 5 ou 6 anos. Ou ainda ter conseguido falar frases inteiras com 1, 2 ou 3 anos. E cheguei à conclusão de que no futuro isso provavelmente não significará absolutamente NADA. Ter desenvolvido uma habilidade precocemente não garantirá a felicidade da minha filha; nem um emprego dos sonhos; nem uma família linda. Então por que temos essa pressa tão grande em ver nossos filhos crescendo?

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Acho que temos que parar de comparar o desenvolvimento de nossas crianças. Porque aprender a fazer antes não faz de nossos filhos mais habilitados a nada na idade adulta, essa é que é a verdade. Lógico que torcer para o filho aprender a dormir a noite inteira, ou tirar a fralda logo tem embutida uma facilidade inegável; mas nesse caso, a torcida é para que você, pai ou mãe, tenha o direito a um pouquinho de sossego. Mas nas coisas que dizem respeito apenas a seu filho, para que a ansiedade?

Temos que deixar nossos bebês serem bebês em paz; nossos meninos e meninas, serem crianças em paz. Passa tão rápido, que quando menos esperarmos, estaremos torcendo ao contrário: para que eles parem de crescer e fiquem para sempre crianças. Então vamos curtir cada dia, cada semana, cada mês sem pressa? Bom feriado a todos!