Pintura gestacional: entenda seu real significado (e por que é tão bacana!)

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Que algumas gestantes adoram “brincar” com a barriga, isso a gente já sabe (aqui no blog mesmo eu mostrei ensaios incríveis em que barrigões foram transformados em telas de pintura, em registros bem humorados do bebê e, até mesmo, em jardins!). Mas você sabia que existe uma técnica antiga que mistura arte e ciência, e na qual a mamãe não só ganha uma obra artística no corpo, como também entende como o filhote está no útero? Trata-se da pintura gestacional.

Talvez você já tenha visto alguma pintura gestacional na internet: é quando a barriga da grávida ganha uma espécie de ultrassom colorido. E pode apostar que o desenho mostra a realidade mesmo, pois quem normalmente faz a pintura gestacional são enfermeiras obstetras ou parteiras que, após a palpação, conseguem identificar a posição do bebê para, então, fazer esse “registro de dentro para fora”.

Para mostrar a vocês como a pintura gestacional funciona, conversei com a enfermeira obstetra Mariana Faria Gonçalves, autora de desenhos incríveis em barrigões por aí. Ela (que aprendeu a técnica com a precursora da pintura gestacional, a parteira mexicana Naolí Vinaver) contou toda a verdadeira representação da pintura gestacional e explicou por que as mulheres estão se encantando cada vez mais por esses desenhos. Confira:

Imagens: Arquivo pessoal

Por meio de exames físicos, enfermeiras conseguem identificar como o bebê está posicionado

A enfermeira Mariana explica que por meio da palpação obstétrica (chamada na enfermagem de Manobra de Leopold), o profissional consegue identificar a posição em que o bebê está dentro da barriga (de cabeça para baixo – o mais comum – sentado ou atravessado), e também se ele já está encaixado ou não na pelve da mãe.

Esse exame físico é realizado em todas as consultas de pré-natal a partir da 33ª semana da gravidez. Já a pintura gestacional pode ser feita antes, de maneira lúdica (sem necessariamente ser um “registro” do bebê), mas geralmente é feita depois de 33 semanas, para demonstrar realmente como a criança está.

Contudo, vale lembrar que a palpação não substitui o ultrassom. “O exame de ultrassom visa detectar o bem-estar fetal e as particularidades da gestação (como a idade gestacional, o peso do bebê, a quantidade de líquido amniótico, etc), informações adicionais que a palpação, sozinha, não identifica”, alerta a enfermeira.

Mas como a pintura gestacional é feita?

Para fazer os desenhos, que demoram cerca de uma hora para ficarem prontos, as enfermeiras utilizam lápis e tintas atóxicas e específicas para o uso na pele, para evitar alergias nas gestantes (mas Mariana lembra que é sempre aconselhável fazer um teste antes do antebraço da mãe; a única contraindicação é se a mulher tiver alguma reação nesse teste ou alergia a corantes).

Imagens: Arquivo pessoal

Os benefícios da pintura gestacional

Para Mariana, o principal benefício da pintura gestacional é mostrar para a mulher como o bebê está dentro da barriga. “Muitas mães não sabem como o bebê fica dentro da barriga e, com a pintura, elas conseguem imaginar como o filho está no útero, o que é e para que serve a placenta, a bolsa de líquido amniótico, como o pequeno recebe oxigênio e nutrientes pelo cordão umbilical, etc. A mãe ‘materializa’ aquele bebê que se mexe no seu ventre.”

Nesse sentido, a pintura gestacional ainda vira um momento para a gestante revelar como imagina que seja o seu bebê (até para as enfermeiras darem aquele toque poético no desenho, sempre bem-vindo!). “Enquanto pintamos, vamos conversando com a mãe, e o desenho vai se formando conforme ela acha que o bebê é: careca, cabeludo, qual a cor dos cabelos dele, o formato do nariz, o que deve puxar do pai, da mãe, etc. Elas também opinam nas cores e nos detalhes. Os resultados acabam variando muito pois, além de ser algo didático, a pintura gestacional é uma atividade lúdica, que revela também um pouco da identidade de cada família.”

Outro benefício que Mariana destaca é o fortalecimento de vínculo que a pintura gestacional proporciona. Não só entre mãe e filho, mas ainda entre os irmãos. “Gosto de utilizar a pintura também como forma de trazer o irmão mais velho a participar da gestação, para ele entender o que é ‘um bebê dentro da barriga da mamãe’, e assim, auxiliar no vínculo dele com o irmão que vai chegar”, conclui a enfermeira.

Imagem: Arquivo pessoal

Mais sobre a pintura gestacional

A parteira mexicana Naolí Vinaver começou a fazer pintura gestacional ainda nos anos 1990. Ela conta que a ideia de fazer os desenhos começou na segunda gravidez, quando o filho mais velho gostava de desenhar sua barriga (da forma como ele imaginava que seria o irmãozinho). Inspirada nele, ela mesma passou a fazer os desenhos nas mulheres da família, até que levou a técnica às grávidas que atendia e a ensinou a profissionais de diversos países.


 



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